Campo de Concentração do Tarrafal: a verdade dos factos

Outubro 29, 2006 às 3:56 pm | Publicado em Política | 36 comentários

Entra o século XX e encontra a relação entre os países em ebulição. A Europa está a passar por um momento de convulsão política. O desentendimento tem o desfecho trágico: um primeiro ensaio bélico à escala planetária que dura cinco anos (1914-1919) e arrasta consigo cerca de 40 milhões de vidas. O fim da Grande Guerra não significa o fim das hostilidades. Os conflitos não têm unicamente a dimensão internacional. Alguns países atravessam momentos de verdadeira “hemorragia interna”, a nível político, com várias facções ideológicas a disputar o poder.
Portugal não foge à regra. O “Reviralho” (esquerda republicana) separa-se da Ditadura, desde a primeira hora, e combate-a ferozmente; o Movimento Operário Organizado através do Anarco-Sindicalismo testa a sua força hegemónica no seio da classe operária; o Partido Comunista Português, com fraca influência, tenta fazer ecoar a sua voz; e, por fim, o Partido Socialista adopta uma posição ambígua em relação à Ditadura. As cartas estão lançadas e os “jogadores” delineiam estratégias. A História segue o seu curso natural e o processo de transição para o Estado Novo causa várias “baixas” entre as forças que disputam a hegemonia a partir do interior da Ditadura. O Salazarismo, enquanto Regime Político, emerge como vencedor. As hostilidades continuam. O Reviralhismo e o Movimento Operário declaram guerra à derrota, não aceitando o triunfo do Salazarismo. O clima é de grande tensão. As desconfianças são mútuas. Salazar precisa de manter o regime. Aposta fortemente nos instrumentos de repressão e instala o Estado Novo. A Polícia Política, o sistema de saneamento e o sistema prisional são apenas alguns exemplos. E, de repente, surge um milagre; uma espécie de “mão invisível” que convida todos os “irrequietos” ao “culto do silêncio”. Parece o fim da linha. O silêncio é profundo. Ensurdecedor, até.

Um novo dia: 29 de Outubro de 1936. O Campo de Concentração do Tarrafal abre as portas e acolhe “amavelmente” os primeiros “hóspedes”. É o Decreto-Lei número 26: 539 de 23 de Abril de 1936, que surgiu no âmbito da reorganização dos serviços prisionais, que passa o certidão de nascimento à “Colónia Penal”. Não se trata de uma prisão qualquer. É um verdadeiro Campo de Concentração, construído com o objectivo de (des)“amparar” os indivíduos sobre os quais recaem “penas especiais”, tendo em conta o teor do Decreto-Lei número 26:643 de 28 de Maio de 1936, que reorganiza os estabelecimentos Prisionais. Os parágrafos 1 e 2 do artigo 2 do Decreto Lei 26:539 de 23 de Abril de 1936 não nos enganam. Dizem-nos que a “Colónia da Morte” serve para receber os presos políticos e sociais, sobre quem recai o dever de cumprir o desterro, aqueles que internados em outros estabelecimentos prisionais se mostram refractários à disciplina e ainda os elementos perniciosos para outros reclusos. Também o documento abrange os condenados a pena maior por crimes praticados com fins políticos, os presos preventivos, e, por fim, os presos por crime de rebelião.

 

Campos de Concentração antes do Tarrafal

 

Tarrafal não é a causa, mas sim a consequência. É o resultado da agudização da luta de classes em Portugal, que leva o regime salazarista, encorajado pela situação política na Alemanha e na Itália, a incrementar a repressão. Por isso, a história da “Colónia Penal de Tarrafal” começa verdadeiramente depois de 18 de Janeiro de 1934. Antes do Tarrafal, o regime opressor criara, na Ilha de São Nicolau, um Campo de Concentração que servira para o degredo, maioritariamente, dos oficiais do exército detidos na Revolução da Madeira de 1931. E anterior ainda às prisões de Cabo Verde, o Decreto-Lei de 17 de Fevereiro de 1907, havia criado, em Angola, uma Colónia Penal Militar. Contudo, o Campo de Concentração da Ilha de S. Nicolau e os campos de concentração alemães, principalmente o de Dachau, são apresentados por muitos, especialmente pelos presos que estiveram no Tarrafal, como os antecedentes que justificam a criação daquilo que uns designam de Colónia Penal e outros de Campo de Concentração de Tarrafal. O nome pouco importa. Interessa, sim, as finalidades, os objectivos. O fim.

