11 de Setembro: A cobertura mediática

Setembro 11, 2006 às 10:40 am | Publicado em Media & Jornalismo | 3 comentários

 

A NARRATIVIDADE DOS ACONTECIMENTOS:


Há cinco anos, o Ocidente deparou com o inacreditável. A cidade de Nova Iorque acordara com os seus citadinos a correrem para os seus postos de trabalho e, passado das 8 da manhã (hora local), os escritórios do World Trade Center, como todos os serviços do país, já se encontravam cheios de pessoas. O Pentágono também não estava vazio. Tudo tinha começado aparentemente normal. Bastou que o relógio tivesse marcado 8h e 45mn para que toda a tranquilidade acabasse. Um avião de passageiros da American Airlines – voo 001 – chocou contra a torre norte do World Trade Center, que tinha uma altura de 400 metros. O aparelho, que levava o depósito cheio de combustível, desfez-se em bolas de fogo, causando assim um buraco enorme no edifício. O mundo vagueou-se entre a dúvida e a incerteza. Será que se trata de um acto terrorista? Ou será que é um acidente normal como tantos outros? Passados 18 minutos do primeiro embate, um segundo avião, desta vez, pertencente à United Airlines – voo 175 – chocou contra a torre sul, quando todas as televisões do mundo estavam em directo para o local, proporcionando o mais dramático espectáculo da vida real que alguma vez se imaginou. A tragédia não parou por ali. Quando faltava 17 minutos para as 10 horas da manhã (hora local), um outro avião da American Airlines – voo 077 – despenhou-se sobre a ala sul do Pentágono, centro nevrálgico da segurança americana, deixando a capital do país completamente paralisada. Todas as dúvidas foram desfeitas.
Por fim, pouco depois da 10 horas da manhã, fechou a cadeia de atentados, quando um Boeing 757 da United Airlines – voo 093 – despenhou-se na Pensilvânia, sem ter atingido o alvo que, para muitos, era o Camp David, residência de campo do presidente norte-americano.
As torres arderam e não resistiram. Algum tempo depois do fatídico embate, as duas torres, então símbolos económicos dos EUA – e do mundo Ocidental –, desabaram sobre as ruas de Novas Iorque que as circundavam. Junto com elas, ruíram também o orgulho dos americanos que, durante anos, não cansaram de exibir os anti-mísseis. O perigo, por vezes, apresenta rostos tão desfigurados que nem os mais peritos conseguem identificá-lo. Esta é a lição que ficou para os Estados Unidos e, também, para o mundo.
 
 
 
O JORNALISMO DIANTE DA TRAGÉDIA
 
Ao longo dos tempos, os jornalistas têm sido importantes testemunhas da História. Muitas vezes, é a obrigação profissional que faz com que muitos deles estejam presentes nos principais palcos de acontecimentos históricos. Dar a notícia de forma séria, isenta e plural, constitui uma das principais obrigações da imprensa, numa sociedade que se pauta fundamentalmente por critérios como a igualdade e a formação da opinião pública.
Dar a informação implica transportar a realidade ausente para o conhecimento daqueles que não estiveram presente durante o desenrolar da história. O conhecimento transversal dos factos que atravessam o trama social é o principal factor que fundamenta a convivência dos cidadãos num Estado de Direito democrático. Assim, torna-se absolutamente necessário o papel do jornalismo que procura desvanecer o fosso entre os cidadãos “bem-informados” e os “info-excluídos”, através de um manancial de informações veiculadas através de diversos suportes, como a Internet, a televisão, a rádio ou a imprensa escrita. Desta forma, procura cumprir-se o direito à informação, um bem fundamental, que assiste a todos os cidadãos, consignado, não só nas legislações nacionais dos diversos Estados livres, como também, em vários documentos internacionais, como a Declaração Universal dos Direitos Humanos e a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. A Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos da América estabelece bases alargadas para a existência de opiniões articuladas e para uma imprensa livre de qualquer tipo de constrangimento. 
Os atentados do 11 de Setembro de 2001 puseram à prova o profissionalismo de milhares de jornalistas em todo o mundo. A Ética da Informação foi confrontada com a pressa de dar a notícia. Mas, também foi confrontada com um sentimento de negativismo em relação a tudo o que diz respeito ao mundo árabe. O Ocidente foi confrontado com a sua própria fragilidade e a civilização ocidental foi atacada no coração do seu símbolo capitalista. 
 
