Livro: Nativismo em Cabo Verde e Angola (sécs. XIX e XX) apresentado em Braga

Novembro 23, 2007 às 6:19 pm | Publicado em Comunicação e Sociedade | 1 Comentário

Será apresentado, amanhã, 24, às 15h30, na Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva (Braga), o livro de Jorge Marques Guimarães, intitulado A Difusão do nativismo em África: Cabo Verde e Angola – Séculos XIX e XX”. A obra, publicada pela Editora África Debate, será apresentada pela Doutora Rosa Cabecinhas, Professora da Escola de Ciências Sociais – Departamento de Ciências da Comunicação da Universidade do Minho.


Para quem esteja por perto e que queira participar, uma vez que a entrada é livre, ficam aqui as coordenadas:


Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva

Rua de S. Paulo, nº 1
4700-042 Braga

Telefone: 253 205 970

Fax: 253 205 989

Mito apresenta Cabo Verde no Brasil

Novembro 22, 2007 às 7:43 pm | Publicado em Revista NÓS MEDIA | Deixe um comentário

O artística plástico cabo-verdiano, vulgarmente conhecido por Mito, está a participar na ExpoMinas 2007 – 18ª Feira Nacional de Artesanto – a decorrer, na Cidade de Belo Horizonte, Estado de Minas Gerais – Brasil.

Para o Brasil, Mito levou pinturas e vídeos, como forma de sintetizar através do simbólico as gentes e as vivências cabo-verdianas. As suas obras estarão expostas até ao dia 25 do corrente.

Primeiro-Ministro pede aos jornalistas para serem mais ousados

Novembro 22, 2007 às 4:31 pm | Publicado em Media & Jornalismo, Política | Deixe um comentário

O primeiro-ministro José Maria Neves, presidiu hoje, 22, a abertura da conferência internacional sobre “O papel dos Órgãos Públicos de Comunicação no Contexto da Democracia”, que acontece na Cidade da Praia. Organizado pela RTC, o evento visa assinalar os 10 anos dessa empresa.

O primeiro-ministro José Maria Neves desafiou hoje os jornalistas a serem mais ousados no seu trabalho, assegurando que estão criadas todas as condições para o exercício efectivo e pleno da profissão em Cabo Verde.

Aquele governante, que discursava na abertura da conferência internacional alusiva aos 10 anos da RTC, salientou a existência de mais jornais no país, mais rádios e televisões, havendo por isso «mais pluralismo, mais dissenso, mais espaço do exercício do controlo do poder», em suma, e deste ponto de vista, «mais democracia». JMN não se escusou, no entanto, de apontar críticas a certos «exageros», nomeadamente a excessiva partidarização de certos órgãos, ressalvando porém que prefere que esses «exageros» existam a ter que exercer qualquer forma de censura.

Durante estes dois dias desta conferência internacional, serão debatidos vários temas que se prendem com o funcionamento dos media no país, bem como do papel que os profissionais do sector, em especial, os jornalistas podem exercer. “A RTC no contexto da Comunicação Social cabo-verdiana”, a “Rádio Pública como elemento matricial da Consciência Cívica”, “O papel da televisão para a afirmação da cidadania”, “A complementaridades entre o órgão público e privado para a recomposição do espaço mediático”, e “O papel do Provedor” são, entre outros, alguns dos temas em debate.

As comunicações estão a cargo de nomes nacionais como o psicólogo e ex-ministro da pasta de comunicação, José António dos Reis e do director da Rádio Educativa, José Mário Correia. Entre os convidados estrangeiros constam José Arantes (director da Cooperação da RTP), Jorge Gonçalves (RDP), Paulo Soares (TVI) e o provedor da RTP, Paquete de Oliveira.

Esse evento, que termina amanhã, 23, “acontece no momento em que se redefine, paulatinamente, o cenário audiovisual em Cabo-Verde”, diz uma nota da organização”.
 