O Governo salazarista e os seus apologistas defendem apenas que o Campo de Concentração do Tarrafal é arquitectado como “Colónia Penal” e que tem como fim primordial a recolha dos condenados a pena de desterro pela prática de crimes políticos e os prisioneiros de delitos comuns que, na Metrópole, mostram-se intransigentes à disciplina prisional. O Governo justifica ainda que a Colónia Penal do Tarrafal é, em tudo, semelhante às prisões da Metrópole, dirigidas pelo Ministério da Justiça, como os casos de Caxias, Aljube, Peniche.

 

Tarrafal e a Construção da Morte

 

O Decreto-Lei que dá “vida” ao “Campo da Morte” determina a instalação do estabelecimento prisional na zona de Achada Grande e Ponta de Achada de Chão Bom, no Concelho de Tarrafal, a norte da Ilha de Santiago (Cabo Verde). A construção do Campo é entregue ao Ministério das Obras Públicas e Telecomunicações, com responsabilidades para elaborar a planta e levar a cabo a construção da obra. O Ministério das Obras Públicas e Telecomunicações elabora, assim, uma planta constituída por diferentes pavilhões para a instalação dos serviços e o agrupamento dos presos, de acordo com as suas afinidades políticas. O projecto está pronto, mas tem que ser aprovado. Têm responsabilidades na aprovação, o Ministério das Obras Públicas e Telecomunicações, o Ministério da Justiça e a Comissão das Construções Prisionais. O Ministério da Guerra, da Marinha e da Colónia também pode garantir um apoio essencial para a instalação e funcionamento dessa prisão. O projecto apresenta uma cadeia de 1.700 hectares, ampliáveis, caso justificar.

 

A Instalação do Campo da Morte

 

A instalação da “Colónia Penal” obedece a duas etapas: a primeira correspondente ao período que vai de 1936 até 1938. Durante este período, o Campo de Concentração do Tarrafal recebe os primeiros 150 presos antifascistas de diversas profissões: camponeses, operários, soldados, marinheiros das revoltas dos navios Dão, Bartolomeu Dias e Afonso de Albuquerque, estudantes, intelectuais, entre outros. A segunda fase compreende a época da construção dos primeiros pavilhões de pedras e a chegada do médico Esmeraldo Pais de Prata, até ao encerramento que acontece em 1954.

Os primeiros presos instalam-se em tendas de lona, sem as mínimas condições de habitabilidade e de higiene. As barracas não têm luz eléctrica, nem ventilação, nem qualquer protecção contra a chuva e o sol. São doze barracas de lona, com sete metros de comprimento e quatro de largura. Cada uma tem capacidade para alojar doze prisioneiros. O prazo de validade destas barracas é de dois anos, altura em que surgem os pavilhões feitos de pedras. O espaço envolvente à “Colónia Penal” é vedado com arame farpado em toda a sua volta, para impedir qualquer contacto com o exterior. O único edifício de pedra na primeira fase é a cozinha que, entretanto, não fica completamente construído.

 

A Morte Lenta no Campo de Tarrafal

 

Os compartimentos da “Colónia Penal” estão longe de obedecer um parâmetro mínimo de humanidade. Depois de 16 anos na “jaula prisional”, João Faria Borda testemunha que “o Campo de Concentração é um rectângulo (cerca de 250m por 180) situado num dos sítios mais insalubres do arquipélago de Cabo Verde. Como alojamento, existem umas barracas de lona onde são metidos cerca de 12 presos em cada uma”. A par da falta de condições das instalações, existe também o castigo da Frigideira, uma pequena construção completamente fechada cujas paredes, chão e tecto são constituídos por cimento, que é a pior “dor de cabeça” para qualquer preso. A Frigideira é uma espécie de purgatório. É um antro de cimento onde as almas ‘pecaminosas’ são levadas a “purificar”. Só que muitas delas nunca mais voltam ao “paraíso terrestre de Salazar”.

