Estudantes Cabo-verdianos envoltos em dificuldade financeiras em Portugal

Novembro 8, 2007 às 8:27 am | Publicado em Comunicação e Sociedade | Deixe um comentário

ESPECIAL ANIVERSÁRIO
(8.11.2007)

Chegou um dia que um estudante cabo-verdiano, a estudar no Instituto Politécnico do Viseu, percebeu que gerir a imagem com fome na barriga ‘ca ta da’. Então, encheu-se de coragem e pediu a uma das suas professoras para pagar-lhe pão e leite num Supermercado. Alguém conseguirá imaginar o ponto em que este jovem chegou? Acho que, nem de perto, nem de longe. Só ele mesmo consegue ter uma noção daquilo que passou até ao ponto de deixar o desespero falar mais alto do que a vergonha. A fome tem a capacidade de ‘lavar a cara às pessoas’. E este é um dos casos, em que o Carlos Alves, de 29 anos, que estuda Marketing na Escola Superior de Tecnologia do IPV, achou que assumir que se está a esforçar para estudar, mesmo com fome, não indignifica nenhum homem que luta para alcançar um objectivo. Muito pelo contrário: é um acto heróico. É um acto de alguém que não quer desistir. Quer continuar a sonhar.
Carlos Alves contou à Agência Lusa que muitos estudantes cabo-verdianos que estudam na Cidade de Viseu tem encontrado um ‘pedaço de pano’ para cobrir o corpo com a “caridade de colegas e professores” e da Caritas de Viseu, que lhes vai entregando roupas e alimentos. A situação não é fácil… não é fácil ser-se herói. Muitas vezes, é-se obrigado a enfrentar a vida como um herói. E o destino chama para si a responsabilidade de transformar um homem ou uma mulher num herói ou numa heroína.
 
“… tenho conhecimentos que até há alunas que admiram a possibilidade de recorrerem à prostituição, mas não posso fazer nada”
 
Foram mais ou menos essas as palavras do Presidente do Instituto Politécnico do Viseu, quando foi confrontado com a situação. O seu nome é João Pedro Barros. O homem diz que não pode fazer nada porque está de ‘mãos atadas’. Onde é que tem as mãos atadas? Na lei. É uma pouca-vergonha um presidente de uma escola disser isso com toda esta tranquilidade. Até parece que se as miúdas recorressem à prostituição para pagar-lhe as propinas ele engavetava o dinheiro sem qualquer dor na consciência. O Direito não é tão obtuso como muitas pessoas o encaram. O Direito é muito mais do que a Lei. Esta, quando está de costas voltadas para a sociedade, é ineficaz. O Direito são os costumes… também é a Lei. O Direito é a jurisprudência… O Direito não é a Ética, mas a Lei tem que ter ética. Não pode haver uma lei que proíbe qualquer instituição de ensino decente de dar de comer a um aluno que está a sucumbir-se à fome. Não pode haver nenhuma lei que permite que uma aluna vá dedicar-se à prostituição para pagar as propinas, quando a própria Escola teria condições de ajudar-lhe a comer o “pão-nosso de cada dia”. Se existir uma lei dessas, é porque aquela lei está desprovida de qualquer sentido ético. E, se por ventura, alguém a aplicar taxativamente é porque esta pessoa é tão obtusa quanto à lei.

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