[Vénia ao
A Semana On-line]

Cabo Verde: um pé na Árfica e outro na Europa

Novembro 20, 2007 às 4:10 pm | Publicado em Política | Deixe um comentário

PARCEIRA ESPECIAL ENTRE CABO VERDE E UNIÃO EUROPEIA É UMA REALIDADE

Ontem foi um dia que consideramos ser histórico para Cabo Verde. Esperemos que, futuramente, venha a ficar claro que este dia é histórico para o arquipélago. Cabo Verde viu ser concretizado a sua aspiração de alcançar um Estatuto Especial junto da União Europeia, sem que a maioria das pessoas saibam realmente o que isso significa ou em quê é que vai se traduzir. Tenho por mim que será coisa boa e que, a devido tempo, todos havemos de saber em quê que podemos contar com a Europa e o que é que temos para oferecer ao velho continente.
De facto, para traz, acho que não vai nos levar, até porque comungar os valores da Europa leva-nos a aprofundar os caminhos do respeito pelos valores supremos do homem, como o assegurar das liberdades humanas, o aprofundamento da democracia, a construção de uma sociedade assente na defesa dos direitos do homem. Por isso, este passo torna cada vez mais distante o passado triste da colonização e a própria crispação social que se registou durante o regime de partido único.

“…o país pode viver sem um ou outro partido. Mas, nenhum dos partidos sobrevive sem o país”

Há uma coisa que tenho que assinalar neste momento: a maturidade mostrada pelos principais partidos do país. Realmente, a parceria especial com a União Europeia não é do MpD, nem do PAICV. É de Cabo Verde. Quem tem que ficar contente com este passo alcançado é o cabo-verdiano, entendido na sua indivisibilidade, independentemente de uns poderem ser do MpD, do PAICV, da UCID, do PTS, do PSD, do Movimento para a Vida ou de qualquer outra estrutura partidária. Gostei de ver, particularmente, o Eng.º Jorge Santos, líder do maior partido da oposição, a felicitar o país pela parceria conseguida. Da mesma forma que gostei de ver o Primeiro-Ministro a viver o momento com alguma serenidade, não levando as coisas para o campo partidário. Realmente, o momento é de todos. De todos quanto fazem parte das nossas ilhas. É da diáspora também. De todos os cabo-verdianos, estando onde estiverem. Quem não quer ver o seu país a andar pelos caminhos do progresso? Creio que só aqueles que têm algum ‘parafuso’ solto dentro da cachola.
É natural que os líderes lutem pelo protagonismo do seu partido, até porque lutam para tirar eleitorado um ao outro. Mas, mostra-se alguma seriedade institucional quando se começa a unir esforços em torno dos objectivos principais do país. O caminho é mesmo este: os cabo-verdianos unirem-se em tornos de questões vitais para o país. Há que meterem uma coisa na cabeça: o país pode viver sem um ou outro partido. Mas, nenhum dos partidos sobrevive sem o país. Afinal, muito o povo sofreu até chegarmos onde estamos. Não esquecemos da fome de 47 e de tantas outras fomes que cercou o nosso povo com a morte, tendo Salazar receitado ao então Governador da Província de Cabo Verde que abrisse os cemitérios. Essa era a única solução que o regime tinha por aqueles que considerava ‘gentes menores’, obrigando alguns poetas, como Ovídio Martins, a gritarem ao mundo que ele – o mundo – tinha dado costa às nossas gentes, que ficaram abandonadas à beira-mar feitos ‘flagelados do vento leste’.

Nós somos os flagelados do Vento-Leste!
 
A nosso favor
não houve campanhas de solidariedade
não se abriram os lares para nos abrigar
e não houve braços estendidos fraternamente para nós
 
Somos os flagelados do Vento-Leste!
 
O mar transmitiu-nos a sua perseverança
Aprendemos com o vento o bailar na desgraça
As cabras ensinaram-nos a comer pedras para não perecermos
 
Somos os flagelados do Vento-Leste!
 
Morremos e ressuscitamos todos os anos
para desespero dos que nos impedem a caminhada
Teimosamente continuamos de pé
num desafio aos deuses e aos homens
 
E as estiagens já não nos metem medo
porque descobrimos a origem das coisas
(quando pudermos!…)
 
Somos os flagelados do Vento-Leste!
 