Com as dimensões de 0.60m por 1.70m de altura, o portão de ferro da Frigideira parece com as portas dos navios. As celas são separadas por portões de ferro semelhantes. O equipamento é construído a uma distância considerável de qualquer outro compartimento da “casa da morte”, para que a sombra não proteja os seus habitantes do calor infernal que lá se faz, ficando permanentemente exposto ao raio solar durante o período diurno. No seu interior, só há dois companheiros: a solidão e o silêncio. Dias e noites a fios, os homens que lá estão apenas “falam” que a chuva que cai, apreciando o som da água que corre da Ribeira Prata para ir alagar os terrenos de Colonato. “Em Cabo Verde, região de clima variável, calha chover bastante nestes anos. A lona das barracas apodrece de tal maneira que lá dentro chove como na rua e de manhã acordamos com a cara negra da poeira que se pega à humidade que sobre nós cai. As águas acumuladas formam pântanos onde se desenvolvem mosquitos transmissores do paludismo. A saúde de todos nós, presos, arruína-se”. Desabafo de quem, durante 16 anos, dormiu na mesma cama que a morte, abraçado por ‘putríficas’ condições higiénicas.

Por outro lado, o quotidiano dos reclusos no Tarrafal é pautado principalmente pelos trabalhos forçados, pelas provocações e castigos de diversa ordem. O contacto com o exterior é escasso, sendo-lhes proibida, frequentemente, a troca de correspondência com os amigos e os familiares. E assim reza a história. Triste história de uma passado que teima em ficar. Os anos passam mas a verdade fica. A verdade da História.

Era um dia como hoje: 29 de Outubro de 1936. O Campo de Concentração do Tarrafal abre as portas. E hoje, um dia como aquele: 29 de Outubro de 2006, a história teima em trazer a verdade. A verdade dos factos. Tarrafal… há 70 anos, abre a porta da morte. E é atravessado por Esmeraldo Pais de Prata, médico Licenciado em “Assassínio”. Chega, entra e diz a sua primeira frase: “não estou aqui para curar, mas para passar certidões de óbito”.


silvino.jpg

Silvino Évora  José Tavares 
Jornalista: Historiador:
jornalmedia@hotmail.com  jsoares78@hotmail.com

* Nota: Esta reportagem foi feita por dois tarrafalenses que amam Tarrafal. A base Científica em que se apoiou foi a tese de Mestrado de José Soares, intitulado: O Campo de Concentração de Tarrafal (1936-1954): A Origem e o Quotidiano. A redacção esteve a cargo do jornalista Silvino Évora, Mestre em Ciências da Comunicação. Em homenagem aos que travaram a Ditadura com o sofrimento, os autores quiseram recordar os 70 anos do “Campo da Morte”.

 

Para fazer download da reportagem em word, clique aqui. Se preferir o ficheiro em pdf, clique aqui.

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36 comentários »

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  1. Uma boa reportagem, que mostra-nos averdade do Tarrafal. Gostei muito.
    Tarrafal

  2. Muito bom, Silvino.

  3. Muito triste, a realidade dura e crua do que foi o “Campo da Morte”.

  4. Muito obrigado a todos pela vossa visita e pelo vosso comentário. Visitem-nos sempre.
    Abraços,
    Silvino

  5. Fico triste em ver que gente formada que se quer, a partida, não falaciosa se influencia por meros depoimentos de gente que não estudou, não investigou o que é, na generalidade um campo de concentração. Um campo de concentração é muito mais do que o Tarrafal. O Tarrafal em nada se assemelha a um Campo de Concentração.

  6. J.M. O mais triste ainda é ver-lhe a armar-se em ‘chico-esperto’ e, sendo consequente com a sua forma de ver as coisas, a meter o pé na poça. O senhor J.M., se fosse tão inteligente assim, teria, necessariamente, que saber que as Ciências Sociais e Humanas podem ser estudadas de muitas formas, sendo que a metodologia que cada um segue, dita o caminho para o resultado que é alcançado. Se o senhor J.M. fosse tão inteligente como tenta fazer crer, saberia que, nos estudos sociais e humanos, poderemos fazer um recorte de um cenário e estudá-lo, uma vez que não é possível estudar a realidade no seu todo. A forma como o senhor se posiciona não deixa qualquer espaço para um estudo sobre o Tarrafal sem estudar, antes, outros campos de concentração. Não é bem assim. Independentemente do que tenha sido os outros campos de concentração, sempre é possível estudar Tarrafal enquanto uma realidade social. Um investigador pode estudar Tarrafal do ponto de vista dos presos que por lá passaram; pode estudá-lo do ponto de vista dos presos que nunca lá estiveram; pode estudá-lo do ponto de vista das famílias dos presos; pode estudá-lo do ponto de vista dos naturais do Tarrafal, do ponto de vista dos cabo-verdianos, dos portugueses, etc., etc. Isto é só para o senhor perceber que há muita forma de se fazer a ciência.
    Olha, se quiser continuar com esse debate, deixo-lhe duas sugestões: 1. Da próxima vez, tenha coragem para identificar-se porque, discutir na sombra do anonimato, é próprio dos cobardes e é sinal de que alguém não quer debater seriamente uma questão; 2. Leia antes o Manual de Investigação em Ciências Sociais, de Luc Van Campenhoudt, Raymond Quivy, uma vez que, no seu comentário, ficou claro alguns sinais da sua inabilidade para compreender as questões de investigação científica em Ciências Sociais e Humanas (não venha me dizer que o livro que lhe indiquei é válido para Ciências Sociais e que a História é do domínio das Ciências Humanas porque serve para os dois campos científicos e, na Europa, a obra é uma referência nas várias Faculdades Sociais e Humanas. Portanto, se o senhor não ler, só posso concluir que é um preguiçoso).
    Quando quiser um debate sério, tem aqui um interlocutor.
    Silvino Évora

