2006: Marcos da História e Acontecimentos Fora da Rotina

Dezembro 28, 2006 às 5:26 pm | Publicado em Ponto de Vista | 10 comentários

Silvino Évora
Jornalista
jornalmedia@hotmail.com

 

ESTE ARTIGO TAMBÉM PODE SER LIDO NO TARRAFALNAZONA.

É normal, quando termina um ano, olharmos para trás para vermos o que correu bem e o que correu mal, o que permaneceu e o que mudou. Confesso ser meu hábito fazer este exercício mental, não olhando só para a esfera da minha vida privada, mas abrangendo uma escala que, por vezes, toma uma dimensão global. Entretanto, este ano resolvi fazer este exercício, através da palavra, tentando fazer com que a locução recupere alguns momentos importantes por que atravessamos e certos episódios que marcaram a nossa vivência, mesmo que não tenham tocado a todos nós, da mesma forma.
Entretanto, nenhuma análise do curso de um ano civil pode ser honesta se não for levada em consideração, episódios a montante, que têm vindo a marcar a história da humanidade. Lembro-me, por exemplo, dos acontecimentos de 11 de Setembro de 2001 que, ao tirar véu à fragilidade da maior potência do mundo da actualidade, acentuou as rivalidades entre o mundo ocidental (e ocidentalizado) e o ‘outro’. A palavra ‘outro’ seria uma expressão inócua, se não encerrasse um conjunto de contradições à forma globalizada, para não dizer ‘americanizada’, de viver, em que os valores da vida e da morte são avaliados com bitolas diferentes.
Tendo em conta a geopolítica global, alguns acontecimentos nivelam o nosso ângulo de visão, como, por exemplo, a primeira vez que Fidel Castro deixou a cadeira do poder, ainda que seja para o seu irmão. No pouco tempo que Raul Castro tem estado no comando do país, tem dado sinais de diálogo com a comunidade internacional, mais concretamente com os EUA, o que, a consolidar, será uma válvula de escape para o marasmo económico em que Cuba se vê envolvida, ao longo de décadas, decapitando toda a sua economia e conduzindo o país à beira de um precipício. No Iraque, o ano 2006 serviu para mostrar aos Estados Unidos a importância da palavra socialização, em vez de sobrevalorizar da militarização. Ganharam a batalha militar, quando tinham os aviões no ar a destruir aquilo que chamavam de alvos estratégicos e que mais tarde revelou-se na destruição de bibliotecas raras, algumas preciosidades da História e a própria população inocente, que o único pecado que tinha cometido era respirar o oxigénio que Deus pôs no ar. Por outro lado, o Líbano acordou, em 2006, numa realidade que desejou ser pesadelo: o recuo de 20 anos atrás em termos de desenvolvimento económico, devido à ‘invasão israelita’, apadrinhada pela maior potência da actualidade. Portanto, o ano 2006 não trouxe nada que abonasse o Médio Oriente, que continua mergulhado num mar de conflito.
Em Cabo Verde, as coisas continuaram quase na mesma. O acontecimento mais importante é o embate eleitoral do princípio do ano, que recolocou José Maria Neves no poder, enquanto Primeiro-Ministro da nossa República, reforçando a sua maioria absoluta. Pedro Pires também assegurou o seu lugar de Presidente da República, por mais cinco anos. Devemos lembrar ainda o ‘ressurgimento’ da UCID, que conseguiu garantir dois dos 72 lugares na Assembleia Nacional, ocupando um lugar confortável (tendo em conta a dimensão do partido) de terceira maior força política do país. Mas, as eleições de 2006 deixaram-nos alguns sinais preocupantes. Trata-se de algo semelhante ao chamado ‘fenómeno banho’, em São Tomé e Príncipe, mas com a sua agravante. É que, no caso do ‘banho são-tomense’, regista-se a compra de votos, sendo que as pessoas mais pobres acabam por hipotecar a sua liberdade de pensamento e de escolha, ‘vendendo a sua consciência’. No caso de Cabo Verde, parece ser muito mais uma ‘banhada’ do que propriamente um ‘banho’. Para quem é cabo-verdiano, acho que não terá grandes dificuldades em perceber o que é uma ‘banhada’. Mas, para quem não sabe, passo a explicar: em Tarrafal, pelo menos há uns anos atrás, uma ‘grande banhada’ era um grande roubo. Sim porque, tanto as eleições presidenciais como as legislativas acabaram na barra dos tribunais por causa da possível introdução de votos falsos nas urnas e nomes duplicados na base de dados da Direcção Geral da Administração Eleitoral. O caso é sério, em todas as formas de que pode revestir-se: caso tenha havido fraude eleitoral, deve-se tomar todas as medidas para que não caminhemos para uma espécie de ‘democracia fantoche’, coberta por camadas de ditadura; se for tudo inventado, creio que os ‘inventores’ devem ser chamados à razão para prestarem contas públicas, uma vez que a difamação deve ser dirimida de entre as formas de luta política. Devemos recordar ainda que o ano 2006 foi a altura em que a barragem de Poilão recebeu a sua primeira bênção divina, proporcionando aos cabo-verdianos uma visão única. Um outro passo de grande importância para o crescimento e a afirmação do nosso país, foi dado, neste ano que vai terminar: trata-se da criação efectiva da Universidade de Cabo Verde, a primeira Universidade pública deste nosso pequeno país insular. A par disso, destacamos ainda a elevação de um cabo-verdiano ao cargo de Reitor da primeira Universidade do país (Jorge Sousa Brito: Universidade Jean Piaget de Cabo Verde). Estes acontecimentos são muito importantes, não só para a consolidação do ensino superior e da investigação científica no país, como também para a interacção dos cabo-verdianos com o próprio sistema de ensino superior que está a ser arquitectado no país. O ano 2006, por outro lado, acaba por ser o ponto de viragem no domínio da comunicação social cabo-verdiana. São vários os motivos. As parabólicas foram espalhadas por todas as aldeias, permitindo uma retransmissão dos sinais de canais internacionais que se traduziram numa violação grosseira aos direitos internacionais de sinais televisivos. Facilmente, houve quem ajeitasse as emissões internacionais a uma espécie de canais privados de televisão, começando a surgir televisões ‘quase-piratas’, que tiraram o pouco brilho que a TCV tinha nos vários locais onde propagavam os seus sinais. Confrontado com a falta de licença para a transmissão privada, o Governo sentiu-se obrigado a lançar um concurso público para a atribuição de licenças, no qual se apresentaram seis concorrentes, todos com condições reais para montar uma verdadeira estação televisiva.
Por outro lado, os próprios profissionais da comunicação social, inconformados com a qualidade de serviço que andam a prestar aos cabo-verdianos, resolveram sentar-se à mesma mesa para analisar uma possível mudança. Mais vale tarde do que nunca. A agregação dos jornalistas cabo-verdianos à Federação Internacional dos Jornalistas (FIJ), passando os profissionais cabo-verdianos a ter direito à carteira internacional de jornalista, também marca o ano 2006. Por outro lado, destacamos ainda a instituição da Comissão de Carteira Profissional no país e algumas outras mudanças, que, a continuar, podem vir a melhorar a comunicação social, em Cabo Verde.

