NOS MEDIA: Uma Forma Lusofona de ver o Mundo Jornalistico

Agosto 16, 2005 às 5:41 pm | Publicado em Media & Jornalismo | 5 comentários
… a partir de Cabo Verde.
O Observatorio da Imprensa escreve que “o pequeno Cabo Verde também já contribui para blogosfera lusófona com pelo menos um site sobre imprensa. Na página Nós Media, de Silvino Évora, há notícias e comentários sobre a imprensa internacional, e principalmente, de Portugal e de seu país. No blog ele também oferece uma visão sobre a atualidade nos outros países lusófonos africanos – Angola, São Tomé e Príncipe, Guiné Bissau e Moçambique”. Confirmar

Para Exemplo (Coevo) de João Vário

Agosto 8, 2005 às 7:24 pm | Publicado em Media & Jornalismo | 8 comentários

ao Rui Guilherme Silva, com estima

E assim o corpo seja bom para a sua Meca

mais próxima que é o engano

JV, Canto Primeiro, Livro 9

João Vário (heterónimo de João Varela) é Timóteo Tio Tiofe e outros, autor de uma série (de 12 volumes, para já) de livros poético-narrativos, todos intitulados de uma forma análoga – o substantivo «Exemplo», seguido de adjectivo (Geral, Relativo, Dúbio, etc.). No caso, só conhecemos o volume 9, Exemplo Coevo, editado em Agosto de 1998, em Cabo-Verde (Praia), com o alto patrocínio do Ministro da Cultura, numa edição conjunta do autor e Spleen-Edições.

Para melhor percepção do poemário, o autor dá-nos algumas pistas de leitura (que não são migalhas), fundamentais aliás, numa nota introdutória em jeito de prefácio – elucidativo a tal ponto, que o autor parece aí querer dilucidar aquilo que era esfíngico para o leitor. O labirinto de referências e a pretensa erudição do autor, em domínios como a pintura, escultura, arquitectura, literatura, etc., não parece confiná-lo a uma caboverdianidade existencial (ele próprio a si refere como o da «vida de ilhéu e de cidadão do mundo»). Doutro modo: parece-nos quase impossível que João Vário seja «o cabo-verdiano tipo», a menos que a diáspora lhe tenha proporcionado vivências e referentes enciclopédicos – e parece que sim, pois consta ter vivido em cidades como Antuérpia e Estrasburgo, em países como Angola e Portugal. Diríamos que João Vário, múltiplo em facetas como no nome, que a si mesmo se refere no poemário, é um produto de um tempo de circulação abundante da cultura mundial (sobretudo a ocidentalizada), possível apenas numa circunstância de vida feita fora das ilhas e já, ao que parece, na emergência da Internet.

O ano de 1937 (o do seu nascimento, em analogia ritualista com o de um Cristo), para que aponta a sua obra, simboliza o início de uma das maiores ignomínias da humanidade – com holocausto à vista – e os valores a que Vário se refere (bom senso, generosidade, coragem, inteligência, perdão), bem como as premissas do bem e do mal, o sofrimento, a verosimilhança, o destino, perseguem a ponderação daquilo que a humanidade possa ainda conter de humano.

Não é possível ler Vário sem coordenadas culturais altamente refinadas, e sem o propósito do seu preâmbulo: o de armadilhar o leitor, conferindo-lhe a sensação de ser detentor de referentes. Vário joga em vários tabuleiros: sobretudo no da verosimilhança. Querendo ser verosímil, mostra que não é verdadeiro. Oculta, pois, a sua identidade. É, como Pessoa, vários. Vário.

E é também patrício de Eça, na ironia: que verdade, então?

Referindo-se à «Paixão Segundo S. Mateus», Vário elege – e excelente escolha – a ária nº 47 (a do pedido de perdão de Pedro, cantada, curiosamente, por contralto) como uma das mais sublimes (nalguns casos, essa ária corresponde à nº 39, «Erbarme dich, mein Gott»), porém, é difícil escolher entre tanto assombro – talvez nos pudéssemos atrever a aventar a purificação de José como, entre todas, a mais bela – é a ária nº 65 ou 75 (noutras versões), intitulada «Mache dich, mein Herze, rein», quando José pede para enterrar Jesus, e toda a tensão se esvaneceu, sobrando um tempo-sem-tempo, que é o tempo pós-pathos (o que lembra o célebre Opus 11 de Barber). Mas Vário socorre-se de Bach para propor o tema do perdão e considerar que não há outra saída para a humanidade, apesar do mal – também assim se parece poder ler em «Cello Concerto», de um jovem poeta português, Daniel Duarte.

