Ponto Final.

Maio 2, 2007 at 11:22 pm | In Media & Jornalismo | 1 Comment

  É CASO PARA DIZER: PERDEMOS HORIZONTE

«O jornal “Horizonte” chega hoje às bancas pela última vez. Este periódico, que no final dos anos 90 chegou a sair quatro vezes por semana, pertence ao Estado, que agora, com esta última edição, inicia o tão anunciado desengajamento da imprensa escrita.
Dos menos de vinte trabalhadores do “Horizonte”, apenas os seis jornalistas e dois fotógrafos vão integrar já hoje o corpo redactorial da agência Inforpress. Os restantes, grupo no qual estão incluídos os distribuidores e os gráficos, serão dispensados mediante indemnização. As negociações ainda decorrem entre sindicato e conselho de administração.
Na última manchete, o “Horizonte” anuncia a sua própria extinção – um fim anunciado desde 2001, quando o Governo comunicou a sua intenção de abandonar o único título que ainda mantinha na imprensa escrita.
Por ser “um momento já esperado”, o ambiente na redacção foi “normal” durante esta semana, contou ao “asemanaonline” Carvalho Santos, um dos administradores e, durante muitos anos, director da publicação.
Agora administrador da Inforpress, Carvalho Santos acredita que o título “Horizonte” poderá ser adquirido por um privado e garante que o “Governo está aberto a propostas”.
Comentando o fecho do “Horizonte” José Maria Neves, que falava ontem aos jornalistas a propósito do relatório da Freedom House e do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, disse que “neste momento já não faz sentido haver um órgão do Estado que, tendencialmente, seria visto no panorama da imprensa escrita como um órgão oficial ou oficioso do governo”. Saindo o Estado da imprensa escrita, afirma o primeiro-ministro, “cria-se mais espaço e mais liberdade para os órgãos privados e, mais do que isso, criam-se condições para se expandir as possibilidades de os cidadãos, as empresas participarem no processo de formação autónoma, livre e independente, da opinião pública cabo-verdiana”.
O “Horizonte” estava nas bancas há oito anos e era sucessor do “Novo Jornal Cabo Verde”, que, por sua vez, foi sucessor do “Voz di Povo”». [
in A Semana]

1 Comentário »

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  1. Existe um misto de alegria e de tristeza. Teve uma vida conturbada Semanário, por entre acusasões de partidarismo e de facilitismo na suas publicações (no qual não vou revelar a minha opinião) chega a hora de o Estado (como regulador e não como controlador) largar a imprensa escrita. Mesmo assim, sou da opinião que se deveria “privatizar” ao invés de “desmantelar”, talvez porque a imprensa escrita esteja a perder o seu peso foi tomada essa decisão que todas sabiamos que um dia viria a contecer. Aos trabalhadores, desejo toda a sorte do mundo.
    A ti, mais uma artigo exemplar.

    Abraços


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