Partindo do global, tínhamos que chegar à nossa aldeia. Em 2006, Tarrafal conheceu episódios que podemos considerar de positivos e outros que são claramente negativos. Em primeiro lugar, a assinalação dos 70 Anos da Abertura do Campo de Concentração do Tarrafal. Trata-se de um acontecimento de grande importância, não só para a História local, como para a História cabo-verdiana e portuguesa. Esta assinalação aconteceu quase na mesma altura em que o Governo decidiu declarar o Campo de Concentração como um património nacional. É um reconhecimento mais do que merecido, se levarmos em consideração a importância desse pedaço de Tarrafal para a compreensão de forma como, ao longo de um certo período de tempo, o homem se relacionava com os seus semelhantes.
A Câmara Municipal conseguiu arrecadar cerca de 150 milhões de escudos com a venda da sua percentagem de acções na Sociedade Cabo-verdiana de Tabacos, planeando usar o montante na requalificação do Concelho, incremento da educação e apoio social aos menos favorecidos. Uma óptima ideia, uma vez que para além de haver muitas famílias que passam por momentos de aperto, também é necessário dar uma nova cara à nossa Vila, que se quer uma grande aldeia turística na ponta norte da Ilha de Santiago. Um filho de Tarrafal foi nomeado Embaixador de Cabo Verde em Portugal, abrindo espaço para que um outro filho da terra chegasse ao Parlamento nacional; dois filhos de Tarrafal concluíram o nível de Mestrado, alcançando a classificação máxima para este grau académico; o grupo de batuque Pó di Terra granjeou aplausos nos palcos do mundo, depois de ter lançado o seu primeiro CD, que deu uma nova roupagem ao batuque tradicional de Cabo Verde.
Por outro lado, não podemos esquecer do acidente de viação que quase reproduziu o desastre de 2005, não fosse mais catastrófico do que o mesmo. Se, em 2005, o acidente mais brutal que houve levou-nos cinco jovens, o de 2006 ceifou vida a nove pessoas. Um acontecimento que nos marca a todos, uma vez que um desastre destes num Concelho pequeno como o nosso toca-nos a todos. Ainda, não deixaremos de destacar o esforço que a equipa do TarrafalNaZona tem feito para viabilizar este projecto, que visa fornecer aos tarrafalenses e aos amantes do Tarrafal uma informação actual sobre o Concelho, a diáspora e o país, não fechando os olhos ao mundo em que vivemos. Normalmente, quando um ano termina, olhamos para trás para vermos o que correu bem e o que correu mal, o que permaneceu e o que mudou. E este ano resolvemos trazer este retrato, que é um recorte dos muitos acontecimentos que romperam as nossas rotinas, marcaram a nossa história e alteraram o nosso dia-a-dia.
A todos, desejo que o próximo ano seja 2007 vezes melhor do que este.  