Fica a pergunta: quid est Vário? Porquê «exemplos»? Obras exemplares, no sentido didáctico e moralizador, de postulado punitivo? Ou apenas a dimensão ontológica na reflexão sobre a condição humana? E porquê o exagero da enumeração (por vezes, no limite da referencialidade banal, como de faits divers)?

Obra críptica, por certo, matizada de teor messiânico, a atestar pelas várias alusões a S. Paulo (Coríntios, II – 3), que se pressente ainda na malha do discurso, como em «Onde está o sábio? Onde está o escriba?», ou na condenação da sabedoria, em favor da «loucura» da mensagem de Cristo. Seja como for, reveladora da ética cristã, na sua mensagem desconcertante, que privilegia a cegueira do perdão contra tudo, numa extrema lucidez de loucura.

Depois, a sagração artística de 1937 (como na criação do mundo, acto genésico), como se também o poeta se quisesse coligir no conjunto da obra dessa colheita, não esquecendo a devida vénia dos mestres do real quotidiano (a crer que sim), pelo lado pseudo-científico de Vário.

Certo é que Vário não busca o Graal da verdade, mas o copo rude da verosimilhança. Não ser, mas parecer ser. Afinal, aquilo que incorpora, à maneira de Mutimati ou do recém falecido João-Maria Vilanova.

A sua linguagem, a do poemário, recorda o estilo neobarroco e vertiginoso de Craveirinha, embora muito mais hermética, simbólica e erudita – um coevo património que mal se vislumbra. Aparentemente, e segundo o registo catafórico do título, um olhar sobre a contemporaneidade, onde Deus («imprevisível vigilância/ da azáfama tutelar») parece esquecido dos homens. Ao estilo bíblico, Vário incorpora narcisicamente a figura de Cristo, nascido de Bia, sua mãe (Maria Delgado), e parido ao sétimo dia de Junho. Em estilo majestático de plural retórico.

Mitificando-se, Vário percorre o ano de 37 como se do início de uma certa era cristã se tratasse, evocando de forma memorialista, e por contraste, as grandes obras da altura e a génese da «besta apocalíptica». Jerusalém ignóbil é agora a Europa das «lutas intestinas» e fratricidas, cujos cavaleiros parecem fazer retornar um tempo de trevas. Ao invés, «as ilhas ocidentais» (Cabo-Verde) lembram uma Belém, paraíso perdido, num mundo voraz. Vário concebe o século XX como o mais vil da história da humanidade, porque a consciência e a imoralidade andam ombro a ombro, como o discernimento e o mal, de que sai vitorioso Caim. A Europa, continente de uma certa consciência moral, parece confinada ao paradoxo insanável da resolução do problema entre bem e mal. Tudo o que é genial surge, afinal, do sangue de Abel. A obra criadora, a mais bela, não se esquiva à ignomínia sobre que se constrói, e o que pare o sublime é capaz do atroz. Nesse dilema, parece-nos ouvir o eco de uma qualquer voz de um «Velho do Restelo»: «Ah a piedade é a pior das atrocidades!/ Homem, que pacto te pôs o fogo nos ouvidos/ e te espetou a alma nessa figueira estéril?».

