De CASH OR BODY a KASUBÓBI

Fevereiro 15, 2007 às 3:45 pm | Publicado em Comunicação e Sociedade | 6 comentários

O crioulo é uma língua que tem sofrido muitas influências estrangeiras, até porque, sendo Cabo Verde um país de emigração, há expressões novas que acabam por entrar no vocabulário dos naturais das ilhas. Algumas expressões são usadas tal como no país de origem e outras são ‘crioulizadas’.
Nos últimos tempos, têm sido repatriados, para Cabo Verde, muitos cidadãos nacionais ou “da segunda geração” de cabo-verdianos nos Estados Unidos da América (certos deles, nasceram nos Estados Unidos, cresceram lá e aprenderam a cultura americana e nunca tinham pisado as terras cabo-verdianas antes, pelo que não concordo com este repatriamento, uma vez que são um “produto” da própria sociedade americana) por andarem por maus caminhos, praticando crimes ali e crimes acolá. Chegando em Cabo Verde, os “thuggs”, como são vulgarmente conhecidos na Cidade da Praia, continuam a pôr em prática os conhecimentos que adquiram na terra de Mr. Bush: “CASH OR BODY”. Só que os “thuggs” preferem usar a expressão em crioulo: KASUBÓDI.
Um conjunto de jovens da capital cabo-verdiana mostra-nos, num vídeo de cerca de seis minutos, como funciona o Kasubódi. O vídeo foi disponibilizado no site YouTube e alerta-nos para a situação de vandalismo e criminalidades perpetrada por estes “cabo-americanos”.

 

PODE NÃO SER KASUBÓDI, MAS ESTÁ LÁ PERTO

“O DJ da Rádio Comercial, Djodjo, foi esta tarde esfaqueado dentro das instalações da rádio por um indivíduo. O animador foi encaminhado para o Hospital Agostinho Neto, onde está a fazer exames.
Djodjo saía da rádio para ir almoçar quando um homem, que aparentemente o esperava nas escadas, o atacou com uma arma branca.
O DJ tentou fugir da agressão e correu para uma casa do lado da Rádio Comercial. Aí continuou a ser esfaqueado pelo indivíduo, mesmo em frente da senhora que mora nessa casa onde Djodjo se tentou refugiar. Segundo disse esta vizinha da Comercial ao “asemanaonline”, Djodjo terá levado mais de 30 facadas. Nas escadas da rádio e na casa da vizinha, “da sala, ao quarto, na cozinha”, permanecem agora as marcas do crime, “com sangue espalhado por todo o lado”, contam testemunhas.
Entretanto, apareceu um jovem que com um pau conseguiu impedir que o atacante continuasse a esfaquear o radialista.
A Polícia Judiciária já está no local tentando apurar o que aconteceu, mas o atacante conseguiu escapar.
Em declarações à RCV, Djodjo, que está livre de perigo de vida, diz que o seu agressor deverá “ser um doente mental”. “Aparenta ter 25 anos, é magro e tem a pele clara”, avançou”. [
in A Semana]

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6 comentários »

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  1. Os Estados Unidos nunca repatriaram “cidadãos da segunda geração” porque eles são considerados Americanos logo no primeiro dia de vida. Os que obterem a cidadania depois de ir para os EUA ou os residents permanente é que são repatriados caso cometerem algum crime grave.

  2. Olá Zeca,

    Em primeiro lugar, agradeço-lhe pelo comentário e pelo esclarecimento aqui neste espaço. Confesso que a informação que tenho é de que há pessoas “da segunda geração” que são ‘enviadas’ para Cabo Verde e, sempre fui contra esta política. Já comentei este assunto com muita gente, até porque os Thuggs são uma das grandes preocupações no momento para a capital do país, e também muitos colegas meus têm informação neste sentido.

    Agradecendo o reparo, deixo cá um abraço e espero que volte mais vezes.

    Silvino Évora

  3. Esse video é má publicidade.

  4. Acho que tem uma componente importante, que é sensibilizar as pessoas pela forma como os ‘thuggs’ actuam e para o perigo que acarreta estar, em certos lugares, a certas horas.

  5. Má publicidade? Então deves pensar que o nosso país, principalmente a nossa capital é um paraíso. Engans-te, tal como outros países temos crimes, assaltos, mortos, etc. Não poodemosa fechar os olhos a isso e dizer que é má publicidade, qual má publicidade, é a realidade nua e crua. este video mostra o começo da mudança de comportamentos, há que ver o problema de frente, e não de lado como se tem feito até agora. Tanto os políticos como os cidadãos comuns como nós necessitam de fazer alguma coisa e pelos vistos já se começou a fazer.

    Não se esqueçam da história de amor casual do vídeo, gostei de ver uma “grande” produto da ficção nacional ( não ao nível dos actores, das luzes, da produção, mas em conteúdo)

    Abraços
    Ivan cardoso

  6. Pois é, Ivan. Eu também tenho a mesma visão. Eu sou o primeiro a defender que o TURISMO é o ‘oxigénio’ da ECONOMIA CABO-VERDIANA. Não temos muito com que contar, da natureza, mas temos boas praias, um bom clima e pessoas que sabem receber muito bem (a nossa tal morabeza). Temos que tirar proveito destas poucas condições que estão a nosso favor e fazer uma aposta forte no turismo, para que cresça de forma sustentada e que sustente a economia cabo-verdiana. Por isso, eu fiquei extremamente chocado com o assassinato das duas italianas na Ilha do Sal, tanto porque foram duas vidas humanas que desapareceram e de forma bárbara, como também poderá ser um acontecimento que retrai as apostas no turismo.
    Acho que a nossa vontade de levar a economia para diante por via do turismo não nos deve fechar os olhos para as questões sociais. A criminalidade, na Cidade da Praia, já atingiu proporções preocupantes. E temos que começar a bater nesta tecla até que alguma coisa mude. Senão, aí é que não vai haver desenvolvimento do turismo em Cabo Verde porque chegaremos a um patamar em que ninguém vai mesmo, por medo dos ‘thuggs’. O primeiro passo para um doente se curar é reconhecer a sua doença. Caso não reconhecer que está doente, dificilmente progride no tratamento. A Cidade da Praia está num mau caminho. Todos temos que batalhar por uma cidade mais tranquila e menos perigosa. Creio que é um dever de todos. Mesmo que tenhamos que fazer “má publicidade”.

    Abraços


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