 

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FELIZ NATAL

Dezembro 23, 2006 às 3:56 pm | Publicado em Sem categoria | 4 comentários

A todos os visitantes deste blog, ficam aqui os nossos votos de Boas Festas e que o Natal seja muito feliz. Voltaremos aos posts, em breve.

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Ponto Parágrafo

Dezembro 21, 2006 às 10:08 am | Publicado em Media & Jornalismo | Deixe um comentário

 

DEPOIS DE 48 ANOS DE PUBLICAÇÃO, EIS QUE O JORNAL NOTÍCIAS DA AMADORA PÕE UM PONTO PARÁGRAFO, SUSPENDENDO A SUA EDIÇÃO IMPRESSA. O PROBLEMA TEM A VER COM A FALTA DE PUBLICIDADE, SOBRETUDO DA AUTARQUIA DA AMADORA QUE, SEGUNDO AFIRMOU O DIRECTOR ORLANDO CÉSAR, NUMA ENTREVISTA PARA A MINHA TESE DE MESTRADO, FAZ DE TUDO PARA NÃO COLOCAR PUBLICIDADE NO SEU JORNAL PORQUE NÃO CONCORDA COM A SUA FILOSOFIA EDITORIAL. NO INÍCIO DE 2005, ORLANDO CÉSAR DAVA-ME CONTA DAS GRANDES DIFICULDADES POR QUE O JORNAL PASSAVA. AS PIORES EXPECTATIVAS JÁ SE CONFIRMARAM. A NOTA QUE NOS CHEGOU É CLARA E NELA SE PODE PERCEBER MUITOS FENÓMENOS QUE ATRAVESSARAM O SECTOR DA COMUNICAÇÃO SOCIAL NOS ÚLTIMOS TEMPOS.

 

O Notícias da Amadora suspendeu a sua edição impressa ao fim de 48 anos de publicação. Fundado em 25 de Outubro de 1958, o jornal foi editado durante 16 anos sob o regime de ditadura e outros 32 anos em democracia.
 
A suspensão tornou-se inevitável. A Regimprensa, cooperativa do ramo cultural proprietária do título, considera que é inviável no actual contexto e face às perspectivas futuras assegurar a edição impressa do jornal.
 