  7. […] mais voltam ao “paraíso terrestre de Salazar”.O texto completo, que recomendo, aqui.Alguma informação no Centro de Documentação 25 de Abril—Encontrei […]

  8. caro, Silvino, é com muita satisfação que li e apreciei o seu estudo , sobre aquele que foi o pior dos pesadelos para muitos portugueses que por lá passaram durante o regime de salazar. infelizmente tratou-se dum estudo sobre o verdadeiro inferno na terra, mas ao qual não devemos ignorar e com ele aprender que fazemos parte da história do mundo e que também tivemos o nosso nome manchado, tal como o de hitler , mussulini e outros como eles. continue a divulgar o seu trabalho. um abraço.

  9. Só mais um pequeno reparo: não devemos perder tempo nem sequer gastar a nossa sabedoria com individuos como esse sr. “J.M”, pois com o comentário que fez só provou ser portador de uma ignorancia infinita, e deve ser daqueles que se sente revoltado por ser-mos um pais livre e que chora de saudades do salazar. pois então se o tarrafal não era um campo de concentração, o que era afinal? uma colonia de férias com mas condições? deixo a pergunta no ar. UM abraço

  10. Minhas felicitações pelo trabalho,é com muito gosto que lí e apreciei este trabalho que me deu a conhecer mais pontos sobre o que passou no campo de concentração de tarrafal,este assunto sempre me despertou muita curiosidade porque o meu avô paterno de origem Portuguesa foi um dos presos na época em Tarrafal,deportado para Cabo-Verde visto que era um dos anarco-sindicalistas…mais uma vez parabens e obrigado

  11. Desde já, agradecia ao Ricardo Morais e à Mónica Costa pela vossa visita e pelo comentário que deixaram aqui sobre o trabalho relativo ao Campo de Concentração do Tarrafal.
    Ricardo, queria esclarecer-lhe que a tese de Mestrado sobre o Campo de Concentração do Tarrafal é da autoria do meu colega José Soares, que já publicou o trabalho em livro, pelas mãos das Edições Colibri. Eu apenas aceitei o desafio dele e elaborei essa reportagem sobre o tema, como forma de assinalar os 70 anos de abertura da Colónia Penal.
    Um abraço a todos,
    Silvino Évora

  12. Ola! meu nome é Clara e eu sou italiana, tenho 31 anos e vivo em Genova. Tenho muitos amigos em Saotiago e visitados 2 vezes este Campo com meus amigos de Chao Bom.
    Eu tenho que confess que nenhum em italia sabe que há um campo de concentracao no Caboverde, quando eu soube este eu quis visitá-lo. Fui muito emocionante….
    A última vez eu estava lá em julho 2007, là eu comprei o livro “O campo de concentraçao do tarrafal: a origem e o quotidiano” e agora eu sou leitura ele. Penso que este livro é testemunha muito interessante e trabalho maravilhoso da pesquisa.
    E’ importante lembrar o passado a fim evitar os mesmos erros no futuro.