O discurso opta sempre pela colagem ao bíblico e à linguagem de Cristo (alter ego de Vário): «Era o tempo da criação do campo/ de concentração de Buchenwald (…)»; «Em verdade, em verdade, quase tudo ignoramos (…)»; «Em verdade, em verdade, toda a vida/ vale o espaço do pão que não foi amedrontado»; «Tal está escrito, está escrito»; «mas quem nos poderá atirar aprimeira pedra». Usa da enumeração e socorre-se da estrutura sintáctica discursiva e reflexiva, sem quebras de verso – a opção é a narrativa. Não deixa de haver um alocutário, provavelmente o leitor ou, quem sabe, os juízes das culturas dominantes da época – como se o poeta recriasse o discurso retórico e sujeito a tribuna. Por entre sínteses de factos desse ano, Joe Louis aparece como uma curiosa alusão à obra de outros poetas africanos, embora não mereça qualquer destaque, naquilo que se pode considerar um resumo de efemérides do ano, sem conotações ideológicas, muito embora Vário vá insinuando preferências: «Porém, nós citamos Seferis, Ungaretti, Neruda». Percebe-se que o mundo é «vago e triste», percorre um destino inquebrantável e o sujeito anula-se perante o decurso da história e dessa «travessia da dor», onde prevalece a arbitrariedade. O homem é também um «bicho da terra» camoniano, através do qual «é a alma que vende/ mais barato todas as coisas». Sublinha-se a dificuldade do poeta em criar cumplicidades com o mundo, de que se afasta eticamente, não condescendendo face a Deus («a preguiça do destino»), porque crê que «a terra é toda a nossa esperança». Irremediável destino. Insanável, não fora a confiança de Vário no poder do homem em usar da sua mansidão, de restringir a vingança e de aplacar a cólera: para Vário, só a autenticidade do homem o redime, sem hipocrisia e sem ornamento. È preciso perdoar, considera, mas sem que o perdão seja espectáculo. Exactamente a linha teorizadora de Daniel Duarte, em «Cello Concerto».

Vário exige uma purificação da alma, um encontro genesíaco com o bem, que está plasmado na constituição genética dos homens, e para o qual foram gerados. Aproxima-se de uma lógica cristã, sem supremacias, sem ruído, e sem visibilidade. O bem é invisível, comedido. O valor da «pietas» é-lhe caro, não com um sentido vulgar, mas provido de silêncio e autenticidade, única forma de contrariar o «apocalipse esperto», que se foi aninhando no quotidiano e até na nossa consciência.

Vário desperta-nos para a resistência ao mal, ao desconcerto do mundo, através da fórmula da «posta de alívio assado, o favo do bem». Não há, segundo ele, outra forma de contrapor algo ao mal, senão o bem. Sob pena de ser outro mal – a sua continuação. Vário é paladino da reconciliação dos homens, evitando todo o tipo de caridade falsa ou intenção panfletária. A sua sobriedade moral exige esforço e contenção, mas pureza de sentimentos e carácter nobre: amar o outro. Mesmo o algoz. Sem contrapartidas. E ainda que se seja «vítima do fogo». Será possível amar, sem ser ridículo? – propõe Vário. Ridículo é quem não crê na genialidade humana, uma forma de amar sem o dizer. Bartok e a sua obra é apenas um exemplo de que a salvação dos homens é possível. Segundo a contrição.

Vário desdobra-se e remete Bessie Smith para o seu sósia, Timóteo Tio Tiofe, ironizando. Eis que fenece o canto primeiro.

O segundo canto permite suster alguma ilusão utópica inicial e revelar o descrédito sobre os homens. Vário, mais pessimista, julga-se fora da história, incapaz de um comprometimento pragmático que permita entrar nela para a modificar: «vamos ficando pelos arrabaldes do tempo». É um homem amargurado o predicador do discurso, alguém que já conhecia os resultados dos oráculos. Ainda assim, a esperança é palavra do seu vocabulário (perseverámos; avançámos), como se o recuo não fosse possível para quem acredita, ainda que desiludido. Ainda que as obras pareçam ruir (as grandes obras dos homens), haverá sempre o «arrojo do perdão». Provavelmente a expressão poética que sintetiza a obra de Vário (ele chega ao arrojo de «o amor do próximo», p. 46). Essa singularidade.