Os homens esqueceram-se de nos chamar irmãos
E as vozes solidárias que temos sempre escutado
São apenas
as vozes do mar
que nos salgou o sangue
as vozes do vento
que nos entranhou o ritmo do equilíbrio
e as vozes das nossas montanhas
estranha e silenciosamente musicais
 
Nós somos os flagelados do Vento-Leste!

(Poema de Ovídio Martins)

Promo: Espaço T

Novembro 20, 2007 às 3:41 pm | Publicado em Revista NÓS MEDIA | 2 comentários

Porque a integração social é importante, abrimos uma excepção para responder ao pedido dos responsáveis da Associação para Apoio à Integração Social e Comunitária (Espaço T) que solicita – enquadrado no Mecenato Social ou através de qualquer outra modalidade – apoio para poder continuar a ajudar os jovens que mais necessitam a se integrarem na sociedade ou na sua comunidade.
Da mensagem que nos foi chegada através do e-Mail, destacamos o seguinte extracto:
 
de forma a conseguirmos fazer face às nossas necessidades financeiras, pedimos a todos que façam um donativo de no mínimo 2€ (dedutível no IRS) para o NIB 003501960000697973005 da Caixa Geral de Depósitos , ou se  façam sócios preenchendo a ficha em anexo.  Juntem o vosso nome à lista dos que contribuem para que o Espaço t auxilie para a construção de um futuro onde os mais carenciados não sejam excluídos”.
 
Para terem acesso ao documento que nos foi enviado, na íntegra, cliquem no espaço de download em baixo.

BAIXAR A CARTA ABERTA À SOCIEDADE – ESPAÇO T

Recordemos ainda que o Espaço T tem um curso sobre Fotografia Digital aberto, ministrado pelo Drº Miguel Novo, docente do Instituto Português da Fotografia, composto pela seguinte ementa:

Introdução e apresentação ao sistema Windows;
Introdução e apresentação à fotografia digital;
Scanner e Impressoras;
Digitalização de imagem;
Introdução à apresentação de Photoshop;
As ferramentas de selecção;
As paletas: layers, history e channels;
As ferramentas de pintura.

Memória

Novembro 18, 2007 às 6:07 pm | Publicado em Cânticos e Poesia, Revista NÓS MEDIA | Deixe um comentário

Nas ‘esquinas’ da ‘aldeia global’, encontrei hoje algumas fotos que me reproduziram certas passagens do ‘Recital Poético’ em que participei, em Abril passado, na Galiza – Espanha. Um momento divertido como aquele terá que ser recordado, com a mais-valia da fotografia poder refrescar a memória.

EM MOVIMENTO

(Yo – como se diria em español)

Recital Poético. Silvino Évora 

A VER OS OUTROS EM MOVIMENTO

Belem de Andrade

Sílvia Capom

Recital Poético. S�lvia Capom

Belem e Nolim

Recital Poético. Belem e Nolim

Séchu Sende

Recital Poético. Sechu Sende

Os ‘blogs’ cabo-verdianos: um olhar sobre o campo

Novembro 16, 2007 às 7:37 pm | Publicado em Blogroll, Comunicação e Sociedade | 3 comentários

O jornal A Semana (versão papel, disponível na net através do pdf) traz esta semana uma reportagem sobre os blogs cabo-verdianos, dando a conhecer algumas vozes cabo-verdianas que operam no terreno da blogosfera. Esta nova ferramenta – que chegou a Cabo Verde com algum atraso em relação ao Brasil, Europa e outras termos comparativos como os Estados Unidos – está a dar os seus primeiros passos nas ilhas atlânticas. Pode-se concluir, pelos dados que a reportagem fornece, que quase todos os blogs pautam pela generalidade. No entanto, estamos em crer que há alguma especialização na blogosfera cabo-verdiana, não entendendo a especialização como tratar um único tema, mas tendo uma temática como orientação principal. Lembremos que os blogs das jornalistas Margarida Fontes (www.odiaquepassa.blogspot.com) e Matilde Dias (www.lantuna.blogspost.com) surgiram com uma tendência marcadamente cultural – ou seja, davam atenção sobretudo às temáticas ligadas à cultura. Até hoje, a cultura é o ‘prato forte’ dos dois sítios na Internet, sendo que este último tem sido actualizado, nos últimos meses, com pouca frequência. Por outro lado, o blog de Djinho Barbosa (www.sondisantiagu.blogspot.com) tem como campo de actuação a área da música. O próprio NÓS MEDIA – que editamos – dedica mais de 90 por cento dos seus posts aos conteúdos relacionados com o mundo do jornalismo e dos jornalistas, da comunicação social e das Ciências da Comunicação. Portanto, de alguma forma, consideramos que há alguma especialização nestes blogs citados e nalguns outros, embora esta especialização não seja ‘fechar portas’ a todos os conteúdos que não tenham uma relação directa com a orientação principal de um blog.
De resto, consideramos o artigo do jornal A Semana interessante, por nos trazer a visão dos bloggers, permitindo-nos conhecer um bocadinho mais as aspirações em relação a esta ferramenta de algumas pessoas que estão por detrás das palavras que lemos e das imagens que vemos (para não falar também dos sons que ouvimos) na ‘aldeia blogal’. Para quem queira ler o artigo, na íntegra, pode fazer download em baixo.