Nos últimos dez anos, o sector da comunicação social sofreu alterações profundas. A imprensa regional perdeu a publicidade da constituição de empresas, perdeu a publicidade das grandes empresas e do sector financeiro, e perdeu ou viu reduzida a publicidade da administração central e local.
Simultaneamente, a imprensa paga, em geral, perdeu leitores em consequência do aumento de oferta televisiva, da propagação de publicações gratuitas (jornais diários, semanais e mensais e revistas de grupos económicos e hipermercados) e do recurso à informação difundida na Internet.
Por outro lado, a especificidade informativa regional na Grande Lisboa não confere vantagem, face à ausência de laços identitários e de pertença de potenciais leitores relativamente aos municípios onde residem. Mas também a cultura editorial do Notícias da Amadora, que no passado lhe conferiu distinção e foi um factor constituinte da sua referência, não lhe concede hoje vantagem acrescida.
Os locais de socialização, como escolas e colectividades de cultura e recreio, não incutem o gosto e a necessidade cívica de se estar informado através da leitura de jornais. Também as entidades e organizações estruturantes das comunidades estão hoje divorciadas do fenómeno comunicacional e alheadas do contributo que os jornais acrescentam à formação individual e ao conhecimento da realidade, que esclareçam uma escolha livre.
 
A suspensão da edição impressa do jornal torna mais pobre a cobertura informativa no município de origem e em todos aqueles sobre os quais produzia informação. Muitos factos deixarão de ter existência no espaço público. Muitos acontecimentos serão apenas percepcionados pelos seus intervenientes directos. O desaparecimento de órgãos de comunicação social derroga o direito constitucional de «informar, de se informar e de ser informados».
Mas, além desta, subsistem outras consequências. Perde-se a função escrutinadora e crítica que os meios desempenham na sociedade. Perde-se a especialização informativa regional e local e a sua leitura. Reduz-se o mercado de emprego neste domínio e defraudam-se as expectativas de jovens candidatos à inserção profissional neste sector de actividade.
A responsabilidade que determina estas perdas é difusa. Mas ninguém se pode eximir à sua quota-parte de responsabilidade nesse desfecho. Quer seja intencional quer seja por omissão. A suspensão da edição impressa do Notícias da Amadora assume maior relevância atendendo ao papel que o jornal desempenhou na luta pelas liberdades democráticas.
 
Orlando Gonçalves, que dirigiu o jornal durante 31 anos, deu forma e impulsionou a partir de 1963 um projecto editorial ímpar na imprensa. Um projecto plural que congregou centenas de colaboradores e jornalistas e lhe conferiu a sua matriz identitária. O espólio editorial do jornal, a sua cultura editorial e o percurso percorrido fazem com que o Notícias da Amadora seja património nacional.
Para que esse património seja salvaguardado e preservada a memória de resistência à ditadura e a da construção de uma nova escrita jornalística em liberdade, a Regimprensa está a envidar esforços para superar a crise que afectou o jornal nos últimos dois anos. Quer preservar o património editorial do Notícias da Amadora e manter o sítio do jornal na Internet.
Pretende proceder à sua reestruturação e torná-lo num espaço que acolha artigos de actuais e novos colaboradores, que inclua informação cultural e de agenda e que seja ainda enriquecido com novos conteúdos de edições impressas passadas.  
 
A Regimprensa e o Notícias da Amadora agradecem o apoio e solidariedade que os assinantes e leitores sempre prestaram ao jornal. A eles se destinou o trabalho produzido durante 48 anos. 
 

Orlando César

Director do Notícias da Amadora

Praia tenta reorganizar as políticas de comunicação

Dezembro 21, 2006 às 9:56 am | Publicado em Media & Jornalismo, Política | Deixe um comentário

O Conselho de Ministros estará reunido hoje numa sessão que pretende discutir a proposta de Lei que vem alterar a Lei da Comunicação Social, nº56/V/98.Por outro lado, será apreciada a lei que aprova os estatutos da actividade de jornalista e o Decreto Regulamentar que aprova o contrato de concessão de serviço de Comunicação Social.

I Encontro dos Jovens Investigadores Cabo-verdianos arranca em Lisboa

Dezembro 21, 2006 às 9:50 am | Publicado em Comunicação e Sociedade | 13 comentários

fotoVai ter lugar, hoje e amanhã, na Universidade Nova de Lisboa, o I Encontro de Jovens Investigadores Cabo-verdianos, cujo programa passamos a apresentar:

“A Juventude e a Promoção da Cultura de Investigação”
Universidade Nova de Lisboa, FCSH – Portugal

Dia 21 de Dezembro (Quinta Feira) – Auditório 1 (Torre Principal)

