Jornal PÚBLICO faz a leitura do Jornalismo, Media e Liberdade de Espressão em Portugal durante o 2004

Dezembro 31, 2004 às 6:07 pm | Publicado em Media & Jornalismo | 1 Comentário

REVISTA MEDIA 2004: Cidadãos repórteres, jornais electrónicos e blogues prenunciam fim do jornalismo?

Dezembro 28, 2004 às 2:34 pm | Publicado em Media & Jornalismo | Deixe um comentário

Longe dos tempos em que lançar uma informação para o espaço público era fruto de muitos esforços e de algumas despesas, hoje, com o grande desenvolvimento tecnológico, qualquer cidadão pode passar de receptor para emissor.
Comprar um domínio na Web é uma coisa que está hoje ao alcance da maioria dos cidadãos. Mas, há ainda uma outra novidade: os blogues trouxeram a produção a custo zero. Não é preciso ter dinheiro para se poder ser dono de um blogue. Basta viver num lugar onde se pode aceder gratuitamente à Internet (e hoje, não é tão difícil assim). As fotografias digitais também são um dos grandes promotores desse jornalismo informal.
Há pouco tempo atrás, era notícia, na Holanda – e um pouco por todo o mundo –, o facto de uma manchete de um jornal ter sido feita com uma fotografia tirada por um cidadão comum, através do seu telemóvel. Já não estamos a falar de máquinas digitais, feitas com a única função de tirar fotografias. Estamos a falar de um instrumento de comunicação, feito com o objectivo de materializar as comunicações interpessoais, através da transmissão da voz e das mensagens escritas (sendo que hoje, alguns telemóveis permitem a comunicação através da imagem).
O que se verifica com a proliferação desses instrumentos-multifunções é uma abertura angular do espaço mediático para o comum dos mortais. Um cidadão qualquer, hoje, pode estar no lugar certo, na hora exacta, e conseguir, com o seu telemóvel, uma foto que nem os mais célebres fotojornalistas conseguiriam. Isto porque, o fotojornalismo exige que o repórter fotográfico esteja no lugar adequado, na hora exacta. Mas, com os telemóveis que tiram fotografias e permitem gravar vídeos, qualquer um pode estar no lugar certo, na hora exacta.
A possibilidade que o desenvolvimento tecnológico abriu ao comum dos cidadãos a participar activamente (e com conteúdos) no espaço mediático, fez aparecer o que hoje começou-se por designar de cidadãos-jornalistas ou cidadãos-repórteres. E os cidadãos-repórteres estão cada vez mais presente no meio jornalístico, quando um profissional da informação vai até a um blogue para citar o conteúdo que ali foi publicado, quando um indivíduo no seu passeio consegue filmar factos importantes com o seu vídeo amador, a sua máquina digital ou o seu telemóvel. Regista-se deste feita toda uma abertura do espaço mediático para o comum dos mortais. E 2004 foi o ano em que os cidadãos-jornalistas tiveram um papel muito importante no espaço mediático. Se é o fim do jornalismo, isso não sei: mas que é uma mudança de paradigma, isso é.

Autor: Silvino Évora
Mail: silvevora@hotmail.com

Serão os relatos de futebol actos jornalísticos? Confesso que tenho alguma dificuldade em entendê-los como tal

Dezembro 28, 2004 às 1:18 pm | Publicado em Media & Jornalismo | 1 Comentário

A Comissão de Carteira profissional do Sindicato dos Jornalistas quer impor que os relatos e as reportagens dos jogos sejam feitas exclusivamente por jornalistas, com carteiras profissionais. Isto porque, entende que se trata de uma actividade jornalística e não pode ser feitas por pessoas exteriores ao jornalismo.
A discussão começou sobretudo na companha rumo ao Euro 2004 e agora voltou a entrar na ordem do dia. Mas, devo confessar que, a mim, me faz muita confusão ver os relatos (e as próprias reportagens fotebolísticas) como peças jornalísticas. Elas não preenchem uma condição fundamental que o jornalismo requer: a imparcialidade. Por acaso, sempre me perguntei se os relatos desportivos também podem ser considerados de jornalismo. Mas, a resposta que sempre encontrei é Não. Chamemos de um programa, de um formato, ou de seja lá o que quiser, mas jornalismo, no meu ponto de vista, não é.
A isenção e a imparcialidade são duas condições essenciais para um bom exercício do jornalismo. E, como dificilmente imagino um relato de futebol imparcial, para mim está fora do jornalismo.