BAIXAR O TEXTO SOBRE A BLOGOSFERA CABO-VERDIANA

Os imigrantes na imprensa portuguesa

Novembro 15, 2007 às 7:58 pm | Publicado em Comunicação e Sociedade | 1 Comentário

Pode-se ler no A Semana On-line que “o Alto-comissário para a Imigração de Portugal, Rui Marques, afirma, no site da ACIME, que o trabalho dos jornalistas portugueses na promoção do diálogo intercultural e da tolerância é um dos melhores exemplos a nível europeu”. O mesmo continua, assegurando ainda que “a relação entre os media, a imigração e o diálogo intercultural e os desafios que “daí resultam foram os principais temas da reunião dos “Pontos Focais do Ano Europeu do Diálogo Intercultural”, que se realizou ontem em Lisboa, no âmbito da presidência portuguesa da União Europeia”.
Se é verdade que há uma evolução na forma como os jornalistas portugueses tratam os assuntos relacionados com a comunidade estrangeira que vive em Portugal, por outro lado, há que registar que ainda muito caminho tem que ser feito ainda nesta matéria. O caso do falso arrastão da praia de Carcavelos pôs a nu os preconceitos da imprensa portuguesa em relação aos imigrantes. No entanto, nem era preciso que isso acontecesse para que as dúvidas se dissipassem. Um pequeno olhar pela imprensa portuguesa dá-nos uma noção próxima daquilo que os jornalistas portugueses têm no ‘miolo’ acerca dos estrangeiros. O esforço não precisa ser grande. Basta partirmos pela leitura dos jornais, com o seguinte pensamento: vou ver hoje como e quando é que os estrangeiros aparecem nas notícias em Portugal. A resposta será quase matemática. Quem advinha… quem advinha, qual é?