Canto terceiro: o dilema entre a genialidade do homem e a sua capacidade de manifestar o mal persiste (neste discurso altamente maniqueísta de joio e trigo. P. 56) – «Nós ficamos, mas eles, os nossos melhores mortos,/ por onde andarão que não vêem como o que nos envelhece (…)». Vendida a alma, pouco resta aos homens, e tudo é irreparável. Vário coloca-se no lugar de Cristo: ter nascido foi em vão? Não, desde que em busca da verdade ou da «impaciente justiça da razão». O sofrimento torna-se lateral. Em Vário, o plano ontológico de perseguição da identidade humana («vasculhando a sua sombra») é fulcral e consonante com a «praxis do bem». Por vezes, querer saber-se o que se é, pode ser uma falácia: para Vário, chega a ser um jogo que Deus nos impõe (p.56) – esse mesmo Deus que não fez com que «a ternura fosse o mar prometido». Neste canto terceiro, a consciência da ilusão faz-se maior. João Vário sabe que percorreu um caminho em que andou «às cegas atrás da bem-aventurança». Que foi puro demais e que com isso viu o engano da sua vida. Que Deus é um tarado. Que o mal é perene e a generosidade do mundo é impotente (p. 59). Que noutros tempos se fazia «da ternura o escudo». Que ninguém, sozinho, é paladino e pode alterar a história. Que a decepção é um facto. Que a beleza é a única unidade revelada – coloca, Vário, portanto, o belo acima do bem, a estética por sobre a ética. Que o bem e o mal parecem desaguar no estuário como vindos do mesmo rio, como se disso fosse feita nossa medida: extirpar o mal seria, de certo modo, acometer o bem. Por outras palavras: o bem não vive sem o mal.

Por certo, o canto terceiro, o mais derrotista de Vário. Uma vez que não tem lugar para a ambiguidade, pois, como indica, o extermínio não permite qualquer ambiguidade. Aparentemente, o pacto com a esperança foi abandonado. Vário capitulou, porque deixou de acreditar na generosidade e na esperança, como sustentáculos do bem. Lugar ainda para se perguntar onde essa humanidade que Levi questiona em «se isto é um homem»: «que é homem isto que lemos». Vário capitulou porque acha que o mal está bem organizado, os homens são volúveis e fracos, a terra é «pequena e molesta» e que o «dever essencial da esperança» é «lavar a alma».

O discurso memorialista termina num epílogo ao jeito assertivo. A esperança é arredada, o perdão não redime. E para se chegar à bem-aventurança, o caminho crê-se ser o da solidão. Nada mais amargo e desconcertante. Mas talvez razoável, porque a razoabilidade foi, há muito, ultrapassada. Porque «a verdade começou a ser/ uma infeliz inauguração, um incerto medicamento». É que o mal é poderoso. Para Vário, nada o cura, nem o tempo, nem a compaixão, nem a beleza.

Perante o mal ficamos sozinhos. Só a solidão o pode tentar enganar. Eis a pior das notícias. Apocalíptico cenário este dos tempos modernos, do exemplo coevo. Onde a alma está perdida e o corpo vai ao engano.

Magnífico poeta, o João Vário. E como os magníficos, terrível.

António Jacinto Pascoal*

Arronches, Julho de 2005

*Mestrando em Literaturas e Culturas Africanas de Língua Portuguesa, Universidade de Coimbra

OS EQUIVOCOS DE UMA INTERPRETAÇÃO

Agosto 7, 2005 às 3:50 pm | Publicado em Media & Jornalismo | Deixe um comentário
Prezado interlocutor

Começo por felicitar-lhe pelo seu gosto pelo mundo do jornalismo e também a sua iniciativa de entrar no nosso blogue para deixar algumas apreciações. No entanto, realço alguns equivocos na sua interpretação.

1. EQUIVOCO JORNALISTICO

Não existe nenhuma norma em nenhum Codigo de Etica do mundo que determina que quando uma pessoa escreve um texto, deve dizer se é uma noticia, uma reportagem ou outro género. A forma como o texto é extruturado, os tempos e as pessoas verbais, a presença ou a ausencia do narrador no texto, a sua participação ou o seu distanciamento, ajudam o alocutario a descernir o género textual com o qual é confrontado.

2. EQUIVOCO DA CONTRADICÃO

Na vida , temos sempre que tomar pontos de referencia. Não posso comparar um pais sem ter um outro elemento comparativo. Por questões historicas, faz todo o sentido comparar Cabo Verde e Guiné Bissau. Os relatorios anuais das Nações Unidas são claros, quando traçam o percurso de desenvolvimento dos diversos paises. O avanço de Cabo Verde é tão notorio quanto o subdesenvolvimento da Guiné Bissau. Percebo que o senhor interlocutor não queira assumir essa realidade, mas mostra que tem conhecimento do facto, quando diz: “Gostaria de lembrar-lhe que é necessário ter em conta a situação político- social do país! Num país onde os dirigentes políticos adoptam uma posição egocêntrica pois pensam em si mesmo em vez de pensar no bem da nação. A culpa não é do povo que é, devido às reduzidas qualificações, na sua grande maioria não tem poder para discernir o modus operandi dos políticos. Na verdade,a culpa é dos dirigentes políticos, que não se preocupando com a educação do povo, levam a que o país tenha dificuldade em se desenvolver!». E o equivoco da contradiçao.

