O jornalismo em Cabo Verde: emergência de uma nova tendência
Novembro 5, 2007 at 4:50 pm | In Media & Jornalismo, Política | 2 Comments“Parceria especial Cabo Verde e União Europeia é um dos destaques do jornal, desta semana, que chega às bancas. Na primeira página, a entrevista de José Maria Neves “Cabo Verde está mais próximo da União Europeia” in Suplemento. Nesta primeira entrevista que o Chefe do Governo concede a este semanário, Neves fala ainda da cimeira Europa/África agendada para Dezembro e da graduação de Cabo Verde à lista dos países de Rendimento Médio”. [in Expresso das Ilhas]
COMENTÁRIOS NÓS MEDIA
Desde que José Maria Neves chegou ao poder, em 2001, tendo reforçado a sua maioria absoluta em 2006, o relacionamento com o Expresso das Ilhas e, posteriormente, com o Liberal Cabo Verde não tem sido dos melhores. O Primeiro-ministro já chegou mesmo a chamar, em pleno debate parlamentar, o Expresso das Ilhas e o Liberal de ‘os dois jornais do MpD’.
Com esta entrevista que o Primeiro-ministro concede ao Expresso das Ilhas, regista-se uma certa evolução no relacionamento institucional entre os jornais próximos do MpD e a actual liderança executiva do PAICV. Notamos que esta evolução não resulta só de uma nova postura do Primeiro-ministro perante os referidos jornais, como também uma notável mudança de atitude dos próprios jornais que, nos últimos tempos, com a entrada em cena do Jornal de Cabo Verde, dirigido por Daniel Medina, e A Nação, do grupo Alfa, mostraram uma certa vontade de fazer jornalismo.
Lembremos que Alcides Vieira, director de informação da SIC, afirmou, numa entrevista que nos concedeu no âmbito da realização da nossa tese de Mestrado, que os órgãos de comunicação social que pretendem vender ‘ideologias’ em nome da informação tem os dias contados. “Se os jornais não forem credíveis, não forem isentos, não forem independentes – cada um à sua maneira, cada um com o seu estilo próprio – podem não resistir”. O director de informação da SIC afirma ainda que “o jornal que esteja sujeito aos interesses que não sejam os do jornalismo, a tendência é para acabar. Todos os jornais ligados a projectos políticos ou projectos económicos, que não têm nada a ver com o jornalismo, morreram”.
O mercado mediático cabo-verdiano obrigou um reposicionamento do Expresso das Ilhas e do próprio Liberal, que provaram o tentador veneno de misturar o jornalismo com a política. Esta tem sido a postura da maioria dos órgãos que operam no país. Os que têm estruturas financeiras mais consolidadas ainda vão continuando a operar com alguma tranquilidade, mas o mercado está a deixar cada dia mais claro que, sem um jornalismo sério, alguns órgãos podem acabar por seguir o caminho percorrido por certos órgãos de informação que surgiram na paisagem mediática cabo-verdiana depois da independência. “A actividade dos media são as notícias… é a isenção, o pluralismo, o equilíbrio, porque, senão, acabam por não vender jornais. Se a empresa não vender jornais, não tem publicidade, não tem retorno, portanto, vai à falência. Todos os projectos que nasceram com tendências ideológicas ou que foram condicionados a outros objectivos que não fossem o de independência falharam ao longo dos tempos. Portanto, a actividade jornalística é uma actividade como outra qualquer no sentido económico. As pessoas têm que trabalhar para ganhar dinheiro para poderem manter a própria actividade. A liberdade de imprensa passa por isso. Não tenho dúvidas nenhumas em relação a isso”. [Alcides Vieira: Entrevista Fevereiro de 2006].
Jornalistas cabo-verdianos no atelier de Comunicação no Senegal
Novembro 5, 2007 at 4:04 pm | In Media & Jornalismo | Leave a Comment“De 5 a 9 de Novembro será realizado em Mbodène, Senegal, um atelier sobre Comunicação e Plaidoyer que contará com a participação de profissionais da media dos países da África de Oeste e Astral e que tem por objectivo dotar os profissionais dos meios de comunicação, de conhecimento, compreensão e motivações apropriadas que lhes permitam contribuir para a promoção das questões de securisação dos produtos de saúde reprodutiva, SPSR, nos seus respectivos países através dos meios de comunicação, atingindo desta forma o grande público, os lideres de opinião e os decisores.
Este atelier de 4 dias conta com o apoio do Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA) e da Equipa Regional de Apoio Técnico, EAT.
Cabo Verde far-se-á representar por três jornalistas inscritos na Rede de Jornalistas em Questões de População, REJOP, sendo um da rádio, um de televisão e mais um da imprensa escrita. Esta Rede congrega cerca de trinta membros, na sua maioria jornalistas exercendo funções em diversos órgãos de comunicação social público e privado, bem como instituições que lidam com questões ligadas à saúde, meio ambiente e desenvolvimento”. [in Expresso das Ilhas]
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