Banalização da Profissão de Jornalismo em Cabo Verde

Novembro 12, 2007 às 6:44 pm | Publicado em Ponto de Vista | 5 comentários

Por: Carlos Sá Nogueira*


Em vários artigos nossos publicados em Cabo Verde temos vindo a alertar o Governo e aos cidadãos, pela degradação galopante do nosso “jornalismo”. Colocamos aqui a palavra jornalismo entre aspas, porque em nosso entender não existe o jornalismo cabo-verdiano. O que existe é aquilo que Mário Mesquita chama de “jornalismo militante” comprometido com os poderes político-económicos (2004:55). A par disso e, por outro lado, não podemos falar em jornalismo cabo-verdiano, quando ainda não somos, suficientemente capazes de “pensar pelas nossas próprias cabeças” a problemática do jornalismo no nosso País. Não é que não tenhamos gente capaz de elaborar ideias doutrinárias e, a partir daí, criar uma escola de pensamento jornalístico com lastro cabo-verdiano.
O problema maior prende-se com o comprometimento dos profissionais da comunicação social com o sistema de interesse instalado no seio da classe, tendo como pano de fundo, a cumplicidade do Governo. Por isso, enquanto não atingirmos o patamar de autonomia cognitiva e demarcar da promiscuidade com os poderes, não podemos falar, rigorosamente, em jornalismo cabo-verdiano. Temos sim, o jornalismo de “sarjeta” onde os princípios da ética e da deontologia da profissão são sistematicamente violados em prol dos interesses dos poderes. Em democracia o jornalismo deve sim, desempenhar um papel de watchdog – cão de guarda – “das instituições perante os desvios, as prepotências e os abusos do poder” (Mesquita, 2004:74).
Mas o propósito deste nosso artigo não é este. Contamos retomar esta questão sobre a existência ou não de um “jornalismo cabo-verdiano” numa próxima ocasião e/ou em fórum próprio. Deste modo, lançamos um desafio, desde logo, aos nossos colegas a reflectirem-se sobre esta controversa em ordem a encontrarmos uma designação mais apropriada para aquilo que designamos por “jornalismo cabo-verdiano”.
Serviço Público de Televisão: precisa-se
O objecto desta reflexão tem que ver, justamente, com as Políticas de Comunicação para os media em Cabo Verde, particularmente para o sector de audiovisual. Como é de domínio público a Televisão de Cabo Verde (TCV) ao longo dos seus 23 anos de existência, pouco ou nada tem contribuído para a formação da consciência dos cidadãos tão-pouco para a consolidação da nossa jovem democracia. É só fazer uma pequena observação pelo nível da sua grelha de programação e pelos alinhamentos dos telejornais que, quanto a nós, é uma lástima, do ponto de vista técnico e visa servir unicamente os interesses do Executivo. Basta dizer que a TCV subvencionada pelo erário público tem apenas 5 horas de programação diária em que não se vislumbra, na sua grelha de programas, o verdadeiro sentido de serviço público de televisão. Mas isto tem uma explicação muito simples que, com certeza, os cabo-verdianos já se aperceberam: é que a génese da televisão cabo-verdiana assenta em conhecimentos adquiridos no campo da “universidade da tarimba”.
Ora, o jornalismo televisivo ou não, requer algum grau de abstracção da realidade social. Creio que os tarimbeiros não estarão “formatados” para lidar com realidade tão complexa quanto é a jornalística. Informar, ser informado e informa-se, requer um exercício intelectual para o qual os nossos “confrades” oriundos da escola da tarimba não estão habituados. É preciso uma cultura de valores jornalísticos que, seguramente, não se compaginam com a “universidade da tarimba”. Não obstante, a classe jornalística cabo-verdiana conta hoje, com um número significativo de profissionais com curso superior em Jornalismo, Ciências da Comunicação ou simplesmente Comunicação Social, ainda assim, continuamos a conviver, sobretudo na televisão e na rádio públicas, com um “jornalismo” fortemente influenciado por sequelas tarimbeiras. Curiosamente, são os próprios tarimbeiros gatekeepers, comissários políticos colocados estrategicamente, nestas estações do Estado, que determinam o conteúdo informativo que os cidadãos devem ou não ter acesso. Ou seja, uma espécie de porteiro, que abre e fecha a porta para as notícias que incomodam ou não os poderes.
Jornalistas em um mês e tal