9:00 – Recepção dos Participantes e Entrega da Documentação do EJIC
9:10 – Cerimónia de Abertura do Encontro de Jovens Investigadores Cabo-verdianos
– Professor Doutor João Sáagua – Director da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.
– Dr. Arnaldo Andrade – Embaixador da República de Cabo Verde em Portugal.
– Dr. Mário de Carvalho – Presidente da União de Estudantes Cabo-verdianos em Lisboa.
9:30 – I Painel: Ciência, Tecnologia e Inovação I
Moderador: Mestre Isabel Lopes Ferreira (Doutoranda na UNL).
– Evanilda Tavares (FCT-UC), Técnicas de Imunohistoquímica e o Diagnóstico do Cancro.
– Maria do Rosário Varela (FMH-UTL), Lesões Músculo-Esqueléticas da Região Dorso Lombar da Coluna Vertebral.
– Juscelino Almeida Dias (LAMSADE-U. Paris/IST-UTL), TriClas: Um Sistema de Apoio à Decisão para Classificação Ordinal.
– José Custódio Lopes (U. Algarve), Astronomia e Astrofísica.
– Debate e Discussão.

11:15 – II Painel: Migrações, Identidade e Transnacionalismo

– Moderador: Professora Doutora M. Margarida Marques (SociNova, FCSH-UNL).
– Francisco Carvalho (IMISCOE, SociNova, FCSH-UNL), Da Noção de “Descendentes de Caboverdeanos”.
– Kátia Aline Cardoso (CES-UC), A Diplomacia Cabo-verdiana e a Diáspora.
– Carlos Elias Barbosa (CES-UC), As Múltiplas Referências entre os Descendentes de Cabo-verdianos.
– Sheila Carvalho de Oliveira (FCSH-UNL), Migração/Paz: Cabo Verde na Rota da Mão-de-Obra Migrante.
– Debate e Discussão.

14:30 – III Painel: Sociedade e Território

– Moderador: Professora Doutora Margarida Pereira (e-GEO, FCSH-UNL).
– Carlos Tavares (FCSH-UNL), O Ordenamento e a Gestão do Território em Cabo Verde – Constrangimentos e Desafios.
– Francisco Pereira (FCSH-UNL), Os Sistemas de Transportes e Acessibilidade no Contexto do Desenvolvimento dos Pequenos Territórios Insulares – o Caso de Cabo Verde.
– Amilton Moreira (FL-UL), A Importância da Geodiversidade na Conservação Natural.
– Carlos Alves dos Santos (ISCTE), A Qualificação Sócio-Urbanística do Bairro do Alto da Cova da Moura: A Voz da Comunidade Local.
– Debate e Discussão.
16:15 – IV Painel: Colonialismo e Pós-Colonialismo
– Moderador: Professora Doutora Cristina Montalvão Sarmento (FCSH-UNL, ISCPSI).
– Eurídice Monteiro (FE-UC), Feminismos e Pós-Colonialismos no Limiar do Século XXI.
– José Manuel Soares (FCSH-UNL), O Campo de Concentração de Tarrafal (1936-1954). A Origem e o Quotidiano.
– Victor Baptista de Barros (FL-UC), Para uma Leitura Pós-Colonial das “Sombras” da Claridade.
– Ivone Centeio (FL-UC), A Mestiçagem Cabo-verdiana na Contemporaneidade.
– Debate e Discussão.

Dia 22 de Dezembro (Sexta-Feira) – Auditório 1 (Torre Principal)

10:00 – V Painel: Ciência, Tecnologia e Inovação II
– Moderador: Professora Doutora Margarida Fernandes (FCSH-UNL).
– Jailson Tavares de Pina (FF-UC), Determination of Water-Soluble Vitamins in Beverages.
– Adalberto Vieira (U. Aveiro), Aplicação de Técnicas Hifenadas para Caracterização da Aguardente de Cana-de-Açuçar de Cabo Verde.
– Osvaldo Barros (FCT-UC), Theoretical Dynamics Study on ClO3 System: The Cl+O3, ClO+O2 and O+OClO Atmospheric Reactions.
– Albertino Brito Goth (FCT-UC), Alquilação Enantiosselectiva de Aldeídos.
– Debate e Discussão.

