Nós nos media

Outubro 29, 2006 às 4:23 pm | Publicado em Media & Jornalismo | 5 comentários

Concentração e precariedade afectam liberdade de imprensa

  “A concentração dos media e a precariedade do emprego constituem os principais entraves à liberdade de imprensa, segundo consideram 93 por cento dos jornalistas inquiridos por Silvino Lopes Évora, no âmbito da tese de mestrado que defendeu no Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Minho. A concentração de jornais, revistas, rádios e televisões em quatro grandes grupos privados está igualmente a produzir alterações no campo mediático. Há jornais que desaparecem e outros que surgem apoiados no capital financeiro. Também se verificam alterações no âmbito da imprensa regional e rádios locais, mediante aquisições, fusões e encerramentos. Fenómenos que são negativos para a liberdade de imprensa, para o pluralismo informativo e para o jornalismo. O Notícias da Amadora completou ontem 48 anos de publicação, um percurso de vida longo, pautado por escolhos de diverso tipo. A superação desses obstáculos implica uma conjugação de esforços, que seja determinada pela vontade de consagrar um espaço de informação plural. Um jornal que se rege por um património editorial que se destina e privilegia os seus leitores e assinantes”.   [in Notícias da Amadora]

Concentração «é negativa para o jornalismo»

“A concentração dos media «é negativa para o jornalismo», segundo opinião expressa por 77 por cento dos jornalistas inquiridos por Silvino Lopes Évora, no âmbito da tese de mestrado que defendeu no Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Minho. No mesmo universo de 100 jornalistas inquiridos, 93 por cento consideram a concentração da propriedade e a precariedade do emprego como os principais entraves à liberdade de imprensa. Silvino Lopes Évora afirma, nas considerações finais da sua tese, que a luta pela liberdade de imprensa passa, em Portugal, «por compreender a economia dos media e os processos subjacentes ao próprio negócio da comunicação social»”.  [in Notícias da Amadora]

Campo de Concentração do Tarrafal: a verdade dos factos

Outubro 29, 2006 às 3:56 pm | Publicado em Política | 36 comentários

Entra o século XX e encontra a relação entre os países em ebulição. A Europa está a passar por um momento de convulsão política. O desentendimento tem o desfecho trágico: um primeiro ensaio bélico à escala planetária que dura cinco anos (1914-1919) e arrasta consigo cerca de 40 milhões de vidas. O fim da Grande Guerra não significa o fim das hostilidades. Os conflitos não têm unicamente a dimensão internacional. Alguns países atravessam momentos de verdadeira “hemorragia interna”, a nível político, com várias facções ideológicas a disputar o poder.
Portugal não foge à regra. O “Reviralho” (esquerda republicana) separa-se da Ditadura, desde a primeira hora, e combate-a ferozmente; o Movimento Operário Organizado através do Anarco-Sindicalismo testa a sua força hegemónica no seio da classe operária; o Partido Comunista Português, com fraca influência, tenta fazer ecoar a sua voz; e, por fim, o Partido Socialista adopta uma posição ambígua em relação à Ditadura. As cartas estão lançadas e os “jogadores” delineiam estratégias. A História segue o seu curso natural e o processo de transição para o Estado Novo causa várias “baixas” entre as forças que disputam a hegemonia a partir do interior da Ditadura. O Salazarismo, enquanto Regime Político, emerge como vencedor. As hostilidades continuam. O Reviralhismo e o Movimento Operário declaram guerra à derrota, não aceitando o triunfo do Salazarismo. O clima é de grande tensão. As desconfianças são mútuas. Salazar precisa de manter o regime. Aposta fortemente nos instrumentos de repressão e instala o Estado Novo. A Polícia Política, o sistema de saneamento e o sistema prisional são apenas alguns exemplos. E, de repente, surge um milagre; uma espécie de “mão invisível” que convida todos os “irrequietos” ao “culto do silêncio”. Parece o fim da linha. O silêncio é profundo. Ensurdecedor, até.