Jornalista recebe a pior prenda de Natal: despidiu-se da TSF para ir liderar uma revista da Impala e acabou despedido da véspara do Natal

Dezembro 28, 2004 às 1:10 pm | Publicado em Media & Jornalismo | Deixe um comentário

O jornalista Carlos Narciso tem todas as razões do mundo para achar que este ano o Pai Natal não foi nada simpático com ele. Trabalhava numa das rádios mais prestigiadas, em termos de informação, em Portugal: a TSF. A vida lhe corria normalmente e pouco tinha que queixar-se.
E, de repente, surgiu um convite: o grupo Impala queria que ele fosse dirigir uma equipa de 10 profissionais, na “Tv Top”. Foi então que ele deixou a TSF e foi para a dita revista. Pouco tempo depois, o grupo Impala manda-lhe uma carta de despedida, dizendo que ele estava até então em fase experimental: aconteceu justamente na véspera do Natal – um péssimo presente a sair do sapatinho. Ler Mais

Revista Media 2004 – Casa Pia lança uma crise generalizada no jornalismo português

Dezembro 27, 2004 às 2:48 pm | Publicado em Media & Jornalismo | Deixe um comentário

O Jornalismo está mais pobre do que nunca, olhando a sociedade portuguesa somente pelo seu período democrático. Se não levarmos em conta a situação do jornalismo nos tempos ditatoriais, fazendo uma leitura exclusivamente do espaço mediático nas democracias pluralistas, concluimos, facilmente, que nunca houve tanta perda de credibilidade jornalística em tão pouco tempo, como o que se verificou em Portugal ao longo dos últimos tempos.
Nesta revista, vamos tomar em consideração apenas um caso mediático que esteve no epicêntro de toda a polêmica: O Caso Casa Pia de Lisboa. Este acontecimento marcou muitos os media em 2004. Isto porque, é um caso invulgar no sistema jornalístico português, onde o profissionais da informação foram confrontados com o “Caramba!“. Desde já, fazemos questão de avançar que houve um teórico que, na sua definição de notícia, afirmou que é notícia tudo aquilo que leva um profissional da informação a dizer Caramba!. É aquilo que provoca o efeito surpresa, não só nos cidadãos e nos jornalistas, mas surpreendendo também o próprio jornalismo. Leva a que se aja com cuidado porque se é confrontado com o novo; com um terreno pantanoso, onde se tem que fazer uma pesquisa muito profunda, de forma a evitar erros irreversíveis. E o Caso Casa Pia de Lisboa preencheu todos os critérios jornalísticos imagináveis; o interesse nacional, o número de pessoas envolvidas, critérios de ordens geográficos, o interesse público (e o próprio interesse do público, embora este não seja um critério de noticiabilidade, mas é a linha por que regem os media quando entram no mercado das notícias), e a própria componente de negatividade, sem falar da eliticidade dos indivíduos que se encontravam (ou encontram) envolvidos no acontecimento. Por isso, principalmente pelo facto de preencher tanto os critérios de interesse público como critérios do interesse do público, despertou interesse em todos os tipos de media: dos jornais, às rádios e às televisões, passando pelas revistas ilustradas e noticiosas, sem se esquecer dos media electrónicos; dos media generalistas aos temáticos; dos meios de referência aos populares; dos media nacionais aos internacionais. Foi por tudo isso que é considerado o caso mais mediático dos últimos tempos.
Mas, como é que o jornalismo se comportou? Primeiro, começou bem. Cumpriu o seu papel de denúncia e lançou para o espaço público uma vasta reflexão sobre as condições que as crianças carenciadas vivem nos lares de acolhimento. Continuou a alimentar a discussão para ver se o caso não morria por ali, de forma a que a questão fosse tratada com seriedade. E, assim, conseguiu impor a agenda mediática à agenda publica e a questão ficou na ordem do dia. Até ali, tudo corria normalmente, como se espera que aconteça numa sociedade democrática, onde as pessoas têm direitos e deveres (dereitos a serem respeitados e deveres a cumprir).
Mas, facilmente, com a mediatização do acontecimento e o despertar colectivo da opinião pública para o problema, começou-se a perceber que aquilo podia dar dinheiro. Já não era somente os profissionais dos media que estavam interessados na mediatização do acontecimento. Era também os proprietários dos meios que queriam explorar, ao máximo, o acontecimento, movendo toda uma audiência indiscriminada à volta do caso, porque sabem que onde existe uma vasta audiência, existe sempre a possibilidade de um aumento significativo do lucro, advento da maximização do índice publicitário. É também os advogados que acharam, na discussão mediática, o espaço adequado para relançar as suas carreiras e ganhar mais protagonismo nos media e, consequentemente, no seio da sociedade. São ainda pessoas mais ou menos desconhecidas que precisavam aparecer e também necessitavam “lixar” os seus inimigos, procurando, assim, mecanismos de associá-los ao caso – foi esse o motivo que, por algum tempo, se falou muito das sósias, trazendo para o espaço público, pessoas que até então eram completamente desconhecidas. São ainda alguns partidos que queriam ver o desequelíbrio do adversário. E, com certeza, são tantas outras pessoas e entidades que, dificilmente, conseguimos discriminá-las todas aqui.
E, quase todos conseguiram alcançar os seus objectivos: certos advogados passaram para o topo; o lucro foi conseguido por alguns media; muitas pessoas ficaram com a imagem manchada.
Face a esse cenário, algo ou alguém tinha que perder. Perdeu o jornalismo, que cansou de ser instrumentalizado – os profissionais da informação foram usados inúmeras vezes como veículos para canalizar falsas informações ou informações que não eram do domínio público, mas sim que estavam protegidas pelo segredo de justiça, com o objectivo de alcançar fins pré-determinados. Perdeu a justiça – alguns funcionários judiciais abriram “portas laterais” e deixaram as “notícias dos autos”, protegidas pelo segredo de justiça, escoarem para o espaço público, servindo da boa vontade dos media.
Tudo isso provocou uma crise generalizada no sector da justiça e no próprio jornalismo, que acabou muito mais desacreditado: a domocracia hoje está mais pobre de que há um ano atrás. Oxalá que 2005 traga novos ventos. Afinal, sempre podemos sair do fundo.