A IMPORTÂNCIA DA FOTOGRAFIA NA COBERTURA DO 11/9
 
Muitas fotografias sobre o 11 de Setembro foram reproduzidas a partir das imagens televisivas. A importância que a fotografia adquiriu na cobertura dos atentados de 11 de Setembro deve-se aos conteúdos informativos de que estes materiais são portadores. Imagens de desalento, de tristeza, de medo, de tragédia, de horror, de insegurança, de desespero, de raiva, de ódio, de certeza, de convicção, de destruição, de impaciência, de espanto, de incompreensão, de solidariedade, de ajuda, de esperança, de desespero e sobretudo, imagens que testemunham a crueza do terror.
Da fotografia à infografia, das caricaturas aos mapas, sem se esquecer das outras formas de representação de objectos e ideias, os media usaram de tudo um pouco para fazer chegar aos leitores a informação mais completa possível. Muitas vezes, recorreu-se à estratégia de ampliação das fotografias, de forma a aproximar os leitores à realidade dos atentados. Às vezes, as fotografias chegavam a perder a qualidade, a nível de beleza, que é exigida numa arte. Convém salientarmos que, no campo do fotojornalismo, uma fotografia é cada vez mais bela quanto mais informativa for. A beleza que é exigida nas outras artes, no fotojornalismo, é relegada para o segundo plano. Em primeiro lugar, o fotojornalista pretende informar.
Jorge Pedro Sousa entende o fotojornalismo como uma actividade complexa porque, “enquanto actividade de mediação simbólica, leva os receptores a consumirem determinadas representações mediatizadas da realidade” (Sousa: 1998, 18).
Na cobertura do 11 de Setembro, houve uma mediatização da realidade através das fotografias, na medida em que, os media romperam o curso normal das suas publicações e passaram a publicar grandes quantidades de fotografias. A fotografia, por seu lado, é capaz de romper o curso normal dos acontecimentos. Regista, fixa, imobiliza o tempo, transporta-nos para o passado, testemunha o tempo, interrompe, pára o curso do sistema, provoca, incomoda e regista a história. Ao captarem momentos, expressões, cores, as fotografias reafirmam-se como testemunhas por excelência dos acontecimentos e da própria História.
Tal como a televisão, a imprensa escrita apostou nas imagens, pelo que o fotojornalismo destacou-se como forma de cobertura informativa. “A força do fotojornalismo, mesmo num acontecimento que a televisão transmitiu em directo, também se mede com os 25 fotógrafos que a revista People enviou para Ground Zero (terreno da catástrofe) e que em 24 horas criaram uma edição especial de 87 páginas que deixaram de fora as habituais fotos das celebridades que lhes dão fama e proveito (Cascais: 2001, 205).
Parafraseando Bernardo Pinto de Almeida, poder-se-ia “dizer que entre a fotografia e o seu referente, a relação é análoga à que se verifica na terminologia freudiana, na oposição entre o princípio de prazer e o de realidade” (Almeida: 1995, 79). No âmbito deste entendimento, podemos incluir as fotografias que foram nos media sobre os atentados de 11 de Setembro. Não porque teríamos prazer em saber que os atentados aconteceram, mas porque, à semelhança do prazer do texto barthesiano, que consiste antes de mais no simples facto da imagem se poder desfrutar enquanto tal, nomeadamente no esquecimento do real que ela reporta.
Olhando para as imagens do 11 de Setembro, privado da violência do acontecimento em si, experimentamos a comodidade no facto de não estarmos no lugar onde se deu a catástrofe. No caso das pessoas que foram testemunhas oculares do acto catastrófico, a simples presença da fotografia, faz-lhes perceber que a tragédia faz parte do passado. A tal posição do passado, a que Barthes se refere na obra A Câmara Clara. A imagem fotográfica conduz-nos para um distanciamento entre o tempo em que olhamos para a foto e o tempo em que a imagem foi fixada. A este propósito, Bernardo Pinto de Almeida reitera que “a imagem fotográfica concita portanto um reflexo de distanciamento. Dá-me a ver, antes do mais, que entre mim e o acontecimento passou um tempo e um espaço onde se pode alojar este distanciamento que permite o prazer” (Almeida: 1995, 80).
 