Um novo dia: 29 de Outubro de 1936. O Campo de Concentração do Tarrafal abre as portas e acolhe “amavelmente” os primeiros “hóspedes”. É o Decreto-Lei número 26: 539 de 23 de Abril de 1936, que surgiu no âmbito da reorganização dos serviços prisionais, que passa o certidão de nascimento à “Colónia Penal”. Não se trata de uma prisão qualquer. É um verdadeiro Campo de Concentração, construído com o objectivo de (des)“amparar” os indivíduos sobre os quais recaem “penas especiais”, tendo em conta o teor do Decreto-Lei número 26:643 de 28 de Maio de 1936, que reorganiza os estabelecimentos Prisionais. Os parágrafos 1 e 2 do artigo 2 do Decreto Lei 26:539 de 23 de Abril de 1936 não nos enganam. Dizem-nos que a “Colónia da Morte” serve para receber os presos políticos e sociais, sobre quem recai o dever de cumprir o desterro, aqueles que internados em outros estabelecimentos prisionais se mostram refractários à disciplina e ainda os elementos perniciosos para outros reclusos. Também o documento abrange os condenados a pena maior por crimes praticados com fins políticos, os presos preventivos, e, por fim, os presos por crime de rebelião.

 

Campos de Concentração antes do Tarrafal

 

Tarrafal não é a causa, mas sim a consequência. É o resultado da agudização da luta de classes em Portugal, que leva o regime salazarista, encorajado pela situação política na Alemanha e na Itália, a incrementar a repressão. Por isso, a história da “Colónia Penal de Tarrafal” começa verdadeiramente depois de 18 de Janeiro de 1934. Antes do Tarrafal, o regime opressor criara, na Ilha de São Nicolau, um Campo de Concentração que servira para o degredo, maioritariamente, dos oficiais do exército detidos na Revolução da Madeira de 1931. E anterior ainda às prisões de Cabo Verde, o Decreto-Lei de 17 de Fevereiro de 1907, havia criado, em Angola, uma Colónia Penal Militar. Contudo, o Campo de Concentração da Ilha de S. Nicolau e os campos de concentração alemães, principalmente o de Dachau, são apresentados por muitos, especialmente pelos presos que estiveram no Tarrafal, como os antecedentes que justificam a criação daquilo que uns designam de Colónia Penal e outros de Campo de Concentração de Tarrafal. O nome pouco importa. Interessa, sim, as finalidades, os objectivos. O fim.

O Governo salazarista e os seus apologistas defendem apenas que o Campo de Concentração do Tarrafal é arquitectado como “Colónia Penal” e que tem como fim primordial a recolha dos condenados a pena de desterro pela prática de crimes políticos e os prisioneiros de delitos comuns que, na Metrópole, mostram-se intransigentes à disciplina prisional. O Governo justifica ainda que a Colónia Penal do Tarrafal é, em tudo, semelhante às prisões da Metrópole, dirigidas pelo Ministério da Justiça, como os casos de Caxias, Aljube, Peniche.

 

Tarrafal e a Construção da Morte

 

O Decreto-Lei que dá “vida” ao “Campo da Morte” determina a instalação do estabelecimento prisional na zona de Achada Grande e Ponta de Achada de Chão Bom, no Concelho de Tarrafal, a norte da Ilha de Santiago (Cabo Verde). A construção do Campo é entregue ao Ministério das Obras Públicas e Telecomunicações, com responsabilidades para elaborar a planta e levar a cabo a construção da obra. O Ministério das Obras Públicas e Telecomunicações elabora, assim, uma planta constituída por diferentes pavilhões para a instalação dos serviços e o agrupamento dos presos, de acordo com as suas afinidades políticas. O projecto está pronto, mas tem que ser aprovado. Têm responsabilidades na aprovação, o Ministério das Obras Públicas e Telecomunicações, o Ministério da Justiça e a Comissão das Construções Prisionais. O Ministério da Guerra, da Marinha e da Colónia também pode garantir um apoio essencial para a instalação e funcionamento dessa prisão. O projecto apresenta uma cadeia de 1.700 hectares, ampliáveis, caso justificar.

 

A Instalação do Campo da Morte

 

A instalação da “Colónia Penal” obedece a duas etapas: a primeira correspondente ao período que vai de 1936 até 1938. Durante este período, o Campo de Concentração do Tarrafal recebe os primeiros 150 presos antifascistas de diversas profissões: camponeses, operários, soldados, marinheiros das revoltas dos navios Dão, Bartolomeu Dias e Afonso de Albuquerque, estudantes, intelectuais, entre outros. A segunda fase compreende a época da construção dos primeiros pavilhões de pedras e a chegada do médico Esmeraldo Pais de Prata, até ao encerramento que acontece em 1954.

