Polícia Nacional devasta Direito à Liberdade de Imprensa

Fevereiro 26, 2008 at 3:49 pm | In Comunicação e Sociedade, Media & Jornalismo | Leave a Comment

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Reproduzimos aqui a notícia que o Liberal On-line emprestou ao Jornal de Cabo Verde, dando conta de uma situação aberrante de devastação do direito à liberdade de imprensa, consumado na obstrução de exercício da actividade jornalística. A fazer fé no relato do jornalista Andrés Vince, a informação que reproduzimos é uma vergonha para quem deveria perceber um pouquinho que seja sobre os direitos fundamentais da pessoa humana. Se a polícia não conhece os chamados catálogos de direitos fundamentais, indisponíveis e intransponíveis, consagrados constitucionalmente, dos quais o direito à liberdade de imprensa faz parte, o que esperarmos das nossas polícias? Só distribuir cacetadas não chega. É preciso um bocadinho de conhecimento para que essa distribuição, ainda que não seja justa, seja menos injusta.
 
Os agentes que prenderam o jornalista“Final da tarde na Achada Santo António (18h), dia 20 de Fevereiro. O fotojornalista Oteldino Vieira, do JCV, voltava para o seu local de trabalho apenas para “descarregar” as suas fotos e terminar o seu expediente. Tudo parecia correr na maior normalidade, quando surge uma ronda da Polícia Nacional. Eles param, descem quatro polícias da viatura e saem em busca de um suspeito. Dentro de minutos, localizam-no, imobilizam-no e ele é levado para dentro do carro do piquete da PN. Nesse meio tempo, tudo é captado pela câmara do fotógrafo que, cumprindo o seu instinto profissional, apenas registou toda a movimentação.A cena transcorreria na maior normalidade, não fora o facto de um dos polícias ter arrancado a câmara do fotojornalista de suas mãos, sob alegação que ele não poderia fotografar aquele episódio. Facto consumado, o fotógrafo se dirigiu à redacção e informou os seus superiores que a sua câmara havia sido apreendida.Como a viatura da ronda da Polícia Nacional ainda se encontrava no local, responsáveis do JCV foram questionar sobre o ocorrido, perguntando quem seria o superior na ocasião da apreensão. Nesse momento respondeu um policial de nome Domingos Lopes, dizendo-se o responsável. Qual o motivo do confisco do equipamento? Responde que havia sido ele mesmo o mandante da apreensão. Confrontado com o facto de que não podia obstruir o trabalho da imprensa dessa forma, arbitrariamente, ordenou a imediata detenção do fotógrafo que encontrava-se junto aos seus responsáveis no intuito de recuperar o equipamento apreendido.Nesse momento, o fotógrafo do JCV, iniciou o seu Caminho de Santiago. Além de não haver nenhuma acusação plausível contra ele, foi obrigado a entrar humilhantemente na viatura diante de uma grande plateia, que já se aglomerava, tendo sido engaiolado juntamente com presumíveis delinquentes que, entretanto, já se encontravam na gaiola da viatura policial. Como qualquer pessoa que, neste caso, supostamente descumpre a lei, deveria ser levado para um destino como a área judiciária.Infelizmente, tal não aconteceu. O policial Domingos Lopes informou que seria levado para a esquadra do Palmarejo. Mas, em seguida, informou outra pessoa que ele seria levado a esquadra de Eugénio Lima. Confusão feita, começaram os contactos por parte dos responsáveis de JCV na tentativa de tentar localizar o fotógrafo, pois não havia certeza para onde ele haveria sido levado.NR. Já depois de terem apanhado um raspanete de um dos superiores hierárquicos, sem saberem o que fazer com o fotógrafo, simularam um pedido de desculpa. Liberal sabe que o profissional da Comunicação Social já apresentou queixa contra os agentes infractores.
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Andrés Vince“.
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[Vénia ao
Liberal On-line]

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