    Um abraço
    Clara Ugricich (Italy – Genova)

  13. Olá Clara,

    É muito bom saber que tens fascínio para a história do nosso povo, assim como também, eu, gosto muito da Itália e dos balanços emocionantes que contornam a língua italiana. Eu acho que tens muita razão naquilo que dizes. Há muitos italianos que vão para Cabo Verde, sobretudo para Sal e Boa Vista, mas estes passam à margem do Campo de Concentração do Tarrafal. Aqueles que nunca foram a Cabo Verde, acredito que muito pouco sabem sobre isso. Olha que os portugueses que nos colonizaram durante quase meio século não sabem quase nada sobre a nossa história. A maioria dos jovens portugueses não te responde quaisquer outras perguntas sobre Cabo Verde, a não ser para te dizer que é uma antiga colónia portuguesa ou a terra dos pretos que invadem as ruas de Lisboa. Pouco mais saberá dizer sobre Cabo Verde. Olha que até há quem me pergunte: mas como é que tu, da terra dos pretos, consegues falar português? Onde é que aprendeste? Isto mostra um desinvestimento quase total dos Estados europeus para com a sua história, enquanto potência colonizadora, e mostra o estado caótico em que a cabeça dos jovens se encontram em relação à cultura nacional e geral e em relação à própria história do país. Afinal, história da colonização é história dos que foram colonizados, mas também daqueles que colonizaram. Por isso, não estranhe muito que na Itália muita gente não saiba que existiu um Campo de Concentração em Tarrafal.

    Olha, não vou me alongar mais. Fico por aqui. Peço desculpas se não fiz o esforço que fizeste para escrever na tua língua.

    Um grande abraço,

    Adorei o contacto.

    Silvino Évora

  14. Não quero dizer mais nada. o que tinha ou tínhamos para dizer já foi dito. Só me resta agredecer ao meu colega Silvino.
    Como autor do Livro o Campo de Concentração do Tarrafal(1936 – 1954): A Origem e o Quotidiano, fico contente por saber que existem pessoas que preocupam com aquilo que os outros fazem.
    Para o tal covarde J.M os meus sentimentos!!! pela sua frustação. Para Clara Ugricich (Italy – Genova) os meus agradecimentos.
    Clara, fico a espera a sua terceira vista à Cabo Verde, Tarrafal.
    Neste momento estou no Tarrafal, mas não como preso um desterrado político, mas sim como um jovem natural do Tarrafal, Chão Bom, que muito quer contribuir para valorização da nossa História, do nosso Património e do Tarrafal.
    José Soares

  15. Já visitei o Tarrafal mas como as palavras de um jornalista são melhores que as minhas aqui deixo as de Francisco Balsinha:
    “Por motivos profissionais estive até ontem em Cabo Verde e durante a estadia fui levado por amigos à Vila do Tarrafal.
    Como era enevitável, visitei o antigo campo de concentração fascista do Tarrafal.
    Ali está patente ainda hoje a natureza terrorista do regime felizmente deposto em Abril de 1974.
    Naquele local pude constatar como eram as instalações e imaginar a maneira como foram tratados os heróicos portugueses que tiveram a coragem de lutar contra tão ignominioso regime.
    A história portuguesa do século passado ainda está para ser escrita, para que todos os portugueses tenham consciência do que foram os 50 anos de ditadura que o nosso país viveu.
    Devemos isso a nós próprios, mas devemos também à nossa juventude e, sobretudo, aos milhares de homens e mulheres que foram presos, torturados e mortos pelos instrumentos do regime Salazarista.
    Parabéns a todos aqueles que, como São José Almeida, têm a coragem de não deixar esquecer alguns episódios da história e da luta antifascista em Portugal.

    Afixado por: Francisco Balsinha em março 7, 2004 10:04 PM

  16. Só hoje “dei” com o vosso artigo e, gostei. Sou uma portuguesa radicada na Alemanha que, infelizmente perdeu o avo no ano de 1941, no Tarrafal.
    Os meus parabens pelo vosso bom trabalho. Quanto aos “descrentes”, costuma dizer-se:” os caes ladram e a caravana passa”.
    Um abraco

  17. Uma critica deve ser feita se houver motivos para tal, mas sempre de uma forma construtiva, neste caso fiquei incomodado com o post de J.M. que me pareceu vindo de alguém com culpa no cartório.
    Também concordo que a maior parte de nós Portugueses nem sequer imagina o que aconteceu nas ex-colónias durante o período Salazarista, creio que deve ter sido tão mau ou pior do que aconteceu em Portugal, em que todos tinham medo da própria sombra, mas não posso concordar com o post que deixou à clara (Olha que até há quem me pergunte: mas como é que tu, da terra dos pretos, consegues falar português? Onde é que aprendeste? ) não conheço ninguém que faça este tipo de afirmações,uma coisa é não saber o que se passou (e aí admito a minha ignorância), outra coisa é perder o bom senso e achar que aqui em Portugal também somos estúpidos. (se estava a falar de alguém em particular, não devia generalizar)
    Independentemente do Post acho que este trabalho está muito bom e fiquei até com vontade de ler o livro, e talvez um dia consiga fazer-vos uma visita em Cabo Verde.
    um abraço.