 
A COBERTURA INFORMATIVA DO 11/9 E OS VALORES-NOTÍCIA 


Na cobertura do 11 de Setembro, a realidade foi abordad
a em muitas perspectivas porque vários foram os meios de comunicação que se dedicaram à cobertura do acontecimento. Invocando McLuhan, o teórico que mais desenvolveu a ligação entre os meios de comunicação de massa e o problema da percepção, “cada meio de comunicação tem a sua própria visão da realidade. Como há vários meios, há várias realidades porque o meio é a mensagem” (Santos: 1992, 129). Na América, como em todo o mundo, houve um choque com a rotina da normalidade informativa. As pessoas ficaram aterrorizadas perante uma situação de imprevisibildade, em que a destruição tinha lugar em directo. Houve uma mudança temática em muitos canais televisivos, que estavam habituados a difundir outros programas, como por exemplo, a música. “Canais como a MTV ou VH1, puseram nas suas próprias emissões a emissão de canais de notícias, informando em rodapé os telespectadores das alterações”. Somente a CNN conseguia entrar em milhões de lares em todo o mundo, levando as mais variadas notícias, em que quase tudo passava em directo, tornando-se cada vez mais difícil saber-se o que iria acontecer no minuto seguinte. O dia 11 de Setembro pôs os jornalistas e a audiência em pé de igualdade, a deambularem-se diante da tragédia, à espera do que vai acontecer a cada passo. Ninguém podia prever nada. Nunca a audiência e os jornalistas viveram momentos tão confusos, em simultâneo, em que nenhum deles conseguia ordenar aquilo que estava a olhar e/ou a mostrar.
Quatro minutos depois do primeiro embate, a CNN começava a divulgar as primeiras imagens das torres gémeas em chama. A partir daí, todas as televisões do mundo começaram a emitir em directo, isto é, reenviando a emissão para o palco dos acontecimentos. Deixou de ser necessário dizer às pessoas o que estava a acontecer. Todo o mundo via o desenrolar dos acontecimentos e tinha um contacto directo com a realidade do acontecimento.
Por volta das 9h00 (de Nova Iorque), deu-se o arranque de uma “maratona informativa”, nas três principais televisões do mundo, que penetrou pela noite adentro. Os pivots limitaram-se a comentar as imagens que recebiam em directo das cadeias televisivas norte-americanas. Assim como nos Estados Unidos, as televisões mundiais puseram no ar, desde a primeira hora, os seus principais pivots. Nos estúdios não faltaram quem comentasse o curso dos acontecimentos.
“O espectáculo televisivo empurrou milhares para a Internet à procura de mais informações, entupindo as ligações telefónicas”. A rádio não ficou alheia a toda esta problemática. Tal como a televisão, apostou nas informações em cima dos acontecimentos. A imprensa apostou nas edições e nos cadernos especiais. Os jornais com edições On-line tentavam acompanhar o ritmo imprimido pela rádio e pela televisão, actualizando as notícias a cada momento, sempre que houvesse novas informações. Inverteu-se o papel e ultrapassou-se a ideia de que os media é que têm que conquistar o público, desencadeando uma corrida desenfreada à procura de informação por parte da audiência. Nunca o conceito de “aldeia global”, introduzido no mundo mediático por McLuhan, se mostrou tão actual. Os Mass Media comportaram como uma verdadeira extensão do homem. Conseguiram ampliar o horror e a crueza dos atentados à escala planetária. O mundo experimentou, ao mesmo tempo, a mesma angústia, o mesmo medo e a mesma dor. A História registou a maior elasticidade do tempo de antena que se conhece. É caso para dizer que estávamos diante de uma Grande Cobertura Jornalística.
A amplitude informativa que se verificou na cobertura do 11 de Setembro deve-se ao carácter inédito do acontecimento e à sua dimensão catastrófica. “A catástrofe, nas suas múltiplas formas de que pode revestir-se, acentua a dimensão trágica da condição humana. A sua imprevisibilidade, bem como a carga negativa que encerra em si, levam o ser humano a confrontar-se com a ideia de finitude e de mortalidade que os rituais do quotidiano, com as suas celebrações e mitos, tentam arredar do horizonte das suas preocupações correntes” (Letria: 2001, 25).
Há quem entenda que, por muito chocantes que tenham sido os acontecimentos de 11 de Setembro contra os Estados Unidos, não deveriam ser tão surpreendentes como chegaram a ser. Ariana Huffington sustenta esta tese, justificando com um facto que, sete meses antes dos atentados, não conseguiu impor-se aos critérios de selecção dos acontecimentos que vão ser notícias. Trata-se da divulgação, por uma comissão do Congresso, de um relatório de um ataque em território americano, onde concluiu-se que a questão já não era se poderia acontecer um ataque terrorista aos Estados Unidos, mas sim quando. O estudo acabou por ser completamente ignorado pelos media, que na altura não lhe atribuíram muita importância.
