A 1ª pessoa verbal na reportagem jornalística
Setembro 16, 2006 às 10:38 pm | Na categoria Media & Jornalismo | 1 Comentário
No jornal A Semana, encontramos uma reportagem intitulada: Festival do Sal, Primeiro dia: “Explode coração!”
Para além da construção da reportagem, que está bem conseguida – no meu ponto de vista –, há duas notas.
Vejamos as palavras a vermelho dos dois extractos de texto:
“São 6h:07, sensivelmente, quando os Kassav se preparam para entrar em palco. Dentro do camarim estão todos concentrados. Nós só queremos ir embora para casa e o público esse está de rastos, há quem dorme de pé!, e temos as fotos para provar. […] O nosso relógio mostra 8h:37 da manhã quando os Kassav abandonam o palco ao som do povo gritando: “Kassav ê sáb, ê sáb pa cag…!”. Certamente um dos melhores shows que essa ilha já viu. Daqui a algumas horas há mais, são 13h.23 do dia 16 e nós ainda não pregámos olho…”.
NOTA:
Para além de ser dispensável, é desaconselhável o uso da primeira pessoa verbal, seja do singular ou do plural, na reportagem jornalística. A primeira pessoa transforma o jornalista num dos actores da notícia (reportagem, neste caso). E, quando o jornalista se torna parte da notícia, a tendência é para que a isenção dilua. O jornalista é um observador, relator e intérprete dos acontecimentos e da realidade social. Há situações em que ele mesmo faz parte da notícia. Imaginemos que o jornalista tenha caído numa emboscada, num teatro de guerra… caso sair com vida e poder relatar o acontecimento, é desejável que o repórter traga experiência da situação por que passou. No caso da reportagem do ‘nosso’ semanário, acho que não era necessário o uso da primeira pessoa verbal. Desvirtua todo o trabalho feito.
Opto por não comentar outras coisas.
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Comentário por rgrfd— Agosto 5, 2008 #