Os primeiros presos instalam-se em tendas de lona, sem as mínimas condições de habitabilidade e de higiene. As barracas não têm luz eléctrica, nem ventilação, nem qualquer protecção contra a chuva e o sol. São doze barracas de lona, com sete metros de comprimento e quatro de largura. Cada uma tem capacidade para alojar doze prisioneiros. O prazo de validade destas barracas é de dois anos, altura em que surgem os pavilhões feitos de pedras. O espaço envolvente à “Colónia Penal” é vedado com arame farpado em toda a sua volta, para impedir qualquer contacto com o exterior. O único edifício de pedra na primeira fase é a cozinha que, entretanto, não fica completamente construído.

 

A Morte Lenta no Campo de Tarrafal

 

Os compartimentos da “Colónia Penal” estão longe de obedecer um parâmetro mínimo de humanidade. Depois de 16 anos na “jaula prisional”, João Faria Borda testemunha que “o Campo de Concentração é um rectângulo (cerca de 250m por 180) situado num dos sítios mais insalubres do arquipélago de Cabo Verde. Como alojamento, existem umas barracas de lona onde são metidos cerca de 12 presos em cada uma”. A par da falta de condições das instalações, existe também o castigo da Frigideira, uma pequena construção completamente fechada cujas paredes, chão e tecto são constituídos por cimento, que é a pior “dor de cabeça” para qualquer preso. A Frigideira é uma espécie de purgatório. É um antro de cimento onde as almas ‘pecaminosas’ são levadas a “purificar”. Só que muitas delas nunca mais voltam ao “paraíso terrestre de Salazar”.

Com as dimensões de 0.60m por 1.70m de altura, o portão de ferro da Frigideira parece com as portas dos navios. As celas são separadas por portões de ferro semelhantes. O equipamento é construído a uma distância considerável de qualquer outro compartimento da “casa da morte”, para que a sombra não proteja os seus habitantes do calor infernal que lá se faz, ficando permanentemente exposto ao raio solar durante o período diurno. No seu interior, só há dois companheiros: a solidão e o silêncio. Dias e noites a fios, os homens que lá estão apenas “falam” que a chuva que cai, apreciando o som da água que corre da Ribeira Prata para ir alagar os terrenos de Colonato. “Em Cabo Verde, região de clima variável, calha chover bastante nestes anos. A lona das barracas apodrece de tal maneira que lá dentro chove como na rua e de manhã acordamos com a cara negra da poeira que se pega à humidade que sobre nós cai. As águas acumuladas formam pântanos onde se desenvolvem mosquitos transmissores do paludismo. A saúde de todos nós, presos, arruína-se”. Desabafo de quem, durante 16 anos, dormiu na mesma cama que a morte, abraçado por ‘putríficas’ condições higiénicas.

Por outro lado, o quotidiano dos reclusos no Tarrafal é pautado principalmente pelos trabalhos forçados, pelas provocações e castigos de diversa ordem. O contacto com o exterior é escasso, sendo-lhes proibida, frequentemente, a troca de correspondência com os amigos e os familiares. E assim reza a história. Triste história de uma passado que teima em ficar. Os anos passam mas a verdade fica. A verdade da História.

Era um dia como hoje: 29 de Outubro de 1936. O Campo de Concentração do Tarrafal abre as portas. E hoje, um dia como aquele: 29 de Outubro de 2006, a história teima em trazer a verdade. A verdade dos factos. Tarrafal… há 70 anos, abre a porta da morte. E é atravessado por Esmeraldo Pais de Prata, médico Licenciado em “Assassínio”. Chega, entra e diz a sua primeira frase: “não estou aqui para curar, mas para passar certidões de óbito”.


silvino.jpg

Silvino Évora  José Tavares 
Jornalista: Historiador:
jornalmedia@hotmail.com  jsoares78@hotmail.com

* Nota: Esta reportagem foi feita por dois tarrafalenses que amam Tarrafal. A base Científica em que se apoiou foi a tese de Mestrado de José Soares, intitulado: O Campo de Concentração de Tarrafal (1936-1954): A Origem e o Quotidiano. A redacção esteve a cargo do jornalista Silvino Évora, Mestre em Ciências da Comunicação. Em homenagem aos que travaram a Ditadura com o sofrimento, os autores quiseram recordar os 70 anos do “Campo da Morte”.