11:45 – VI Painel: Sistemas Políticos e Relações Internacionais

– Moderador: Professora Doutora Fátima Monteiro (Harvard University, ULHT, CEsC).
– Nilton Fernandes dos Reis (FD-UL), A Regra da Maioria em Democracia.
– Eurídice Monteiro (FE-UC), Mulheres e Democracia: Uma Análise das Relações de Sexo no Poder Político em Cabo Verde.
– Odair Bartolomeu Varela (CES/FE-UC), A Encruzilhada da Defesa e Segurança no Atlântico Médio: Cabo Verde entre a “Espada” da NATO e a “Parede” Africana?.
– Suzano Costa (FCSH-UNL/ICS-UL), Cabo Verde e a Integração Europeia: A Construção Ideológica de um Espaço Imaginário.
– Debate e Discussão.

14:30 – VII Painel: Educação, Cultura e Desenvolvimento

– Moderador: Doutor André Corsino Tolentino (FPCE-UL, Consultor do Banco Mundial).
– Arlinda dos Santos Cabral (FCSH-UNL), A Educação, o Primado da Competência e a Aprendizagem ao Longo da Vida – a Nova Forma Necessária Ser na Actualidade.
– Clara da Luz Spencer (FE-UC), A Dádiva em Cabo Verde.
– José Manuel Sanches (FL-UL), A Morte e a Determinação da Subjectividade.
– Debate e Discussão.
16:15 – VIII Painel: Dinâmicas Sociais e Desenvolvimento Sustentável
– Moderador: Professor Doutor João Estêvão (ISEG-UTL).
– Manuel Alector Ribeiro (U. Algarve), Desenvolvimento Turístico Sustentável em Ilhas.
– Mateus Costa (FSCH-UNL), Que Modelo de Desenvolvimento Turístico para a Ilha de Santiago/Cabo Verde?
– Rosa Pereira (U. Aberta), A Intervenção Comunitária em Contexto Migratório. O Caso da Intervenção de Médicos do Mundo – Portugal (MdM-P).
– Max Ruben Ramos (ICS-UL), Uma Reflexão Antropológica sobre a Prática do Batuque no Contexto Migratório Lisboeta.
– Debate e Discussão.
17:45 – Encerramento do Encontro de Jovens Investigadores Cabo-verdianos (EJIC).

– Sessão Permanente de Exposição de Posters Temáticos

– Cecílio Mendes Pires (IHMT/CMDT-UNL), Estudo de Prevalência e Caracterização Epidemiológica das Hemoglobinopatias nas Mulheres de um Centro de Saúde da Praia.
– Osvaldo Barros (FCT-UC), Theoretical Dynamics Study on ClO3 System: The Cl+O3, ClO+O2 and O+OClO Atmospheric Reactions.
– Albertino Brito Goth (FCT-UC), Alquilação Enantiosselectiva de Aldeídos.
– Cecílio Mendes Pires (IHMT/CMDT-UNL), Valores dos Parâmetros Clássicos usados na Avaliação e Diagnóstico das Hemoglobinopatias: Análise Comparativa das Metodologias Utilizadas.
– Jailson Tavares de Pina (FF-UC), Determination of Water-Soluble Vitamins in Beverages.
– Evanilda Tavares (FCT-UC), Técnicas de Imunohistoquímica e o Diagnóstico do Cancro.

Universidade de Coimbra cria Provedora para estudantes dos PALOP

Dezembro 21, 2006 às 9:40 am | Publicado em Comunicação e Sociedade | 3 comentários

ALGUM SINAL DE DIÁLOGO COM OS ESTUDANTES AFRICANOS DE LÍNGUA PORTUGUESA É DADO EM COIMBRA, ONDE O NÚMERO DE REPROVAÇÕES É ALARMANTE ENTRE OS ESTUDANTES AFRICANOS, ESPECIALMENTE OS QUE VÃO PARA AS ÁREAS DA ENGENHARIA, CIÊNCIAS E TECNOLOGIAS. o JORNAL A SEMANA DIZ QUE, João Gabriel Silva, PRESIDENTE DO CONSELHO DIRECTIVO, AFIRMA QUE o elevado insucesso escolar dos estudantes estrangeiros de expressão portuguesa deve-se a serem “confrontados com o sistema de ensino com um nível de exigência muito distinto do país de origem e uma cultura muito diferente da sua”. SERÁ QUE É ESSE O CENTRO DO PROBLEMA? vÊ-SE MESMO QUE ESTE TAL PRESIDENTE NÃO QUER SAIR DO SEU PEDESTAL, PARA DESCER À terrA E COMPREENDER O VERDADEIRO PROBLEMA. UM DOS GRANDES PROBLEMAS É A IDEOLOGIA E A IDEIA FORMADA, EM RELAÇÃO AOS AFRICANOS. HÁ UM PRECONCEITO DE QUE SOMOS INFERIOR, A NÍVEL INTELECTUAL, E ENQUANTO ALGUNS SENHORES QUE SE ACHAM DOUTORES NÃO TIRAREM ISSO DA CABEÇA, NEM 100 PROVEDORAS VÃO RESOLVER esta questão. Conheci, ali, alguns professores que me deixaram com uma sinistra memória. Os critérios de classificação, para alguns senhores, são desiguais. depois, a culpa é só dos alunos e do deficiente sistema de ensino ‘nas áfricas’.  os senhores que ensinam são perfeitos. mil favores…