“O crescente poder de agendamento dos media, isto é, da faculdade de criarem a realidade sobre a qual o público pensa e até como a pensa, evidencia a importância da selecção informativa, do news judgement, e dos critérios que a determinam” (Cascais: 2001, 210).
Importa salientar que, nem todos os acontecimentos são notícia, pois tem que haver nos factos noticiáveis, uma certa componente de noticiabilidade. Todos os dias, chegam às redacções dos jornais, das rádios e das televisões, uma infinidade de e-mail, faxes ou telefonemas, dando conta dos mais variados acontecimentos que têm lugar no país e em todo o mundo. Mas apenas uma pequena parte é considerada notícia. Todos têm que passar, antes, por um processo de selecção.
Entende-se a noticiabilidade, segundo o entendimento de Mauro Wolf, “como conjunto de elementos através dos quais o órgão informativo controla e gere a quantidade e o tipo de acontecimentos, de entre os quais, há que seleccionar as notícias” (Wolf: 1999, 195). De outra forma, podemos considerar os valores-notícia como características intrínsecas aos acontecimentos noticiáveis. Nelson Traquina entende que “os valores-notícia são um elemento básico da cultura jornalística, partilhado pelos membros da comunidade interpretativa. Servem de «óculos» para ver o mundo e para o construir” (Traquina: 2002, 203).
Do ponto de vista jornalístico, vários são os “valores-notícia” que encontramos na base da grande cobertura jornalística que o 11 de Setembro conheceu. Nelson Traquina aponta um valor-notícia que consideramos completamente aplicável à grande cobertura jornalística dos atentados de Setembro de 2001 sobre os Estados Unidos: o inesperado. “Segundo Tuchman (1978), o inesperado é muitas vezes um componente do tipo de acontecimento que designa «Que estória!», ou seja, o mega-acontecimento, um acontecimento com enorme noticiabilidade, que subverte a rotina e provoca um caos na sala de redacção. Um exemplo de mega-acontecimento foi os ataques a diferentes locais, sobretudo ao World Trade Center, no dia 11 de Setembro de 2001” (Traquina: 2002, 192).
O facto de os Estados Unidos serem a maior potência mundial reserva-lhes uma posição de elite perante os demais países. O grau hierárquico dos países envolvidos no acontecimento é um valor-notícia que fundamenta esta cobertura informativa: “quanto mais os acontecimentos disser respeito a países de elite, tanto mais provavelmente se transformará em notícia” (Wolf: 1999, 201). Todavia, encontramos outros valores-notícia como o “impacte sobre a nação e sobre o interesse nacional” (Wolf: 1999, 201), já que qualquer acontecimento de grande dimensão nos EUA tem repercutição em todo o mundo.
O número de mortos envolvidos no acontecimento dita, também, a amplitude da cobertura mediática que se verificou no 11 de Setembro. Valores-notícia como a quantidade de pessoas envolvidas no acontecimento e a negatividade encontram-se subjacente à cobertura os media. Convém salientar que Nelson Traquina considera a Morte como um valor-notícia e, relativamente aos atentados de 11 de Setembro, o número de mortos foi bastante justificativo. “O que têm em comum os seguintes acontecimentos, que conquistaram o consenso da comunidade jornalística nacional e, no terceiro caso, o consenso da comunidade jornalística mundial: a queda da ponte Entre-os-Rios, o assassinato de seis empresários portugueses no Brasil e o ataque ao World Trade Center de Nova Iorque e ao Pentágono? A resposta é simples: a morte. Onde há morte, há jornalistas. A morte é um valor notícia fundamental para esta comunidade interpretativa, e uma razão que explica o negativismo do mundo jornalístico que é apresentado diariamente nas páginas dos jornais ou nos ecrãs da televisão” (Traquina: 2002, 187). Ainda, podemos encontrar outros valores-notícia, segundo a perspectiva de outros autores, na base da cobertura informativa do 11 de Setembro. Fala-se no valor das imagens. “As histórias que contêm imagens dramáticas ou interessantes têm prioridades” (Santos: 1992, 90).

CONSULTAS:

Almeida, Bernardo Pinto de: Imagem da Fotografia; Assírio e Alvin, Lisboa, 1995.
 
Barthes, Roland: A Câmara Clara; Edições 70, Lisboa, 1980.

Bourdieu, Pierre: Sobre a Televisão; Celta, Oeiras, 1997.

Letria, José Jorge: O Terrorismo e os Media: o tempo de antena do terror;
Hugin, Lisboa, 2001.

Santos, José Rodrigues dos: O que é Comunicação?; Difusão Cultural, Lisboa, 1992.

Sousa, Jorge Pedro: Fotojornalismo; Universidade Fernando Pessoa, Porto, 1998.

Traquina, Nelson: Jornalismo: Questões, Teorias e “Estórias”; Vega, Lisboa, 1999.
 
Wolf, Mauro: Teorias da Comunicação; Editorial Presença, Lisboa, 1999.

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  1. excelente! 😉

  2. Gostatria de receber via e-mail, imagens do vôo 93, pós queda!

  3. gostaria de receber imagens via e-mail, do voo 93 pós queda!


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