 

Para fazer download da reportagem em word, clique aqui. Se preferir o ficheiro em pdf, clique aqui.

Concentração dos Media: Prisa lança OPA sobre a Media Capital

Outubro 26, 2006 às 7:40 pm | Publicado em Media & Jornalismo | Deixe um comentário

GRUPO PRISA“A Prisa anunciou o lançamento de uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) sobre a totalidade das acções representativas do capital social da Media Capital.
A contrapartida oferecida é de 7,40 euros por acção, a pagar em numerário, adiantou a Prisa em comunicado divulgado através da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).
As acções da Media Capital encerraram, esta quinta-feira, na Euronext Lisboa, a cair 0,12 por cento, para 8,30 euros”. [
in Jornal de Notícias]

 

Lucro da Media Capital cresce 8%

mediacapital“O lucro da Media Capital cresceu 8% nos nove primeiros meses do ano face ao mesmo período de 2005, para 10,9 milhões de euros, divulgou ontem o grupo, em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Imobiliários (CMVM).Os números da empresa que controla a TVI ficaram a abaixo da média de 11,3 milhões de euros antecipada pelos analistas contactados pela agência Lusa.

Nos primeiros nove meses de 2005, a Media Capital tinha apresentado um lucro de 10,1 milhões de euros. Os proveitos consolidados do grupo presidido por Miguel Pais do Amaral aumentaram 4% até Setembro, para 165,5 milhões de euros, impulsionados por uma subida de 6% das receitas publicitárias, para 129,1 milhões.

O crescimento das receitas publicitárias deveu-se principalmente um acréscimo de 8% no segmento de televisão. O documento revela ainda que a TVI liderou as audiências acumuladas do ano, tanto no diaTVI lidera audiências em Setembro inteiro como no horário nobre, com “shares” de audiência de 35,6% e 40,1%, respectivamente. Os dois resultados são superiores aos verificados no mesmo período do ano anterior.

As receitas das rádios do grupo sofreram uma queda de 26%, baixando para os 2,6 milhões de euros, enquanto aquilo que o grupo chama de “outros” – e onde inclui publicações, produtos associados e fornecimento de acesso à Internet – caiu 20 %, para 5,7 milhões de euros. “. [in Jornal de Notícias]

Cabo Verde “tropeça” na Liberdade de Imprensa

Outubro 26, 2006 às 7:01 pm | Publicado em Media & Jornalismo, Política | Deixe um comentário

Conquistou o honrado primeiro lugar no ranking dos países mais livres da África, segundo a classificação do Freedom House (EUA), mas acabou por sofrer uma queda flagrante de 16 posições em relação ao ano passado na classificação anual dos Repórteres Sem Fronteiras. Recordemos que na própria classificação da Freedom House, que considerou Cabo Verde como o país mais livre da África, ficou claro que houve uma queda acentuada no capítulo sobre a Liberdade de Imprensa. É sinal de que alguma coisa anda por caminhos tortos.

 

«Cabo Verde caiu 16 posições no “ranking” da liberdade de imprensa elaborado anualmente pelos Repórteres sem Fronteiras. O arquipélago está agora na 45ª posição, que partilha, ex-aequo, com Moçambique, Sérvia e Montenegro e com a Macedónia. Atrás de Cabo Verde estão países como os EUA (53º) e Brasil (75º).
Depois de ter estado durante dois anos entre os 40 primeiros países na Classificação Mundial para a Liberdade de Imprensa, criada pelos Repórteres Sem Fronteiras, Cabo Verde volta a figurar abaixo da 40ª posição.
Em 2005, o arquipélago conseguiu o melhor “ranking” de sempre (29º), situando-se à frente da França. Uma subida assinalável em relação a 2004 (38º) e a 2002 (46º) e 2003 (47º), as piores posições do país neste “ranking”». [
in A Semana]

Ainda acerca da Intervenção Cívica. O papel da Televisão (II)