Como se não bastasse o estádio calamitoso por que atravessa o sector audiovisual em Cabo Verde vem, aqui há dias, a ministra, Sara Lopes, que tutela a Comunicação Social, anunciar com pompa e circunstância, a formação de um mês e tal, de alguns jovens com 12º Ano de Escolaridade, em jornalismo televisivo, em ordem a serem os futuros correspondentes da Televisão de Cabo Verde em diferentes localidades do País.
Ora bem, esta decisão do Governo revela, desde logo, um total desconhecimento da importância do jornalismo no processo de formação dos cidadãos e, consequentemente, da sua participação na vida pública do País. Significa ainda, a banalização da profissão de jornalismo, numa altura em que Cabo Verde conta com vários profissionais com formação superior, em diversas universidades europeias, brasileiras e mesmo nacional (Universidade Jean Piaget), que se encontram na prateleira ou no desemprego. Alguns sentiram-se já obrigados a abraçar outras áreas distantes da sua formação para poderem sobreviver. Daí que, em nosso entender, esta opção do Governo é, de todo, errado, sabendo que existem profissionais qualificados sem oportunidade de emprego. É preciso dignificar a profissão de jornalista em Cabo Verde, enquanto, parceira do desenvolvimento do País, sobretudo numa altura em que o arquipélago se prepara para fazer parte das “fileiras” dos Países de Desenvolvimento Médio e à espera, para breve, de uma aproximação à Europa, através da Estatuto Especial junto da União Europeia.
”Não podemos continuar a ver as pessoas formadas no desemprego e o Governo a dar aos jovens um ou dois meses de formação para ocuparem o lugar daqueles que passaram três, quatro ou cinco anos em Universidades, Institutos ou Escolas Profissionalizantes a ‘matarem a vida’ para obterem uma formação”, repudia um profissional licenciado em Ciências da Comunicação, em conversa connosco, que se encontra no mundo dos desempregados da classe.
Por conseguinte, salvo o devido respeito, pelos jovens que concluem, arduamente, o 12º Ano e que precisam de uma formação universitária e/ou técnico-profissional, a fim de poderem garantir o seu futuro, mas não acreditamos, sinceramente, que com apenas um mês e tal de formação, estariam em condições técnico-congnitivas para o exercício do jornalismo.
De acordo com o Jornal Online Liberal a formação ministrada por professores da Universidade de Aveiro vai abordar temas como: noções de jornalismo e notícias; reportagem em televisão; ética e deontologia e relações com as fontes de informação. Estas noções aprendem-se ao longo de um curso em Jornalismo, Ciências da Comunicação ou Comunicação Social. Portanto, é manifestamente falacioso pensar que um (a) jovem que acabasse o ensino secundário conseguiria incorporar em apenas um mês e tal, noções sobre o jornalismo, ainda que básicas, que lhe permitissem exercer com alguma qualidade a profissão. Aliás, é o próprio Estatuto do Jornalista nos seus artigos: 5º; 6º e 7º que impossibilita esses jovens de exercer a profissão.
Senão vejamos: “Podem ser jornalistas profissionais os cidadãos maiores, no pleno gozo dos direitos civis e com formação específica na área de jornalismo oficialmente reconhecida” (nº 1 do Arº 5º do Estatuto do Jornalista). A minha questão é esta: quem vai “reconhecer oficialmente” estes supostos correspondentes da TCV. Será a senhora ministra da tutela? Sim, porque o Ministério da Educação não será, com certeza? O nº 1 do Artº 6º do mesmo documento acrescenta ainda que, “Ninguém pode exercer a profissão de jornalista sem estar habilitada com o respectivo título”. Estará, com um mês e tal de formação, esses jovens capacitados para obterem o título e exercerem, imediatamente a profissão?
“Sem prejuízo do período experimental, os indivíduos que ingressam na profissão de jornalista terão a qualificação que estagiários, por um período de seis meses, se possuírem curso superior que confira licenciatura, ou de dois anos, nos restantes casos.” (Artº 7º do Estatuto do Jornalista). No caso ad-hoc os futuros jornalistas correspondentes, depois de mês e tal de formação ser-lhes-ão distribuídos Kits prontos para fazerem uma cobertura jornalística. Por isso, a nossa dúvida crucial é, qual será o enquadramento que lhes espera?
Como diria um confrade e amigo meu, serão esses “jornalistas” que irão fazer a cobertura mediática dos acontecimentos relativos ao próximo pleito eleitoral que se avizinha nos diversos concelhos do país. É claro que esses jovens não irão, certamente, para além das noções básicas em jornalismo. Portanto, meus senhores não brinquem com coisas tão sérias quanto é a profissão de jornalismo.