3. UM EQUIVOCO SEM PASSADO

A culpa do subdesenvolvimento da Guiné (e nem a do de outros pa’ises dos PALOP) não é directamente dos portugueses porque não são eles que actualmente nos governam. Porém, nada nos impede de olhar para tras quando queremos perceber as razões do nosso atraso. A Historia reza que a forma como a descolonizaçao portuguesa se fez foi mais catastrofica do que o proprio processo de colonizaçao. Isto, sobretudo, porque semeou-se rivalidades entre diversas facções ideologicas, que fizeram com que a guerra se estendesse até aos dias que correm. O senhor não deve querer compreender o presente sem ter em conta o passado. Senão, nunca conseguira perspectivar o futuro. E isto, ao meu ver, é um equivoco.

4. O EQUIVOCO DA CENSURA

« Para terminar gostaria de dizer que o Senhor Editor deve preocupar-se mais com a situação de Cabo verde e deixar os guineenses resolver um problema que é nosso!». Com esta frase, começo a perceber que tipo de pessoa o senhor é. Mas, aconselho-o a não querer ver o mundo quadrado porque a Terra é redonda. Todos temos o direito de opinar, quando se trata de questões publicas, quer nacionais, quer de foro internacional. Posso não estar de acordo com a sua opinião, mas lutarei até ao fim para que possa ter o direito de manifesta-la. So assim faz sentido a POLIS que teve raiz na Grécia Antiga . A censura é um equivoco.

5. O EQUIVOCO DA ILUSÃO

O senhor interlocutor pode até sonhar com um mundo perfeito, mas não deve achar que este seja porque a nossa perfeição ficou no Jardim de Edem. Qualquer povo do mundo tem uma atitude de desconfiança para com o outro. Nao ha nenhum pais do mundo onde a recepção do outro seja perfeita. A experiencia me mostrou que mesmo o pais que em 1789 elegeu como lema de luta «Liberté, Egalité, Fraternité», hoje este espirito esta sendo arrastado por uma onda de nacionalismo que faz com que os outros se sintam cada vez mais de fora. E um equivoco da sua parte pensar que em Cabo Verde a abertura é total. Em nenum pais é.

6. UM ULTIMO EQUIVOCO : SEM PALAVRAS

«E já agora, para um aluno de mestrado, acho que já deveria ter interiorizado como fazer citações e não misturar diferentes géneros jornalísticos!». Saiba que a humildade é uma das melhores virtudes do homem. Respondenedo à sua altura: o senhor devia saber qual é a categoria textual que se encontra patente no artigo a que se refere. Em nenhum Mestrado existe formas magicas de fazer perceber a pessoas com o seu nivel de conhecimento da narração jornalistica, quais são os géneros que estão em cada texto. Convido-o a ler o Diccionario da Narratologia, o Livro de Mauro Wolf – Teorias da Comunicaçao – e outros textos mais.

O Editor:

PS: O computador no qual estou a escrever tem teclado frances. Por isso, a acentuação do texto esta com muitas falhas. Pedimos sinceras desculpas ao ciberleitor.
Este artigo vai em resposta ao texto abaixo, enviado por alguém que se auto-denominou de Guineense Atento.
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Prezado Editor:
Antes de mais gostaria de dizer que sou um jovem guineense que estuda em Portugal! Como me interesso por questões de jornalismo, encontrei o seu site neste imenso mundo que é a internet, e apreciei o seu esforço por dar um contributo para o jornalismo e para o debate das questões actuais. Mas permita-me que discorde com a forma e conteúdo do artigo intitulada “Será Que Guiné Bissau Prepara-se Para Dar O Último Passo Para Trás?”. Antes de mais gostaria que delimitasse o género jornalístico do mesmo? è uma notícia? É uma artigo de opinião?Seguindo, condeno a forma como faz a apreciação do tema. Porque o Senhor Editor é de Cabo Verde, toma como ponto de partida para analisar o grau de desenvolvimento das ex- colónias portuguesas precisamente a sua pátria. Toma partido pessoal dizendo que a Guiné Bissau é a vergonha da colonização portuguesa e salienta mais uma vez os “elevados” avanços do seu país! A seguir diz que “no lado oposto de Cabo Verde, encontra-se a Guiné Bissau”. Gostaria de lembrar-lhe que é necessário ter em conta a situação político- social do país! Num país onde os dirigentes políticos adoptam uma posição egocêntrica pois pensam em si mesmo em vez de pensar no bem da nação. A culpa não é do povo que é, devido às reduzidas qualificações, na sua grande maioria não tem poder para discernir o modus operandi dos políticos. Na verdade,a culpa é dos dirigentes políticos, que não se preocupando com a educação do povo, levam a que o país tenha dificuldade em se desenvolver! Considero uma falta de respeito pra com o meu povo, falar ao acaso sem conhecimento de causa. Certamente que se eu fizesse uma análise da situação de Cabo Verde o Senhor Editor teria muitos argumentos a contrapor, e com razão pois você é natural desta nação e tem portanto conhecimentos de facto dos males do seu país!Na minha óptica, condeno a forma como fez a caracterização da situação na minha pátria. Exagerou nos comentários…ao dizer que na Guiné “mergulhou num manto de pobreza, com claros sinais de subdesenvolvimento”.. esta situação não é exclusiva da Guiné, é generalizada na maioria dos países africanos! Imputa a razão da falta de desenvolvimento aos portugueses, mas na minha maneira de ver as coisas a responsabilidade é dos líderes africanos que sob um regime de corrupção, não desejam que o povo seja informado, pois desta forma o povo iria ter percepção da realidade e sancionaria os irresponsáveis que, década após década pouco têm feito pelo que eles chamam pátria querida. O que os portugueses fizeram em Africa faz parte do passado, estammos numa nova etapa, onde temos a independência, cabe portanto aos nossos líderes empenharem-se no nosso desenvolvimento.Para terminar gostaria de dizer que o Senhor Editor deve preocupar-se mais com a situação de Cabo verde e deixar os guineenses resolver um problema que é nosso! Sei que ainda estamos longe de atingir as performances de verdadeiro desenvolvimento, mas com passos lentos e seguros havemos de la chegar. Porque tudo o que tem inicio tera que ter um fim… e nao será ceratmente “o último passo para trás”. Acredito vivamente que a Guiné Bissau vai conseguir contornar essa situação porque tem pessoas com capacidades para inverter esta situação, mas falta serem-lhes dadas essas oportunides.Ainda para terminar, e porque o Senhor Editor disse que Cabo Verde foi o único país da ex colonias que deu passos para a frente, que foi noticiado no jornal “Expresso”, um orgão de referencia de Portugal, que os Guineenses, bem como os Senegaleses e os nossos irmãos da Guiné Conakry são por vezes dicriminados em Cabo Verde..Afinal vocês ainda não são propriamnte um modelo a seguir!!! é triste essa situação, em pleno século XXI, é uma situação no minimo deplorável! Aconselho-o a documentar-se como deve ser da situação quando trata de um pais do qual tem escassa informação. E já agora, para um aluno de mestrado, acho que já deveria ter interiorizado como fazer citações e não misturar diferentes géneros jornalísticos!Espero que não leve a mal as minhas apreciações! Continuação de bom trabalho Senhor Editor!

Aos Meus Leitores

Agosto 1, 2005 às 7:40 pm | Publicado em Media & Jornalismo | Deixe um comentário
Por motivos pessoais, o blogue NOS MEDIA anda um pouco a dormir. No entanto, achamos que dias mais agitados como aqueles a que habituamos os nossos leitores voltarão a ver a luz do sol.
Todavia, recebemos algumas mensagens, quer pelo nosso mail jornalmedia@hotmail.com, quer através dos mecanismos de interactividade do proprio blogue.
Tentaremos, no proximo fim de semana, responder a um nosso interlocutor, que se auto-apelidou do guineense atento.
Continuem a visitar o nosso espaço e sobretudo a dar-nos força para continuar. Afinal, a blogosfera também é um mundo.
O Editor

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