Outubro 24, 2006 às 11:45 am | Publicado em Media & Jornalismo | 8 comentários

A televisão em Cabo Verde tem vindo ao longo de vários anos e aqui falo do período pós partido único,foto ou seja, de 1991 para cá, já que antes o próprio sistema deixa antever claramente que uma análise é desnecessária nos pontos que aqui focalizo, o da opinião pública e da necessidade de uma intervenção social, a servir mormente para difundir a propaganda política dos sucessivos governos sem se preocupar com os seus verdadeiros objectivos, determinados pela Lei da Televisão (propósitos esses sobre os quais falaremos mais adiante), servindo tão somente para criar na esfera pública – espaço público, comum, onde se forma as opiniões e vontades políticas que garantem a legitimidade do poder (Habermas), a ideia de um falso consenso social, resultado de um trabalho de investigação pobre e defeituoso, uma competência duvidosa e amizades com a classe política que fazem lembrar intimidades de um casal de adolescentes enamorados.
                                                             
Referia anteriormente o alerta que Chomsky adianta para o facto da televisão facilmente poder perverter a ordem das coisas e transformar-se num dispositivo controlador, manipulador e domesticador do pensamento das massas, desprovendo-as do espírito crítico. É verdade que o autor não culpa directamente os jornalistas mas sim o sistema, mas eu acredito na dualidade da estrutura avançado por Giddens referindo-se, entre outras coisas, ao carácter constrangedor e facilitador da estrutura (regras e recursos que gerem o sistema) e ao facto dessas mesmas estruturas serem simultaneamente os meios e os resultados das nossas práticas. Por outras palavras, o que quero avançar é que as regras do jogo na televisão cabo-verdiana simultaneamente facilitam e constrangem o correcto exercício da função do jornalista e, são ao mesmo tempo os meios e os resultados da acção da proximidade entre os jornalistas e a classe política, sobretudo à que se encontra no poder. É certo que alguns dirão que não se trata de manipulação mas sim de mera incompetência. Pois, caso seja essa a situação, então façamos uma revolução enquanto é tempo, pois essas anomalias vêm crescendo cada vez mais, transformando a situação da TCV numa verdadeira vergonha nacional.
 
Para que não fiquemos só pelas suposições proponho-me a analisar, melhor dizendo, comentar alguns factos caricatos da nossa Televisão:
 
Primeiro ponto
Nos últimos 5 anos a TCV teve uma média de menos um Director por ano sem contar com os interinos e as comissões de gestão. Questiono: será esse um problema de Recursos Humanos ou uma questão Estrutural? Creio que a resposta é obvia, ela é mais Estrutural do que outra coisa e, sendo assim, os despedimentos já não deveriam ter passado pelo Conselho de Administração, os detentores do poderes, os definidores das regras e recursos da Televisão?
 
Segundo Ponto
De acordo com A Lei da Televisão, aprovada a 28 de Abril de 1998, no seu nº 1 do Artigo 21, cabe a concessionária do serviço público “assegurar uma programação de qualidade e de referência que satisfaça as necessidades culturais, educativas, informativas e recreativas dos diversos públicos específicos”.
Verifiquemos então a satisfação de tais necessidades invocadas.
 
Necessidades Culturais
Programas como “Kumbersu Sabi”, de Matilde Dias, e “Monumentos e Sítios”, de Margarida Fontes, de importância inegáveis e como referia Manuel Delgado num artigo no portal paralelo14, programas que “são a primeira tentativa de documentários televisivos da cultura imaterial, construída e natural de Cabo Verde e que tiveram da parte do Ministro da Cultura Manuel Veiga um elogio público, denominando os respectivos blocos televisivos de “lufadas culturais” na parca programação cultural que a nossa televisão possui, desapareceram sem deixar rastos nem explicações concretas. Do mal ao menos, ficamos com Casa da Cultura e Finason di Conbersu.
 
Necessidades educativas
Acredito que muito se pode dizer acerca das propriedades educativas dos programas televisivos, aliás tal temática tem motivado grandes debates entre psicólogos e pedopsiquiatras, mas evitarei este caminho por ser demasiado longo e não ser objecto deste artigo. Certo mesmo é que na nossa televisão, se recolhermos os desenhos animados, os mesmos que eu assisti há uns bons anos atrás, só nos resta, como falava Zaratustra há tempos atrás numa entrevista televisiva, o Zé tchoko. Permitam-me acrescentar o Laranjinha, por ser ou ter sido delícia do meu querido sobrinho entendi que a Enacol, passo a publicidade, estaria ou está a apoiar a TCV na sua luta pelo carácter educativo da televisão. De qualquer forma aí estão as telenovelas brasileiras para quem quiser programas educativos na TCV.
 