Autor: Silvino Évora
Mail: silvevora@hotmail.com

CONSELHO SUPERIOR DE AUDIOVISUAL FRANCÊS TRAÇA DUAS METAS PARA 2005: proteger as crianças e regular os canais de televisão que emitem via satélite

Dezembro 26, 2004 às 1:59 pm | Publicado em Media & Jornalismo | Deixe um comentário

PARTIDO POPULAR ESPANHOL (PP) DENUNCIA A TV3 DIANTE DO CONSELHO AUDIOVISUAL: em causa está o uso sensacional das imagens dos atentados de 11 de Março

Dezembro 26, 2004 às 1:54 pm | Publicado em Media & Jornalismo | Deixe um comentário

TERCEIRO MUNDO COMEÇA A DAR PASSOS PARA O SEU DESENVOLVIMENTO: o aparecimento de novas televisões é uma estratégia de afirmação, afirma Cintra Torres

Dezembro 26, 2004 às 1:48 pm | Publicado em Media & Jornalismo | Deixe um comentário

Mundo Islâmico começa a construir a sua rede de notícias. A partir de agora pode haver cruzamento de interpretações jornalísticas

Dezembro 26, 2004 às 1:46 pm | Publicado em Media & Jornalismo | Deixe um comentário

EDITOR DO DAILY MIRROR FOI OBRIGADO A DEMITIR-SE: Piers Morgan terá falsificado fotografias que mostram a tortura de soldados ingleses a iraquianos

Dezembro 26, 2004 às 1:20 pm | Publicado em Media & Jornalismo | Deixe um comentário
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