Liberdade de Imprensa e a memória do jornalismo cabo-verdiano

Outubro 17, 2007 às 5:50 pm | Publicado em Media & Jornalismo | Deixe um comentário

“Cabo Verde manteve o 45º lugar no ranking dos RSF sobre a liberdade de imprensa no mundo, o mesmofoto lugar registado no ano passado, com 14 pontos. Cabo Verde situa-se, assim, no grupo dos «bem comportados» ao contrário da Eritreia, que em 1993 se tornou independente da Etiópia, substituindo a Coreia do Norte no último lugar da classificação daquela ONG francesa”. [in A Semana]

Há dois anos atrás, Cabo Verde ocupava 29ª posição no ranking mundial. A queda no ano passado de 16 lugares levou a ministra da Presidência do Conselho de Ministros, Cristina Fontes Lima, a desdobrar-se em explicações para tentar justificar a derrapagem. Na altura, a ministra tinha afirmado que “os critérios são a existência de uma única televisão e estamos em condições claras de melhorar essa situação, já que foram atribuídos novos canais. Estaríamos preocupados que se falasse de limitações à liberdade dos jornalistas, de acesso à fonte e ao exercício de liberdade de expressão. São questões, sobretudo, dessa área da concorrência e da auto-censura. Efectivamente, é algo que nós gostaríamos e entendemos que deve ser superado”. Creio que não foi desta vez a tal melhoria, uma vez que ainda continuamos na 45ª posição.

Lembremos que, no ano passado, os Repórteres Sem Fronteiras tinham afirmado que a auto-censura, a utilização do boicote publicitário e o monopólio estatal de televisão tiveram peso na descida de Cabo fotoVerde no ranking da Liberdade de Imprensa. A própria ministra chegou a admitir que “poderia haver alguma reticência quando se vê um órgão de comunicação social a fazer política-partidária”.

No entanto, o que me causa alguma confusão é ver que a descida de posição que no ano passado causou um grande alarido, este ano é apresentado como uma grande vitória. Pelo menos, no jornal A Semana – o único órgão de comunicação social do país no qual pude ler esta notícia. É que no ano passado, a queda de 29º lugar para 45º era preocupante. Este ano, o facto do arquipélago manter-se no 45º lugar, o país é apresentado como “bem comportado”. Afinal, não era para ganharmos terreno e recuperar, pelo menos, o nosso 29º lugar? Ou a memória dos jornalistas é tão curta assim que já se esqueceram que há dois anos atrás o nosso lugar era 29º? Vai-se entender a cabeça destes nossos jornalistas… salvo o melhor juízo.

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