  18. fizeram todos um bom trabalho e devem estar orgulhosos disso porque fizeram desportar muitas pessoas pelo caso e fizeram nas ver esse problema com outros olhos

  19. Há uns bons anos fui vogal (ou talvez consoante) do Conselho Legislativo. Assim, numa das legislaturas, o Governador presenteou-nos com uma visita ao Tarrafal em que estranhamente só ele e mais alguns “figurões de cabreste” puderam entrar para lá dos muros. Isso foi para mim uma decepção porque pôs uma barreira à minha curiosidade, além de aumentar ainda mais a suspeita de que coisas estranhas pudessem existir naquele lugar. Passadas algumas décadas, o artigo agora publicado foi-me certamente bastante esclarecedor. Mas por esclarecer está ainda a diferença entre uma penitenciária e um campo de concentração. No Tarrafal constatei que pelo menos naquele dia a guarda era constituída por militares em vez de carcereiros civis. Ao toque do sentido toda a gente teve que sair dos carros para assistir à continência ao Governador, em tudo semelhante ao que se passa nos quartéis. A ideia que tenho de um campo de concentração é a de um lugar para onde são enviados presos, sejam eles de qualquer foro, em número tal que excederia em muito a capacidade dos estabelecimentos prisionais habituais. Para mim,Tarrafal foi realmente isso.

  20. […] Sobre o campo de Tarrafal: ” Decreto-Lei número 26: 539 de 23 de Abril de 1936, que surgiu no âmbito da reorganização dos serviços prisionais, que passa a certidão de nascimento à “Colónia Penal”. Não se trata de uma prisão qualquer. É um verdadeiro Campo de Concentração, construído com o objectivo de (des)“amparar” os indivíduos sobre os quais recaem “penas especiais”, tendo em conta o teor do Decreto-Lei número 26:643 de 28 de Maio de 1936, que reorganiza os estabelecimentos Prisionais. Os parágrafos 1 e 2 do artigo 2 do Decreto Lei 26:539 de 23 de Abril de 1936 não nos enganam. Dizem-nos que a “Colónia da Morte” serve para receber os presos políticos e sociais, sobre quem recai o dever de cumprir o desterro, aqueles que internados em outros estabelecimentos prisionais se mostram refractários à disciplina e ainda os elementos perniciosos para outros reclusos. Também o documento abrange os condenados a pena maior por crimes praticados com fins políticos, os presos preventivos, e, por fim, os presos por crime de rebelião. (Fonte: O Campo de Concentração do Tarrafal : a verdade dos fatos). […]

    • Diga-me o que aprendeu com a Democracia?

  21. Sou luso-descendente, meu Pai é Portugues.
    Veio para o Brasil com 19 anos,em 1957, fugindo de um regime que nada tinha a oferecer aos jovens.
    Sempre nos falou da insegurança, dos horrores da Ditadura da PIDE e o medo que pairava sobre a população, pois qualquer um poderia fazer uma denuncia, fosse fundamentada ao não, e o cidadão denunciado era preso.O que acho impressionante é que vim a conhecer a historia do Campo de Concentração em Tarrafal,só após ler o livro TREM NOTURNO PARA LISBOA. Porque a mídia mundial faz questão de divulgar apenas os campos de concentração da Alemanha Nazista? E o sofrimento e os horrores também sofridos por portugueses,italianos, espanhaois, coreanos, japoneses, não contam, não merecem ser lembrados? E a bomba atomica soltada em Hiroshima e Nagazaki após decretado o fim da 2ªGuerra? essa ferida do povo japonês é menor que de outros povos????