• Jornalista e mestrando em Ciências da Comunicação – Especialidade em Informação e Jornalismo, na Universidade do Minho.
• E-mail: sanogueiraborges@hotmail.com

3 anos na Internet a olhar o mundo

Novembro 8, 2007 às 8:40 am | Publicado em Revista NÓS MEDIA | 10 comentários

PARABÉNS NÓS MEDIA
(Nasceu a 8.11.2004)

Foi há três anos atrás que nasceu este blog. Nasceu para tentar ser um olhar diferente sobre o mundo dos media, mas também sobre outros mundos que são espelhados nas páginas físicas e temporais dos nossos meios de comunicação de massa. Começamos no Blogger e, ao longo de algum tempo, o blog procurava encontrar uma orientação. Não creio que hoje tenhamos uma orientação completamente definida do que será o NÓS MEDIA do futuro, mas isso também não nos preocupa muito. Até porque, não é imperativo que haja o NÓS MEDIA do futuro. Um dia ou outro, podemos acordar de mal com a vida e acabar com isso tudo num instante. Mas, isso não significa que o façamos. Apenas é uma possibilidade, como forma de mostrar que na blogosfera a matéria é durável enquanto persistir a vontade de continuar. Mas, confessamos que três anos depois, ainda não estamos enfadados com o NÓS MEDIA, pelo que, com mais ou menos posts, pretendemos continuar por aqui ainda por um bom tempo.
Depois de algum tempo a usar os suportes da Blogger, alguns problemas técnicos aconselharam-nos a fazer a migração para a WordPress. E cá estamos… com mais ou menos posts, cá continuamos. E a nossa intenção é de cá continuar por mais algum tempo.
Três anos depois, NÓS MEDIA continua a ser o nosso companheiro. Três anos de muito tempo perdido… mais de uma grande satisfação. Grande satisfação porque, a ferramenta da blogosfera, bem usada, é muito útil. Sem pagar nada, comunicamos, compartilhamos e ajudamos os outros. Quantos estudantes de comunicação, sobretudo cabo-verdianos e brasileiros, já se dirigiram a nós para solicitar algum material que ajudasse a elaborar trabalhos sobre a rádio, a televisão ou a imprensa em Cabo Verde ou em outro campo geográfico? Alguns. Alguns têm recorrido a este canal. Naquilo que pudemos, sempre os ajudámos. É neste sentido que encaramos a blogosfera como uma ferramenta útil. Pode ser usada para fins diferentes: existem blogs que são autênticos diários pessoais; outros acompanham a vida de artistas famosos; e nós pretendemos acompanhar a vida dos jornais (latus sensus) e dos jornalistas… mas, também da sociedade.
Durante estes três anos, conseguimos acompanhar a evolução do sector dos media em Cabo Verde. Podemos não ter feito isso com muito mérito, mas fizemos com muita vontade. Como nem sempre é possível produzirmos conteúdos próprios, recorremos, com frequência, aos órgãos de comunicação social com presença na Internet.
NÓS MEDIA é um espaço aberto. Está de portas abertas à colaboração. Por isso, publicámos, durante este período, textos de vários autores que tiveram a amabilidade de os enviar através do nosso correio electrónico. Agradecemos profundamente a todos os que colaboraram connosco durante este período e pedimos que continuem a fazê-lo.
NÓS MÉDIA é notícia… é jornalismo, é comunicação social. Mas, também é Poesia. A arte poética é uma das mais sublimes formas de fazer a alma transpirar através de palavras. Por isso, temos dado destaque ao campo da poesia, quer com textos da nossa autoria, quer publicando poemas que os nossos visitantes nos enviam por correio electrónico.
NÓS MEDIA – uma mistura do crioulo com o latim. NÓS (em português, ‘os nossos’) e MEDIA (em latim, ‘meios de comunicação de massa’). Portanto, nada de confundir com o livro Nós, os Media, de  Dan Gillmor, como alguns já o fizeram. Qualquer aproximação entre uma coisa e outra é pura coincidência. Ou não há coincidência, como diz Margarida Rebelo Pinto? Até pode não haver. Afinal, ambos tratam sobre as questões dos media (longe de nós querermos nos comparar com o Nós, os Media. Afinal, somos apenas o pobre NÓS MEDIA).
Continuaremos aqui… três anos depois, estamos convictos de que valeu a pena criar este espaço. Três anos depois, renovamos a nossa vontade de continuar com este blog, marcando o espaço com uma celebração especial, trazendo uma ‘sopa de textos’. Até quando? Sinceramente, não sabemos. Por isso mesmo que temos que dar PARABÉNS ao NÓS MEDIA. Encontramo-nos por aí: nalguma esquina ou pelas curvas de alguns posts.

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