 
 
Necessidades Informativas
 
Não será preciso muito esforço para que nos recordemos de programas como Clube de Imprensa do jornalista José Carlos Semedo, da realizadora Filomena Vera-Cruz e da operadora de montagem Helena Ribeiro e de Grande Questões de Rosana Almeida que não caíram no goto de quem manda. Questão: O que aconteceu ao dito no Artigo 9 da Lei da Televisão, que estabelece no seu nº 2 alínea a como fins específicos da actividade de televisão, “assegurar a independência, o pluralismo, o rigor e a objectividade da informação e da programação, de modo a salvaguardar a sua independência perante os poderes públicos”?
Não nos podemos esquecer, recentemente, da cobertura ou não, da totalidade da campanha eleitoral legislativa. Dias sem notícias, guerras de subsídios, promessas não cumpridas, enfim, permitam-me questionar mais uma vez: quem beneficiou e/ou beneficia com isto? Decerto não é o cidadão, tam pouco a qualidade e rigor da TCV.
 
Necessidades Recreativas
Aqui sim habemus programma, nada mais, nada menos do que Top Criolo apresentado pela assessora do Primeiro-ministro, Carlota Teixeira. Consta que este novo programa da TCV, visa promover e divulgar a cultura musical cabo-verdiana, pena que quem vê (o dito programa) não consegue identificar a componente divulgação, pois, é bom não confundir transmissão com divulgação. Será que ainda falta alguma coisa?
 
Um extra: A programação
CSI, Mad Maria, América e New Wave, Casa da Cultura, Gilette – Magazine Desportivo, entre outras balelas que vem e vão, esta é a programação que temos, numa televisão, que como nos lembra o Investigador de Comunicação, Silvino Évora, num artigo publicado na Biblioteca On-Line de Ciências da Comunicação sob o tema Políticas de comunicação e contexto mediático cabo-verdiano, passa o dia inteiro fechada, começando a emitir à partir das 18:30, muitas vezes fechando antes da meia noite. Que serviço público se pode prestar nessas condições? Peço, por favor, respeitem a nossa inteligência.
 
Agora pergunto se isso não é cumplicidade com o sistema do que se trata então? Pois bem, a minha análise só me permite continuar com a crença que a televisão de cabo verde não cumpre o seu papel no que a intervenção cívica diz respeito e que ela só existe enquanto meio cúmplice na manutenção do sistema, produtora de uma opinião pública uniforme, sem que haja lugar para a democracia, para um poder popular (e não populacho), dando assim lugar a um pluralismo, rigor e objectividade aparente.
 
Bourdieu acha que pouca coisa pode ser dita num veículo (televisão) que impõe o assunto, em que o tempo é irrisório e que tem interesses económicos invisíveis e, muitas vezes, inconfessáveis, transformando a televisão num formidável instrumento de manutenção da ordem simbólica. No entanto, como Bourdieu e Chomsky, acredito que ainda há esperança e cabe a participação activa da fracção mais esclarecida e mais independente dos jornalistas e, acrescento, da opinião pública ou esfera pública na perspectiva de Habermas para que se forma um contra-poder crítico eficaz, capaz de se exprimir em nome do maior número de pessoas, para que se possa tomar as rédeas da situação exigindo da nossa TCV o caminho para um futuro certo, honesto e verdadeiro, caso contrario pa kê ki nos mesti TVEC? Bem-haja.

