Porquê Cabo Verde?

Maio 16, 2008 at 4:19 pm | In Comunicação e Sociedade | 5 Comments

A pergunta que vem no título deste post foi colocada pelo autor cujo nome vem a seguir a esta nota introdutória e foi publicado na edição de 12 de Outubro de 2007 do jornal moçambicano ‘A Savana’. Aparentemente, o artigo pode ter perdido actualidade em termos temporais, mas a nível do conteúdo, faz todo o sentido a sua leitura. Desde logo, para termos uma visão de quem está de fora sobre o nosso país. Também porque, dois dias antes das eleições autárquicas, faz todo o sentido ler um artigo que aborda a questão do desenvolvimento do país, traçando coordenadas geográficas, históricas, políticas, sociológicas, entre outras. Por fim, porque o próprio autor do artigo acaba de ser notícia, por causa de ser o único jornalista a representar os PALOP no concurso “Jornalista Africano de 2008″. Por todos esses motivos, vale a pena acompanhar o autor neste “porquê Cabo Verde?”

.
Por Fernando Lima*

“Está em alta a publicações de índices internacionais sobre os mais variados assuntos. Ao nível dos Estados, argumentam os especialistas que esta visibilidade encoraja a noção de transparência que deve presidir à gestão da coisa pública.
Os governos e os seus propagandistas, sobretudo ao nosso nível, empurram para debaixo da alcatifa os maus resultados e puxam para as parangonas os números de prestígio. Há mesmo quem pratique ilusionismo com números e percentagens. Como aconteceu recentemente com o índice “fazer negócios” patrocinado pelo Banco Mundial. Moçambique teve mais notas negativas que positivas, mas como subiu algumas casas no “ranking” foi motivo de assinalável sucesso.
Mas é um outro país que me surpreende sempre pela positiva nestas estatísticas internacionais. Cabo Verde.
Quer se trate de corrupção, liberdade de imprensa, boa governação, fazer negócios, Cabo Verde é sempre o PALOP de vanguarda.
No índice mais consensual que é anualmente divulgado pelas Nações Unidas, o Índice do Desenvolvimento Humano, Cabo Verde ocupa o 106º. posto, bem à frente de todos os outros países PALOP. Moçambique, por exemplo, está no 10º. lugar a contar da cauda, o que não é mau para quem já foi mesmo último.
O que será que os cabo-verdianos fazem melhor que os seus irmãos PALOP ?
Recursos não têm. Aí os angolanos dão cartas mas nem por isso estão mais prestigiados pois ocupam habitualmente lugares abaixo dos seus “rivais” moçambicanos.
Cabo Verde de verde mesmo só tem o nome. Há excepção da Ilha de Santo Antão, onde cana de açúcar dá para fazer grogue em alambique tradicional, Cabo Verde é pedra e poeira.
Da independência a 1980 estiveram ligados ao projecto político que os uniu à Guiné-Bissau. Muitos quadros do movimento de libertação, o mais conhecido e prestigiado entre os PALOP, vinham de Cabo Verde. Os guineenses golpearam o presidente e praticamente expulsaram os cabo-verdianos do país, à mistura com muitos insultos. O que também acontece sem golpe em Angola e São Tomé onde há assinaláveis comunidades de caboverdianos. Da Guiné fala-se hoje como “estudo de caso” como Estado falhado. Mais fundo não pode bater, agora que parece um enorme acampamento do narcotráfico em trânsito para a Europa.
Os cabo-verdianos “refizeram-se” politicamente no arquipélago de chuvas avaras. Ultrapassaram politicamente os seus cismas “trotskistas”, uma relação difícil com a igreja católica que custou ao partido independentista a primeira eleição com sabor multipartidário.
Ao contrário do que aconteceu noutros processos africanos – veja-se a Zâmbia e o Quénia – o partido independentista não se desintegrou com a perda do poder. Deu a volta aos dinossauros, lavou a cara, refrescou o discurso e provou que também em África é possível a prática do paradigma da alternância democrática, sempre referenciada nos manuais de ciência política.
Há falta de recursos naturais argumenta-se que, sendo ilhas, é sempre possível atrair ajuda internacional. Tem alguma fundamentação, mas veja-se o caso de São Tomé, país muito mais pequeno, um aglomerado de famílias, mas onde os políticos andam invariavelmente de costas voltadas e os polícias se divertem em golpes e contra-golpes de opereta.
Com escassez de argumentação contrária até há quem diga que não são africanos. Como os etíopes que também têm as suas próprias teorias de identidade.
Arrisco um pequeno palpite numa semana em que discutia amigavelmente, em tempestade de ideias de fim de semana, alguns desafios ao desenvolvimento.
Uma das chaves do sucesso caboverdiano são os seus recursos humanos. E são os recursos humanos que alavancam – um jargão que está em moda – este pequeno país para os índices e “rankings”que conhecemos.
Há dias fiquei a saber que os dinamarqueses lideram o índice de felicidade. Fiquei frustado por não saber ocupado pelos caboverdianos.
Mas a julgar pelo agitar do “funaná” não devem estar mal cotados.