“A Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, Portugal, apresenta hoje, 21 de Dezembro, a Provedora para os Estudantes Estrangeiros de Língua Portuguesa.
A instituição tem várias centenas de estudantes vindos de países lusófonos, sendo que o maior grupo é oriundo de Cabo Verde.
A provedora, Lídia Cardoso, é apresentada aos estudantes pelas 16 horas no anfiteatro do edifício central da Faculdade de Ciências e Tecnologia.
O objectivo da nomeação da Provedora para os Estudantes Estrangeiros de Língua Portuguesa é identificar os problemas destes alunos e ajudar a resolvê-los junto dos serviços da faculdade”. [
in A Semana]

Cibernauta é escolha da Time para “Personalidade do Ano 2006”

Dezembro 19, 2006 às 9:11 am | Publicado em Comunicação e Sociedade, Media & Jornalismo | 1 Comentário

 Manuel Pinto, professor de Jornalismo na Universidade do Minho, considera que a escolha da revista Time é natural, uma vez que reflecte uma evolução acentuada recentemente. O docente universitário destaca sobretudo aquilo que eu chamaria de ‘Geração You’, que integra o YouTube, a blogosfera, o MySpace, o Hi5, entre outros.

“Acho que é interessante; é um sinal dos tempos. Já não é a primeira vez que a Time não escolhe uma pessoa ou uma instituição. Houve um ano em que escolheu a própria Terra, o planeta, que estava em perigo do ponto de vista ambiental, e desta vez creio que dá visibilidade a um fenómeno novo: a possibilidade de os cidadãos cada vez mais poderem ter voz, através da imagem, da escrita, de suportes multimédia.Esse facto de alguma forma cria uma tensão e um jogo mais complexos com os ‘media’ clássicos, embora esse fenómeno seja muito mais vasto do que o deles: não se reduz ao jornalismo nem sequer aos ‘media’. Trata-se de plataformas novas, serviços novos, possibilidades novas de comunidades de acção individual ou conjunta, de expressão pessoal, e foi a isso que a Time procurou dar expressão”. [Comum On-line]

Biblioteca Cabo-verdiana de Ciências da Comunicação

Dezembro 18, 2006 às 7:07 pm | Publicado em Comunicação e Sociedade | 2 comentários

NÓS MEDIA pretende publicar artigos científicos, textos de ANÁLISE,  INDAGAÇÕES críticas e quaisquer outros documentos que sirvam para construir um pensamento à volta das Ciências da Comunicação em cabo verde