    • por favor julia maria quiero saber si en el verano del 85 u 86 estuviste veraneando con tus hermanas en camboriu y nos conocimos mi nombre es sergio durand de argentina. me podes escribir por el facebook o videosidera@gmail.com

      • Olá, Sergio!
        Enviei um email para você.
        Júlia

  22. sim eu quando loi os trexos que falam da vida das condicoes precarias que os presos eram submetidos fiquem chocada com aquilo tudo e refleti o quandto a raca humana pode ser desumanna ao ponto de masacrar a sua propria especie, isto é deprimente

  23. O que mais me imprisionou foi a frase do médico Esmeraldo Pais Pratas, que dizia o seguinte: “Nao estou aqui para curar, mas para passar certidoes de óbitos””, e ele um dos maiores responsaveis pela morte de muitos preos.Eu li num livro intitulado”O Pantano da morte”, em que havia uma frase dita pelo mesmo médico que dizia o seguinte “em vez de seis podia muito bem ter passado 15”, isto referia ao número de certidoes de óbitos que ele fazia questao de passar.Sinceramente eu nao sei que nome se dá a esse acto, para isso nao há nome se é assim que podemos dizer.

  24. Muito boa a reportagem!!!

  25. Viva a Salazar
    Sieg Heil
    Portugal NN

  26. Muito bom o artigo. Muitos parabéns e um muito obrigado por dar a conhecer a triste realidade daqueles tempos. Sou um mero curioso, e confesso que dos meus 31 anos nunca me tinha informado acerca deste campo, apesar de conhecer o Tarrafal “de nome”. Perdoem-me a minha ignorância…e obrigado Silvino Évora.

  27. Começo por endereçar meus parabens ao Autor, Silvino Évora.
    Não aprovo os métodos dos Campos de Concentração. Porém importa dizer que há no meio de tudo isto muita ficção.
    No meio de tudo isto, há muita gente que o que lhes interessa é mandar tudo para cima das costas do Estadista que foi Salazar.
    Importa dizer que, quem terminou com o Campo do Tarrafal foi, precisamente, Salazar que, importa também dizer, após o Tarrafal, mudou de métodos…
    A partir daí, dedicou-se o estadista a mandar os dissidentes para ixilios dourados, pagos com os impostos de todos os portuguêses. Vejam bem como são as coisas.
    Tanta imensidão de mortos. Onde foram sepultados?! – Haveria tanta terra para os “milhares de sepultados”?
    Se não sepultaram, que fizeram aos corpos?-Canibalizaram-se?
    Senhores investigadores… Continuem a estudar… A procurar. Verão que aínda vão descobrir coisas fantásticas. Pônham tudo em cima das costas do “Ditador”. Como já morreu à muito, já não têm de quem ter mêdo.

  28. gostei imenso do trabalho e vai me ajudar bastante na realizaçao do meu projeto, que é sobre cidade velha e campo de concentraçao de tarrafal, obrigado e espero a sua colaboraçao perante isso.

    emanuel cabral, portugal évora- cabo verde praia.

    • eu sou emanuel cabral aluno de cinema em portugal, estou no final do meu curso, e tenho que apresentar o meu projecto. Fui para cabo verde fazer imagens de campo concentraçao e de cidade velha, e queria algumas informaçoes acerca desses dois monumentos de forma a que eu possa fazer um excelente trabalho, por isso queria a sua colaboraçao, fico aguardando a tua resposta.

      • si quizeres saber mais informaçoes eu tenho um livro de informaçoes sobre campo de conçentraçao qui possa ti ajudar na sua investigaçao sou cabo verdiano e rezidente em chao bom tarrafal mais agora estou em carvalhais tirar uma formaçao profissional

  29. eu estou no 2º ano da licenciatura de historia e esta reportagem ajudou me imenso num trabalho de curso acerca da colónia penal do tarrafal. Tenho uma paixão muito grande por Cabo Verde pois é a minha terra natal!! Parabéns pelo fantástico trabalho

  30. quantos presos ao todo passaram por la

  31. Li com muita atenção a vossa reportagem escrita sobre a Colónia Penal do Tarrafal.
    Pois é umas das mais belas que já li sobre o Tarrafal.

    Hoje faz falta não um Tarrafal mas sim uma dúzia deles, assim Retomamos a educação que se perdeu com a liberdade que o Povo recebeu depois do 25 de Abril.
    Voltar ao passado não mas voltar a ter educação e respeito pelos outros sim,é o que faz falta à Democracia.

    Portugal está perdido.

    FernandoNGracio
    Lisboa


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