 

AUTOR: Alfredo Pereira (na foto em cima)

Congresso sobre o “novo jornalismo”: horizontalidade VS verticalidade

Outubro 24, 2006 às 8:38 am | Publicado em Media & Jornalismo | Deixe um comentário

“Horizontalidad frente a verticalidad. Quien mejor lo expresó de todos los ponentes fue Dan Gillmore: hay que conjugar en plural, no en singular.” E hizo gala de ello dando el correo electrónico al final de la conferencia.
El Congreso no hubiera sido igual sin la presencia de los bloggers. Sentados en una de las esquina del anfiteatro, parecía el tendido del 7, en boca de Fernando Jáuregui. Otra comparación by Espiritusanto:Estamos en el año 2006. Todo el periodismo está ocupado por la verticalidad. ¿Todo? ¡No! Un rincón poblado por irreductibles periodistas – o no – resiste todavía y siempre…Entre estos estaban Rosa, Espiritusanto, Chepu, Jacinto ,Chiqui, César, D. Basteiro, Juanlu, Christian, Sergio, Adriano, Pau, José Daze…La prueba de que los modelos se intentan perpetuar es quien focalizaba la atención de los estudiantes eran los grandes periodistas, merecida por otro lado, gracias su larga trayectoria. Quien se llevó más preguntas tras su intervención fue el director de ABC, José Antonio Zarzalejos. Otros que hablaban más de nuevos fenómenos como el periodismo ciudadano suscitaban más temores que dudas, ya que se argumentaba que con ello se acababa el periodismo”. [in Guerra y Paz]

Fotógrafo espanhol sequestrado em Gaza [JÁ FOI LIBERTADO]

Outubro 24, 2006 às 8:21 am | Publicado em Media & Jornalismo | Deixe um comentário

Emilio Fernández Morenatti.“Un fotógrafo español que trabaja para la agencia Associated Press ha sido secuestrado esta mañana en la ciudad de Gaza por un grupo de desconocidos armados, según ha confirmado el Ministerio de Exteriores. Emilio Fernández Morenatti fotógrafo ha sido apresado cuando salía de su domicilio en el centro de la ciudad a primera hora de la mañana. Ningún grupo radical palestino ha reivindicado el secuestro”. [in El Mundo]

La Dirección General de Comunicación

[JÁ FOI LIBERTADO]

Angola, onde está a liberdade?

Outubro 24, 2006 às 8:14 am | Publicado em Media & Jornalismo, Política | Deixe um comentário

“Angola é de facto, o único país do chamado grupo dos Palop’s, a figurar no grupo de países onde a liberdade plena é por enquanto, apenas uma miragem.
E de facto  na exploração e gestão do potencial do país, em termos de recursos minerais e petrolíferos que o relatório da Freedom House é bem  mais contundente, nas críticas dirigidas a Angola, neste caso ao governo angolano e a própria UNITA, que neste particular é apanhado pela teia de acusações a propósito”. [
in VisãoNews]

Jornalistas Cabo-verdianos entram na rota internacional

Outubro 24, 2006 às 8:01 am | Publicado em Media & Jornalismo | Deixe um comentário

fotoA Associação dos Jornalistas Cabo-verdianos (AJOC) fez, no passado dia 20, “a entrega simbólica da carteira da Federação Internacional de Jornalistas, numa cerimónia que foi presidida por Honoore Essoh, encarregado dos negócios do Programa do Escritório África da FIJ”. [in Liberal]

Angola processa jornalista da Suiça

Outubro 24, 2006 às 7:55 am | Publicado em Media & Jornalismo, Política | Deixe um comentário

«A Presidência angolana decidiu intentar uma acção judicial contra o jornalista Ram Etwareea do jornal suíço “Le Temps” por ter alegadamente desencadeado uma “campanha difamatória” contra o chefe de Estado José Eduardo dos Santos.
Numa nota oficial distribuída ontem, sexta-feira, em Luanda, os Serviços de Apoio ao Presidente da República acusam Ram Etwareea de ter feito “referências infundadas e caluniadoras” ao chefe de Estado num artigo dedicado à intenção da Suíça de restituir fundos ilicitamente depositados por alguns governantes estrangeiros nos seus bancos.
Segundo o mesmo documento, o artigo em causa foi publicado pelo Le Temps na sua edição de 11 de Outubro corrente e retomado quinta-feira por outros jornais europeus.
“O Presidente da República de Angola não tem e nunca teve dinheiro depositado em bancos suíços, nem qualquer outro património neste país. Aliás, o chefe de Estado angolano não foi citado, em momento algum, na investigação anteriormente instaurada pelas autoridades policiais suíças, como tendo contas em bancos helvéticos”, sublinha». [in Liberal]

Página seguinte »

Create a free website or blog at WordPress.com.
Entries e comentários feeds.