A partir de hoje, NÓS MEDIA começa com a materialização de uma ideia que já vinha povoando as ideias do seu editor, desde há uns tempos. Ainda numa fase bastante incipiente, avançamos com a ideia NÓS MEDIA: Biblioteca Cabo-Verdiana de Ciências da Comunicação. Assim, na página onde eu publicava os meus artigos científicos (que antes tinha como título Publicações), agora vai passar a ser uma ‘biblioteca digital’, onde tencionamos organizar os textos dispersos sobre a comunicação social cabo-verdiana, com o intuito de criar um quadro de pensamento e um suporte teórico à volta da questão.
Nos últimos tempos, tenho sido confrontado com a questão gritante de falta de estudos sobre a comunicação social cabo-verdiana. Alunos que se encontram em vários pontos do mundo a tirar cursos de Comunicação Social, Ciências da Comunicação ou Jornalismo, depois de escolherem temas relacionados com Cabo Verde para desenvolverem, deparam-se com um deserto bibliográfico e quase nenhum estudo que os ajudam a orientar o seu trabalho.
No entanto, acredito que há muita gente com pequenos textos ou pequenos trabalhos sobre a comunicação social cabo-verdiana. Por isso, peço a todos que contribuam com os seus trabalhos sobre a imprensa, o jornalismo e a comunicação social e nós vamos ver se criamos um pequeno espaço onde se pode encontrar alguns dados sobre a imprensa Cabo-verdiana. Chamar uma mini-página dentro de um blog de Biblioteca parece ousado demais, mas o nosso objectivo é começar a cavar este ‘solo’ e construir uma base para algo mais sólido. Quem sabe, daqui a algum tempo possamos ter uma ‘Biblioteca’ melhor. Mas, vá lá. Mandem os vossos textos, em formato Word, para 
jornalmedia@hotmail.com e nós tratamos da conversão para PDF e a respectiva publicação. Deixamos já um exemplo do trabalho que pretendemos desenvolver. Vejam este artigo de Alfredo Pereira que convertemos em publicação NÓS MEDIA: Acerca da Intervenção cívica. O papel da Televisão (II). 

Liberalizar não é destruir o mercado

Dezembro 15, 2006 às 2:22 am | Publicado em Media & Jornalismo | Deixe um comentário

Tenho conversado com algumas pessoas acerca das licenças de emissão de televisão generalista e em sinal aberto em Cabo Verde e a minha convicção é que, se o Governo der seis licenças para operadores de televisão por satélite (uma vez que os seis concorrentes que se apresentaram ao concurso de atribuição de licenças cumpriram todos os requisitos, algumas pessoas estão a pensar que todos vão ter licença de emissão), fazendo um total de sete televisões por satélite (contando com a TCV), será o pior erro para o sector da comunicação (especialmente, o terreno da televisão em Cabo Verde). Mas há quem insista em defender que deve ser atribuído seis licenças e que o mercado irá regular o sector, fazendo desaparecer de cena os mais fracos. Bem, eu não vejo a liberalização do sector da televisão assim. Liberalizar não tem que ser estimular investimentos avultados para depois se traduzirem em fracasso. Dois (no máximo três – que já era muito) certificados de emissão bastam. Não temos mercado que sustente mais do que 3 ou quatro canais em sinal aberto.
Por que resolvi escrever sobre isso hoje? Por uma razão muito simples. O jornal
A Semana, hoje, diz-nos que “a Rádio Comercial está sem energia eléctrica desde as 12 horas de hoje, sendo forçada a interromper as suas emissões. A Electra cortou a luz e deixou ‘muda’ esta emissora, ao que tudo indica por não terem sido pagas duas facturas à companhia de água e luz.Para Carlos Gonçalves, director da estação, esta situação ‘é um escândalo nacional’ e revela a precariedade em que se encontram muitos dos órgãos de informação do país. Com poucos recursos, sobrevivendo num mercado pequeno, e onde faltam também meios técnicos, os órgãos de comunicação social carecem de mais apoios estatais e dos parceiros para o desenvolvimento de Cabo Verde – um assunto que esteve na ordem do dia, no último fim-de-semana, durante o Fórum sobre a modernização e reestruturação da Comunicação Social”. Ora, se algumas rádios já estão a passar por estas dificuldades, em que nem conseguem arrecadar com as despesas da água e de luz, imaginem a entrada de seis canais generalistas e em sinal aberto duma só vez. Só pa quenha qui cabeça ca ta pensa.

… não apita nada!

Dezembro 14, 2006 às 8:13 am | Publicado em Comunicação e Sociedade, Política | 19 comentários

PGR devolveu o ‘Apito’ ao procurador de Gondomar

O título de uma notícia do Diário de Notícias de hoje está muito bem pensado. Segue, de perto, a ‘bandalheira’ em que se tornou a relação entre a política, o futebol e a justiça portuguesa. A parte pior nisto tudo é que há um apito que teima em não apitar. Cada vez mais fica-nos a ideia de que há pessoas que estão acima da lei, contrariando a apregoada máxima jurídica das sociedades de Direito segundo a qual ‘ninguém está acima da lei’. Será que não há ninguém com ar suficiente no pulmão para soprar nesse apito?

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