*Espinhos da Micaia

Fonte: SAVANA – 12.10.2007” [in  Comunidade Moçambicana]

Prémio CNN/Multichoice: moçambicano é finalista

Maio 16, 2008 at 3:36 pm | In Media & Jornalismo | Leave a Comment

O moçambicano Fernando Lima é um dos finalistas do prémio  “Jornalista Africano 2008” patrocinado pela cadeia de televisão CNN e pela Multichoice. Lima concorreu com um conjunto de trabalhos publicados no jornal “Savana” de Maputo alusivos às cheias no rio Zambeze no início do ano de 2007.

Entre as obras seleccionadas se destacam a reportagem “Um Vale de Lágrimas”, e um texto analítico “Lufada de ar fresco nas calamidades”, sobre as mudanças imprimidas à instituição de gestão dos desastres naturais em Moçambique. Complementavam os artigos, duas colunas de opinião – “calamity jane” e “sindrome tou pidir” – um retrato jocoso e irónico sobre o fenómeno da dependência e da indústria assistencial em África.

A equipa do “Savana” integrava igualmente o repórter fotográfico Naita Ussene. O “Savana” é o mais antigo semanário independente de Moçambique e é propriedade da Mediacoop SA, uma empresa controlada por jornalistas.

 

Fernando Lima é o único profissional dos PALOP (Países de Língua Oficial Portugal) a atingir a final, sendo igualmente candidato ao prémio da categoria dos géneros jornalísticos para rádio, televisão e imprensa em língua portuguesa”. [in Visão News]

.

Candidatos Finalistas:

Fernando Lima, Jornal Savana, Moçambique

Lucas Ajanaku, TELL Magazine, Nigéria

Barbara Angopa, NTV, Uganda

Deji Badmus, Channels Television, Nigéria

Marjorie Copeland, freelancer para a Marie Claire, África do Sul

Kennedy Gondwe, freelancer para a Hone FM, Zâmbia

John Grobler, freelancer para o The Namibian, Namíbia

Israel Laryea, Joy FM, Gana

Emmanuel Mayah, Sun Newspaper, Nigéria

Mwondoshah Mfanga, The Guardian, Tanzânia

Richard Mgamba, Sunday Citizen Newspaper, Tanzânia

Peter Moyo, e.tv, África do Sul

Bamuturaki Musinguzi, The EastAfrican Newspaper, Uganda

Mutwiri Mutuota, Kenya Times, Quénia

Boniface Mwangi, The Standard, Quénia

Koumouréoua Issa Napon, Radio Télévision du Burkina, Burquina Faso

Evaline Ngono, Cameroun Radio Télévision, Camarões

Daniel Nkrumah, Daily Graphic, Gana

Godwin Nnanna, BusinessDay, Nigéria

Nassima Oulebsir, Le Jeune Indépendant, Argélia

Hopewell Rugoho-Chin’ono, Television International, para a Zimbabwe Broadcasting Corporation, Zimbabué

Seyoum Tsehaye, Eritreia

Sasha Wales-Smith, serviço especial, SABC, África do Sul

 

Blog em WordPress.com. | Theme: Pool by Borja Fernandez.
Entries and comments feeds.